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Re: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro noSpeaker's Corner do Mouseion

To :   "'LRaposo'" <3raposos@sapo.pt>, 'Conceição Amaral' <conceicao.amaral@fress.pt>, "'Maria Vlachou'" <mariavlachou.pt@gmail.com>, "'Joana Sousa Monteiro'" <joanasm08@gmail.com>
Subject :   Re: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro noSpeaker's Corner do Mouseion
From :   "Alexandre Matos" <alexandre@museusportugal.org>
Date :   Wed, 9 Jan 2013 11:32:34 -0000

Caro Luís Raposo,

 

Excelente notícia a que nos anuncia. Estarei atento e participarei certamente. Os meus parabéns ao ICOM.

 

Cumprimentos,

 

Alexandre Matos

From: LRaposo [mailto:3raposos@sapo.pt]
Sent: quarta-feira, 9 de Janeiro de 2013 10:58
To: Conceição Amaral; 'Maria Vlachou'; 'Joana Sousa Monteiro'
Cc: museum@ci.uc.pt; 'Alexandre Matos'
Subject: Re: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro noSpeaker's Corner do Mouseion

 

Cara Conceição,

Compreendo bem, e partilho, o teu estado de espirito. A tua quase angústia, diria, que nos bate domesticamente à porta de forma esmagadora.

Posso dizer-te que, no plano do ICOM Portugal, estamos atentos e muito preocupados. Mas estamos também activos, como nos compete.

Em Março teremos uma Assemblçeia Geral, seguida de painel em que este tipo de questões podem e devem ser abordadas.

Mas porque se trata de questão bem mais vasta do que a da nossa (portuguesa) crise, posso também informar-te, e contigo todos os restantes colegas que partilham este forum, que o ICOM Portugal em conjunto com o ICOM Europa irão promover em Abril próximo em Lisboa uma Conferência Internacional sobre "Public Policies toward Museums in Times of Crisis", na qual participará um razoável número de especialistas universitários e responsáveis por museus, tutelas de museus e associações de museus provenientes de vários países europeus, dos mais setentrionais aos mais meridionais. Esperamos que nessa Conferência seja também apresentada uma "Declaração de Lisboa", que neste momento se encontra em preparação e será subscrita pelas Comissões Nacionais do ICOM de Espanha, Grécia, Itália e Portugal.

Por estes dias será dado início à divulgação desta iniciativa em toda a Europa. Mantem-te e mantenhamo-nos atentos, porque nestas coisas é decisiva a participação activa de todos os que pensam, exercem os seus direitos/deveres cidadãos e ainda não "deixaram cair os braços".

Abraço amigo do,

Luís Raposo

 

 

----- Original Message -----

Sent: Tuesday, January 08, 2013 8:06 PM

Subject: RE: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro noSpeaker's Corner do Mouseion

 

Caro Luís, caríssimos todos,

 

Não há volta a dar a isto? Passam-se décadas e parece que estamos sempre a cruzar-nos com as mesmas situações, as mesmas incapacidades de um país se dar ao luxo de ter colecções tão fantásticas e de as deixar “esquecer” dentro de edifícios que mandou erigir para gáudio de uns poucos em dias muito especiais.

 

Não sou pessimista mas acho que devemos fazer alguma coisa. Ficámos, no meio desta crise assustadora mas previsível, com os “meninos” nos braços.

Não há dinheiro para nada nós sabemos. Mas quantos de nós tem tido orçamento para fazer o que quer que seja? Muito poucos.

Mas precisamos de sentir e de fazer sentir que faz sentido para o país e para os nossos filhos cuidar das “nossas” colecções, estudá-las, divulgá-las, promovê-las.

 

E agora? Fecham-se? Alguns talvez.

Outros ficam em stand-by enquanto não aparece um “investidor”!

 

Estamos nitidamente num tempo de mudança e de viragem.

Muitas incógnitas rondam os nossos museus mas sabemos também que nunca tanta gente, no mundo inteiro, sentiu o apelo de os visitar.

Nem tudo é mau.

 

 

 

Uma boa noite a todos e bons debates!

 

 

 

 

 


De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de LRaposo
Enviada: terça-feira, 8 de Janeiro de 2013 19:05
Para: Maria Vlachou; Joana Sousa Monteiro
Cc: museum@ci.uc.pt; Alexandre Matos
Assunto: Re: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro noSpeaker's Corner do Mouseion

 

 

Entro também neste interessante diálogo não apenas para saudar o texto da Joana e a iniciativa do Alexandre de nos chamar a atenção para o mesmo, assim como os comentários dos colegas que lhe sucederam, como para acrescentar que o mal (porque de mal se trata) da proliferação desregrada e irrazoável de museus, não sendo exclusivo lusitano, também não vem só dos últimos anos de “vacas gordas”, tidos por causa prima da situação em que o País se encontra.

Em certo sentido encontra-se na matriz civilizacional do Mundo do pós-guerra, promotor da patrimonialização maciça da memória.

Mas claro que no nosso caso lhe acrescentámos os tiques próprios de algum “terceiro-mundismo”, quando os “fumos de canela” (leiam-se: os fundos europeus) começaram a fluir, desde que Portugal aderiu à CEE, em 1986.

Recordo como nessa altura e com a excepção de alguns colegas mais sabedores e clarividentes do que eu (caso da Doutora Simonetta Luz Afonso, que bem me lembro de ter felicitado a propósito) fui bastante criticado quando ousei denunciar a “moda” que então se instalava de “corrida a museus”, servida por fundos europeus. Senti ser um "chato" que se diria querer "estragar a festa" dos novos museus (públicos e privados) que então começaram a proliferar. E permita-se neste contexto a imodéstia de reproduzir abaixo texto que escrevi à mais de duas décadas, o qual me deu alguma amargos de boca (ossos do ofício de que não me queixo, está claro, e com os quais tenho bem sabido conviver ao longo da vida).

Luís Raposo

 

 

Público, 14 de Abril de 1990

UM MUSEU PARA O MEU BAIRRO

 

Luís Raposo *

 

E PORQUE NÃO? Pois se a hora é de “libertação da sociedade civil”, se a nossa intelligentzia “adere” à ideia, se não há autarquia ou “força viva” que o não reclame, se os organismos do Estado o acarinham e lhe encontram os necessários fundos europeus, porque mais esperamos nós, intelectuais deste tão popular bairro?

Urge, porém, que nos apressemos. Antes que, ao ritmo do bater eleitoral, se juntem às por agora previsíveis três centenas e meia de museus municipais, os mais de quatro milhares de mu­seus de freguesia. Para não falar já na verdadeira democratização que sociedades recreativas, paróquias, bombeiros e grupos de es­cuteiros irão proporcionar, quando finalmente despertarem do seu conhecido atraso relativamente a tudo o que é movimento vanguardista neste país.

Dir-se-á que não temos colecções no bairro que justifiquem um museu. Puro engano. Hoje, para criar um museu, já não é preciso que haja colecções, resultantes da actividade de pesquisa de uns quantos carolas, aliás cativantes. Basta pensar na activi­dade governativa de certos secretários de estado da cultura para aprender como se podem fazer museus à custa de outros já exis­tentes. E depois, um museu com história, acervo e projecto depressa cairá no vício de pretender ter vida própria, ter serviços de pesquisa, organizar reservas e... realizar exposições perma­nentes, quando afinal o fluir da nossa vida cultural obriga a que toda a prioridade seja dada ao constante florilégio das exposições temporárias.

Aliás, património cultural é coisa que nos não falta. A come­çar pelos bares onde nos reunimos e a acabar nas castiças pedras de calçada que pisamos. Não existem limites para tão sedutor conceito: a Torre de Belém é património, porque é; o beco lumino­so do (nosso) imaginário também o é, precisamente porque não. Em suma: todo o bairro poderia ser um museu - um eco-museu. A escolher um local, que seja a tasca do senhor Pessoa, verdadeiro “ex-libris” do nosso património arqueológico, onde poderíamos manter o convívio com o povo, fazer do museu uma espécie de centro de dia como pretende a mais nova museologia, desde que nos acautelássemos de a ver convertida em restaurante de luxo.

Mas apressemo-nos. Antes que a desgraça possa acontecer e alguém, certamente de má formação, reivindique um regresso a valores que de todo desconfiamos: a necessidade da elaboração, dis­cussão e aprovação de um Plano Museológico Nacional; o reconhecimento da importância e especificidade do mundo dos mu­seus, dando-lhe o devido tratamento institucional no aparelho de Estado; a definição de espaços e a repartição de competências en­tre museus nacionais, museus regionais, museus locais e museus de sítio; a promoção da capacidade de actuação, autonomia e con­sequente responsabilização dos museus, dotando-os de verbas e meios humanos minimamente aceitáveis e reconhecendo-os, sem favor, como um dos mais autênticos repositórios do país secular que somos. Alguém, enfim, que seja suficientemente culto e sen­sível para se lembrar de muitos dos directores dos nossos mais importantes museus (desde Leite de Vasconcelos, José de Figuei­redo, Carlos Reis ou Martins Sarmento até Rocha Peixoto, Santos Rocha, Tavares Proença ou o Abade de Baçal) e não reter já na memória a generalidade dos inspectores, directores-gerais ou presidentes dos organismos que os tutelam.

 

* arqueólogo.

 

 

 

 

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----- Original Message -----

Sent: Tuesday, January 08, 2013 1:10 PM

Subject: Re: [Museum] Mais e Novos Museus - Joana Sousa Monteiro no Speaker's Corner do Mouseion

 

Obrigada, Joana. Como disse ao Alexandre, no comentário que deixou no meu blog, vamos reflectindo e "inter-linkando", na esperança de provocar e promover o diálogo. 

Beijinhos

Maria

2013/1/8 Joana Sousa Monteiro <joanasm08@gmail.com>

Muito obrigada, Maria! 

 

O teu último post vem completamente a propósito! Só hoje o li, gostei muito do teu texto e gosto de te ver a escrever sobre estas matérias. O Tobelem, é dos meus autores de cabeceira, como creio que deverá ser para todos os que se interessem por gestão e economia de museus.

 

Até breve e um beijinho, 

 

Joana

 

No dia 8 de Janeiro de 2013 11:53, Maria Vlachou <mariavlachou.pt@gmail.com> escreveu:

 

Obrigada, Alexandre. Gostei muito do texto da Joana.

 

Entretanto, por feliz coincidência, ontem no meu blog abordei também a questão dos novos museus, quando são apresentados como motores de desenvolvimento regional ou de "democratização cultural". Coloquei um link para o texto da Joana nas sugestões de leitura, pareceu-me que fazia todo o sentido.

 

 

Abraço,

Maria

2013/1/8 Alexandre Matos <alexandre@museusportugal.org>

Um texto de Joana Sousa Monteiro para reflectir sobre a criação de novos museus.

 

http://www.mouseion.me/2013/01/mais-e-novos-museus-joana-sousa-monteiro/

 

Cumprimentos,

 

Alexandre Matos

 


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