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Creio haver aqui qualquer
confusão (até, possivelmente, da minha parte, se não compreendi bem o que disse
o Sr. Secretário de Estado): foi afirmado que os Portugalliae Monumenta Historica estavam (ou estariam)
disponíveis em formato digital, mas de certeza que não se chamou para a APH a
honra dessa iniciativa, que o foi de um organismo da SEC. O seu a seu dono! O
Sr. Secretário de Estado é que fez questão em falar nisso, numa cerimónia em que
se festejava a História! Julgo, pois, que não haverá duplicações de esforços,
pois que ninguém se propôs ir fazer nova digitalização do que já está feito! Cordialmente J.
d’E. From: Dália Guerreiro
[mailto:damague@gmail.com] A Portugaliae Monumenta Historica está
digitalizada na íntegra e disponível em linha, na Biblioteca Nacional Digital,
desde 2007, através do PURL 12270 (http://purl.pt/12270),
com versões em PDF e JPG. No mesmo sítio, encontram-se disponíveis doze obras
de Alexandre Herculano (http://purl.pt/index/geral/aut/PT/22536.html) Será sempre de louvar as iniciativas de transferência de suporte de
obras patrimoniais com valor documental e histórico; mas condenamos a
replicação de esforços, quando ainda há tanto por fazer. Uma boa política de
digitalização inclui a averiguação do que está feito e do que está em projecto,
para evitar não só custos desnecessários ou desperdício de recursos humanos e
financeiros, como também o inevitável desgaste dos originais. Dália Guerreiro No dia 9 de Dezembro de 2010 22:00, Marisa Costa <costa.misc@gmail.com> escreveu: Até que enfim que a APH retomou a sua obrigação institucional de
disponibilizar as fontes documentais nacionais, como seja a citada
"digitalização integral dos Portugalliae Monumenta Historica". É pena
que não haja mais «comemorações» em torno de Alexandre Herculano. Espera-se agora que a disponibilização anunciada não se restrinja a um
pequeno círculo de investigadores, como é característico da comunidade
científica (ou como se quiser chamar).
No dia 9 de Dezembro de 2010 00:00, José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt> escreveu: ACADEMIA
PORTUGUESA DE HISTÓRIA COMEMOROU
290 ANOS E
ATRIBUIU PRÉMIOS
As cerimónias comemorativas do 290º aniversário da fundação da Academia
Portuguesa de História iniciaram-se, hoje, 8 de Dezembro, às 10.30 h., com uma
missa de acção de graças, na igreja do Colégio de S. João de Brito, em Lisboa.
Depois do almoço de confraternização, houve, a partir das 15 horas, no pavilhão
da sede, completamente cheio de académicos e de convidados, a sessão solene,
presidida pelo Secretário de Estado da Cultura, Elíseo Summavielle.
Abriu-a o Doutor Joaquim Veríssimo Serrão, Presidente de Honra da Academia,
que, em palavras emocionadas, se referiu à actividade que a Academia tem
desenvolvido e agradeceu as atenções de que tem sido alvo. Foi, de certo modo,
o testemunho (para não dizer o ‘testamento’) de um crente em Deus, como
repetidamente se afirmou, grato por tudo aquilo que, ao longo da vida, lhe tem
sido dado.
O Director do Real Gabinete Português de Leitura, do Rio de Janeiro, António
Gomes da Costa, em nome do Real Gabinete e de mais duas instituições
brasileiras que com a Academia têm colaborado, referiu-se, em termos elogiosos
e entusiásticos, ao excelente relacionamento existente entre os investigadores
e académicos de ambos os países.
A Presidente da Academia, Doutora Manuela Mendonça, historiou o que foi a
existência da instituição ao longo destes quase três séculos, em que «fazer
História» nem sempre obedeceu aos mesmos parâmetros metodológicos e temáticas
predilectas. Hoje, sublinhou, a Academia é, sobretudo, um «local de trabalho»,
que acolhe todas as correntes de pensamento, dado que «a verdade é uma busca
constante»; a Academia assume-se como «a reserva cultural do Estado de
Direito», «o garante da memória de um Povo». «Ser Academia, hoje, é assumir a
vontade de um trabalho continuado, actualizado e mobilizador», salientou.
Seguiu-se a cerimónia de entrega dos prémios anualmente atribuídos pela
Academia, com a colaboração de entidades ligadas à Cultura. Assim, a Fundação
Calouste Gulbenkian patrocinou os seguintes prémios:
- «História da Europa», atribuído à obra de Inmaculada Fernández Arrillaga, Jesuitas rehenes de Carlos III: misioneros
desterrados de América presos en El Puerto de Santa Maria (1769-1798);
- «História Moderna e Contemporânea de Portugal», com que foi galardoado José
Manuel Tavares Castilho, autor da obra Os
Deputados da Assembleia Nacional 1935-1974;
- e «História da Presença de Portugal no Mundo», que premiou o livro Cidades e Fortalezas do Estado da Índia, de
José Manuel Garcia.
O prémio da Fundação Engº António de Almeida coube à monografia Tábua. História, Arte e Memória, de Marco
Daniel Duarte.
A Saul António Gomes se concedeu o prémio que tem como patrono Augusto Botelho
da Costa Veiga, pela sua obra A Comuna
Judaica de Leiria – Das Origens à Expulsão. A viúva do Doutor Pedro Cunha Serra
entregou a Maria Helena da Cruz Coelho o prémio que honra a memória de seu
marido, pelo volume Montemor-o-Velho a
Caminho da Corte e das Cortes. Mestre Teresa Maria e Sousa Nunes viu galardoado com o Prémio Prof.
Doutor Francisco da Gama Caeiro o resultado da sua investigação intitulado Carlos Malheiro Dias - Um monárquico entre dois
regimes. Finalmente, um prémio relacionado com o
Brasil, que tem como patrono o 8º Conde dos Arcos, que foi vice-rei daquele
território, coube a D. Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, pela obra A Princesa Flor Dona Maria Amélia. Cada galardoado, além dos agradecimentos,
teve oportunidade de traçar breve síntese do que fora a sua investigação Encerrou a sessão o Secretário de Estado
da Cultura, que justificou a sua presença porque «a história do património»,
disse, «começa nesta Casa». Manifestando o seu regozijo por já começar a ouvir
os seus colegas governantes doutros domínios a reconhecerem o papel do
«património cultural como recurso para o nosso desenvolvimento», enalteceu o
importante papel que, neste domínio, as autarquias estão a desenvolver
(encontravam-se, aliás, na sala, vários autarcas que haviam apoiado a elaboração
de trabalhos premiados), pois que, afirmou, «70% do investimento público no
património pertence à autarquias» e «o contributo da Cultura para o Produto
Interno Bruto é cada vez mais relevante».
Aproveitou o ensejo para dar a conhecer alguns dos projectos em curso: o
Governo vai investir mais no sector dos Arquivos, por reconhecer a sua
fundamental importância; apesar de «os políticos gostarem mais do imediato, do
que dá nas vistas» - e o trabalho nos arquivos a isso não dá azo - o certo é
que se conseguiu, por exemplo, a digitalização de centenas de milhares de
documentos, em Fevereiro, no âmbito das comemorações de Alexandre Herculano,
estará ao dispor dos investigadores a digitalização integral dos Portugalliae Monumenta Historica; os
livros de actas das sessões da Academia Nacional de Belas Artes também se
encontram digitalizados já: «É um trabalho invisível, mas absolutamente
relevante» - perorou.
Elíseo Summavielle referiu-se, ainda, às parcerias que o Ministério tem feito e
continuará a fazer para obter os seus objectivos, designadamente o que já está
consignado com a Igreja Católica, respeitante ao espólio de 23 catedrais. Está
em marcha a concretização de protocolos com arquivos privados, porque, hoje,
frisou, é «a história das mentalidades que sobretudo interessa» e, nesse
aspecto, as monografias, as biografias assumem papel do maior interesse.
«Não tenho, pois, um discurso triste. A Secretaria de Estado disponibilizará
todo o apoio possível para estimular os estudos históricos, na verdade, o que
Portugal tem de mais rico».
Registe-se a presença já referida de académicos brasileiros e também a do Prof.
Martín Almagro, da Real Academia de História, de Madrid.
José d'Encarnação _______________________________________________
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