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Mosteiro
dos Jerónimos e o Património das Descobertas de Portugal A opção pelo Património das Descobertas de Portugal
nos Jerónimos serve também para eliminar o erro de se continuar a
perspectivar a Museologia e a Política do Património exclusivamente pela
questão dos «museus». Não é a questão sísmica da Cordoaria, nem o sítio para
onde o ‘museu de arqueologia’ deve ou não ir, que é a questão.
Fazer um estudo sísmico para se saber se um sítio sísmico é sísmico é gozar com
o dinheiro dos contribuintes e com a sensatez. Nem a questão são os outros
aspectos laterais, incluindo interesses económicos e ideológicos, que, como
previ, se começam a desenhar. Nem mesmo a proposta de Coimbra que fiz, embora,
diga-se em abono da verdade, ainda não foi derrotada por outra melhor até ao
momento. Repito. A opção pelo Património das Descobertas de
Portugal nos Jerónimos serve também para eliminar o erro de se continuar a
perspectivar a Museologia e a Política do Património exclusivamente pela
questão dos «museus». Esta afirmação é o corolário dos argumentos que tenho
vindo a publicar nesta Lista, obrigatoriamente de forma mais ligeira do que nos
textos editados que lhes servem de sustentação técnica e científica. Tentando
mostrar quanto seria útil conceber a Museologia e a gestão do Património não apenas
como o estudo dos «museus» e da sua preponderância. Gerir o Património - colocando este objectivo como o centro do trabalho da Museologia - permite escolher aquilo que os «museus» hão-de ou não fazer. Neste sentido gostaria de submeter, se me permitem,
mais um outro aspecto relativo á opção pelo Património das Descobertas de
Portugal nos Jerónimos. O que esta opção permite é a de gerir com mais
eficácia o Património das Descobertas de Portugal. E essa orientação não exclusivamente focada na
«infraestrutura-museu» permite outra visão e outra abertura à gestão
museológica. Porque o «Património das Descobertas de Portugal»
também são as Patentes que Portugal consegue inscrever no Mundo. Segundo
a Associação Portuguesa dos Consultores em Propriedade Industrial, passo a
citar, “apenas 83 dos 150 mil pedidos anuais de registo de patentes a
nível europeu são de inventos ‘made in Portugal’, o que representa
0,05 por cento dos pedidos de protecção de propriedade industrial. Portugal
pediu 83 registos de patente em 150 mil"… "o número de pedidos
de registo de patentes, muito aquém das médias europeias, é um problema de
falta de cultura da protecção" (Gonçalo Sampaio, ACPI, Lusa,
18/04/2010). Esta
função é também uma das que pode o museu das descobertas pode desempenhar.
Mostrando que se fomos capazes de o fazer no passado, também o podemos fazer no
presente e no futuro. Gerir
o Património é também contribuir, neste caso concreto, para elevar a
“cultura da protecção” do que os melhores de Nós fazem, criam e
inventam. Irmaná-los com os outros anteriores que também o fizeram. Criar a
transformação do ser-humano e da sociedade que permita haver mais. Como
referi na mensagem anterior, só é Património aquilo que é mais importante
transmitir para continuarmos a ser essa melhor parte de Nós. A
questão não é o «museu», a questão é o Património e a Memória. É
por isso, e não por quaisquer outras razões, que a opção é a correcta. Tal como
referi, esta é a opção que melhor serve Portugal e o seu Património num mundo
definitivamente globalizado. Não devemos ter vergonha do que somos, e do que
fizemos melhor. Aliás foi nos Jerónimos que Portugal ainda
recentemente se recentrou e projectou no Mundo. Na Europa, mas também onde foram
anunciados os prémios da Fundação Champalimaud… Sobretudo, não devemos ter medo do futuro nem vergonha
de Portugal. Pedro
Manuel Cardoso (Museu
da Gestualidade) |
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