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Ex.mo Senhor
Dr. Manuel de Castro Nunes,
No seguimento da sua mensagem, vimos por este meio esclarecer que a mensagem enviada para esta lista, intitulada "Formação de Conservação e Restauro de Livro - MMO", no passado dia 16 de Maio é da inteira responsabilidade do Fórum de Conservadores-restauradores e não da Associação Profissional de Conservadores-restauradores de Portugal (ARP) que ainda não tomou qualquer posição pública sobre o assunto.
Tal como informános no início da nossa mensagem, o Fórum de Conservadores-restauradores é um grupo independente constituído através da rede social Facebook, contando actualmente com 678 conservadores-restauradores, portugueses e estrangeiros a trabalhar em Portugal, com um curso superior especificamente em Conservação e Restauro. Tem como principal objectivo reunir os profissionais da nossa classe e discutir temas relevantes da nossa profissão, bem como intervir civicamente na sociedade em prol da defesa do estatuto profissional do conservador-restaurador e da divulgação das boas-práticas da Conservação e Restauro em Portugal.
A mensagem enviada para esta lista foi escrita em resposta à publicidade a uma "Formação de Conservação e Restauro de Livro", organizada pelo Museu Municipal de Ourém, decorrida nos dias 25 de Maio, 1 e 8 de Junho e ministrada por uma encadernadora de profissão
A organização de cursos ditos de Conservação e Restauro de curta duração e dirigidos ao público geral é um flagelo no meio do património cultural nacional. Muitos deles são organizados por instituições públicas. Esta situação não só poderá originar irreversíveis danos no património cultural, como também põe em causa o estatuto profissional do conservador-restaurador e todo o esforço investido nas últimas três décadas em cursos superiores em Conservação e Restauro em universidades nacionais de referência, públicas e privadas.
Recentemente, o Arquivo da Universidade de Coimbra e o Arquivo Distrital do Porto divulgaram a organização de vários cursos ditos de Conservação e Restauro para o público geral e organizados por duas arqueólogas. O Fórum de Conservadores-restauradores denunciou esta situação aos vários organismos competentes da área da Conservação e Restauro e não houve qualquer reacção. O curso do Arquivo da Universidade de Coimbra foi tido como um "sucesso" e foi aunciado que iria ser repetido, para vergonha das várias instituições envolvidas e desilusão dos conservadores-restauradores.
Não é necessária qualquer acreditação de profissionais na área da Conservação e Restauro em Portugal. Para além das directrizes nacionais e internacionais que definem a profissão do Conservador-restaurador (ARP, ECCO, ENCoRE e ICOM), já existe legislação (D.L. n.º 140/2009) que define as qualificações necessárias para o exercício da profissão. Actualmente, os conservadores-restauradores são formados através de uma licenciatura e mestrado especificamente em Conservação e Restauro. Para se resopnsabilizarem por património cultural classificado ou em vias de classificação terão que ter pelo menos cinco anos de experiência profissional numa determinada especialidade (D.L. n.º 140/2009).
Contudo e infelizmente, esta legislação não é amplamente cumprida nem seguida em Portugal, mesmo pela administração pública e local. São inúmeros os museus públicos que adjudicam serviços de Conservação e Restauro a profissionais não qualificados. Há mesmo museus nacionais, pertencentes à Direcção Geral do Património Cultural, e muitos municipais com divisões de Conservação e Restauro sem um único conservador-restaurador.
Cumprimentos,
A Administração
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Fórum de Conservadores-restauradores
Uma comunidade de 678 conservadores-restauradores lutando em prol da sua profissão
Quoting Manuel Castro Nunes <arteminvenite@gmail.com>:
Durante o mês passado e anterior surgiram, em diversos foros, dois debates que não tiveram seguimento, mas que opunham, principalmente a Associação Profissional dos Conservadores Restauradores de Portugal aos gabinetes de programação de actividades de alguns museus.
Em causa estava não apenas a legitimidade para desenvolver acções de formação na área de conservação e restauro, mas também os gabinetes de ‘’avaliação’’ promovidos por alguns museus.
Sabemos que a necessidade de promover a formação profissional e académica na área da conservação e restauro sentida por várias entidades como forma de sustentar a sua sobrevivência no âmbito de uma concorrência desordenada, fez proliferar os profissionais que, neste contexto de crise, enfrentam um mercado restritivo.
Sabemos também que o mercado de arte interfere, de forma programada, na validação e na certificação dos diversos agentes, de acordo com os seus próprios interesses e conveniências.
Entendi por isso ser interessante prosseguir o debate, suscitando-o com algumas intervenções. Questionando sobretudo o saber a quem pertence a acreditação dos diversos agentes na área da documentação.
No decorrer desta intervenção, compreender-se-á porque razão penso que o trabalho de documentação técnica deve ser objecto de uma profunda reavaliação, no sentido de reformular os critérios de validação. Todos ganhariam, mas sobretudo os laboratórios e técnicos que em várias instituições poderiam dar outro enquadramento às perspectivas de sustentabilidade.
Sendo certo que não devemos entregar ao mercado de arte a definição dos critérios de validação do trabalho de documentação, ou mesmo de restauro.
http://pt.scribd.com/doc/147837530/Diogo-Velazquez-o-nosso-e-o-deles
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Manuel de Castro Nunes
----- Fim de mensagem reenviada -----
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Fórum de Conservadores-restauradores
Uma comunidade de 675 conservadores-restauradores lutando em pról da sua profissão
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