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Jornada de Reflexão e Debate Museu da Cortiça da Fábrica do Inglês,
em Silves: que Futuro? 26 de Junho de 2010 Conclusões
1 ? É urgente assegurar a
classificação da Fábrica do Inglês nos termos do Decreto-lei nº 309/2009 de 23
de Outubro, tendo em vista garantir a protecção legal do seu património imóvel e
integrado. Esta classificação deveria pelo menos atingir o nível de ?imóvel de
interesse público?. Neste sentido, os participantes nesta Jornada de Reflexão
apelam aos responsáveis da Administração Pública, local (Câmara Municipal de
Silves) e nacional (Direcção Regional de Cultura), para que exerçam as suas
competências neste domínio e mantenham a opinião pública informada sobre o
desenvolvimento do processo. Esta classificação, da justificação que tem em si
mesma, constituirá também uma mais-valia imprescindível para qualquer projecto
futuro a desenvolver no local. 2 ? É urgente assegurar a
manutenção dos espaços de ar livre e o acesso ao núcleo museológico. A situação
de encerramento actual da Fábrica do Inglês traduzir-se-á no futuro em encargo
maior do que o da sua abertura, mesmo
que mínima. Qualquer que seja a evolução futura do regime de propriedade,
importa atalhar a degradação que se começa a fazer-se sentir. Neste sentido,
recomenda-se à Câmara Municipal de Silves que, na defesa dos interesses
patrimoniais em causa, desenvolva esforços para a celebração de um protocolo que
lhe permita executar as operações mínimas de manutenção e segurança do espaço.
Os custos desta manutenção devem ser considerados como investimento público no
local e ser tidos em devida conta aquando da discussão das soluções de futuro
que vierem a ser adoptadas. 3 ? É recomendável proceder
à identificação das entidades e as formas de participação dos potenciais
intervenientes ou parceiros locais, nacionais e internacionais tendo em vista um
projecto de reabertura e de reprogramação do conjunto patrimonial em que se
integra o Museu da Cortiça ? designado por Fábrica do
Inglês. 4 ? É consensual a convicção de
que o ?modelo de negócio? que esteve subjacente ao projecto inicial da Fábrica
do Inglês está ultrapassado. Embora generoso e baseado em motivações
essencialmente patrimonialistas, tratava-se de um modelo demasiado assente em
actividades comerciais, de restauração e de animação, que não somente estavam
muito para além da estrita valorização dos bens patrimoniais, como dependiam de
variáveis de mercado totalmente alheias ao controlo dos promotores do projecto.
Importa, pois, que a Fábrica do Inglês se centre de forma mais incisiva naquilo
que deve constituir o seu núcleo central, ou seja, na valorização dos
seus patrimónios e na projecção do Mundo da Cortiça. Neste sentido,
seria recomendável uma maior participação das entidades públicas locais no
capital social da futura estrutura gestionária do espaço. 5 ? É desejável
continuar, e intensificar, as acções de sensibilização da opinião pública, em
primeiro lugar da comunidade local silvense, para o reconhecimento da
importância patrimonial do que está em causa e para a sua salvaguarda e
valorização, como recurso de desenvolvimento cultural e identitário local,
regional e até nacional. A Comissão Nacional Portuguesa do ICOM, pelo seu lado,
manter-se-á atenta ao evoluir da situação e desenvolverá os contactos
associativos que forem adequados à manutenção e reforço do movimento social em
defesa do Complexo da Fábrica do Inglês. Silves, em 26 de Junho de
2010. O Presidente do ICOM
Portugal, Luís
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