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Mensagem

Re: [Museum] Documentação, conservação e restauro.

To :   museum <museum@ci.uc.pt>
Subject :   Re: [Museum] Documentação, conservação e restauro.
From :   Fórum de Conservadores-restauradores <forumdeconservadores-restauradores@sapo.pt>
Date :   Sun, 16 Jun 2013 17:54:11 +0100

Ex.mo Senhor
Dr. Manuel de Castro Nunes,

Muito lhe agradecemos pela sua atenção a este tema que é tão caro aos conservadores-restauradores, mas que não parece ser do interesse das instituições nacionais responsáveis pelo património nacional e da área da Conservação e Restauro.

É efectivamente óbvio, ético (ARP, ECCO, ENCoRE e ICOM) e legal (D.L. n.º 140/2009) que uma equipa de Conservação e Restauro seja constituída por diversos profissionais, tal como acontece em Museologia, Arqueologia, Medicina, Engenharia, Arquitectura, Direito, por exemplo, mas os responsáveis-técnicos têm que ser obrigatoriamente conservadores-restauradores cm cinco anos lectivos de formação superior especificamente em Conservação e Restauro e cinco anos de experiência profissional na especialidade em causa (D.L. n.º 140/2009). Os membros da equipa responsáveis pelos trabalhos de Conservação e Restauro têm que ter formação específica (D.L. n.º 140/2009). 

Infelizmente, esta lei não é cumprida em Portugal.

Esclarecemos que a Fundação Ricardo Espírito Santo Silva (FRESS) nunca foi, nem durante um largo ou curto período, «a instituição que promoveu a mais qualificada formação na área». Fundada em 1953, a FRESS estava vocacionada para as «as artes e ofícios tradicionais», o que não tem nada de parecido com a disciplina académica universitária da Conservação e Restauro. Muito posteriormente, ministrara cursos técnico-profissionais e só depois do Processo de Bolonha, é que oferece uma licenciatura em Conservação e Restauro.

Herdeiro da oitocentista "oficina de restauro" do Museu de Arte Antiga da responsabilidade do pintor Luciano Freire, o Instituto José de Figueiredo era a referência nacional para a Conservação e Restauro e aí se iniciou o primeiro curso de Conservação e Restauro em 1980. Os primeiros cursos superiores em Conservação e Restauro tiveram início em 1989 na Escola Superior de Conservação e Restauro, em Lisboa, e no Instituto Politécnico de Santarém, em Tomar, dando em 1998 origem às duas primeiras licenciaturas, na Universidade Nova de Lisboa e no Instituto Politécnico de Tomar. Assim, confundir marceneiros, por muito bons profissionais que sejam, com conservadores-restauradores é, com todo o respeito, descabido e desactualizado.

Há a lembrar que quando os primeiros cursos superiores de Conservação e Restauro tiveram início em  1989, foi iniciado um processo exemplar de acreditação de profissionais que até então trabalhavam na área. Foram acreditados quase seis dezenas de profissionais a quem foi dada equivalência académica ao grau de bacharel em Conservação e Restauro.

A responsabilidade pelo cumprimento do D.L. n.º 140/2009 cabe em primeiro lugal à Direcção Geral do Património Cultural e às respectivas direcções regionais, mas também a toda a sociedade civil. Concordamos plenamente que a legislação e toda a filosofia que a baseia necessita de ser amplamente divulgada, principalmente no seio das instituições responsáveis.

Com os nossos cumprimentos,


A Administração

 

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Fórum de Conservadores-restauradores

Uma comunidade de 678 conservadores-restauradores lutando em prol da sua profissão




 

Quoting Manuel Castro Nunes <arteminvenite@gmail.com>:

Caro Senhor.

 

Grato pela sua resposta, começo por corrigir então o meu lapso. Fiquei convencido de que a mensagem que lera provinha da Associação, sendo todavia, em meu entender, indiferente, tratando-se de uma colectividade habilitada a representar os técnicos de conservação e restauro habilitados com grau superior de qualificação.

Devo começar por lhe dizer que, dada a minha intervenção em vários contextos, que adiante explicitarei, compreendo muito bem o seu sentir e as suas preocupações.

È todavia óbvia que, no âmbito de qualquer trabalho de conservação e ou restauro, podem intervir sujeitos com vários graus de formação. Convém por exemplo não esquecer que a FRES foi, durante um largo período, a instituição que promoveu a mais qualificada formação na área. Muitos dos seus profissionais, sem qualquer formação académica, foram requisitados como monitores em vários domínios de formação.

Do que se trata pois é de, num novo contexto em que a formação superior se divulgou, saber a quem compete a validação, tanto da prévia documentação, como da programação das operações específicas de intervenção. Quem valida e a quem deve pertencer a responsabilidade?

A questão, assim colocada, respeita tanto à intervenção propriamente dita, de conservação e restauro, como à documentação e aos procedimentos técnicos e tecnológicos requeridos para a recolher, em sede laboratorial, sendo certo que os meios são os que, dada a sua especificidade, são aqueles que os conservadores e restauradores mobilizam e para a manipulação dos quais dispõem da formação adequada.

Trata-se pois de outro nível da mesma acreditação e validação.

É certo que os critérios de acreditação formal estão ao abrigo da legislação que cita. Mas é também certo que sem uma intensa divulgação desses critérios e da sua fundamentação, a sua aceitação pode ficar restringida ao contexto em que a lei exija a sua mobilização.

Por fim, uma infindável panóplia de contextos em que os critérios que alega deveriam ser respeitados, não o serão tendencialmente enquanto os grupos de pressão puderem ‘’exigir’’ que não sejam por interesse próprio, ou quando uma deficiente informação tolerar a persistência do hábito.

Sem dúvida. No que a isto se refere, falo também das pressões do mercado.

Estou certo de que compreende aquilo a que me refiro.

De resto, apreciaria a sua colaboração e o seu concurso no seguimento deste tema.

 

Os meus cumprimentos, igualmente.



No dia 16 de Junho de 2013 às 16:51, Manuel Castro Nunes <arteminvenite@gmail.com> escreveu:
Já lhe respondi. Não recebeu?
 
Os meus cumprimentos.
 
Manuel.


No dia 16 de Junho de 2013 às 16:20, Fórum de Conservadores-restauradores <forumdeconservadores-restauradores@sapo.pt> escreveu:

 

Ex.mo Senhor
Dr. Manuel de Castro Nunes,

No seguimento da sua mensagem, vimos por este meio esclarecer que a mensagem enviada para esta lista, intitulada "Formação de Conservação e Restauro de Livro - MMO",  no passado dia 16 de Maio é da inteira responsabilidade do Fórum de Conservadores-restauradores e não da Associação Profissional de Conservadores-restauradores de Portugal (ARP) que ainda não tomou qualquer posição pública sobre o assunto.

Tal como informános no início da nossa mensagem, o Fórum de Conservadores-restauradores é um grupo independente constituído através da rede social Facebook, contando actualmente com 678 conservadores-restauradores, portugueses e estrangeiros a trabalhar em Portugal, com um curso superior especificamente em Conservação e Restauro. Tem como principal objectivo reunir os profissionais da nossa classe e discutir temas relevantes da nossa profissão, bem como intervir civicamente na sociedade em prol da defesa do estatuto profissional do conservador-restaurador e da divulgação das boas-práticas da Conservação e Restauro em Portugal.

A mensagem enviada para esta lista foi escrita em resposta à publicidade a uma "Formação de Conservação e Restauro de Livro", organizada pelo Museu Municipal de Ourém, decorrida nos dias 25 de Maio, 1 e 8 de Junho e ministrada por uma encadernadora de profissão

A organização de cursos ditos de Conservação e Restauro de curta duração e dirigidos ao público geral é um flagelo no meio do património cultural nacional. Muitos deles são organizados por instituições públicas. Esta situação não só poderá originar irreversíveis danos no património cultural, como também põe em causa o estatuto profissional do conservador-restaurador e todo o esforço investido nas últimas três décadas em cursos superiores em Conservação e Restauro em universidades nacionais de referência, públicas e privadas.

Recentemente, o Arquivo da Universidade de Coimbra e o Arquivo Distrital do Porto divulgaram a organização de vários cursos ditos de Conservação e Restauro para o público geral e organizados por duas arqueólogas. O Fórum de Conservadores-restauradores denunciou esta situação aos vários organismos competentes da área da Conservação e Restauro e não houve qualquer reacção. O curso do Arquivo da Universidade de Coimbra foi tido como um "sucesso" e foi aunciado que iria ser repetido, para vergonha das várias instituições envolvidas e desilusão dos conservadores-restauradores.

Não é necessária qualquer acreditação de profissionais na área da Conservação e Restauro em Portugal. Para além das directrizes nacionais e internacionais que definem a profissão do Conservador-restaurador (ARP, ECCO, ENCoRE e ICOM), já existe legislação (D.L. n.º 140/2009) que define as qualificações necessárias para o exercício da profissão. Actualmente, os conservadores-restauradores são formados através de uma licenciatura e mestrado especificamente em Conservação e Restauro. Para se resopnsabilizarem por património cultural classificado ou em vias de classificação terão que ter pelo menos cinco anos de experiência profissional numa determinada especialidade (D.L. n.º 140/2009).

Contudo e infelizmente, esta legislação não é amplamente cumprida nem seguida em Portugal, mesmo pela administração pública e local. São inúmeros os museus públicos que adjudicam serviços de Conservação e Restauro a profissionais não qualificados. Há mesmo museus nacionais, pertencentes à Direcção Geral do Património Cultural, e muitos municipais com divisões de Conservação e Restauro sem um único conservador-restaurador.


Cumprimentos,

A Administração

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Quoting Manuel Castro Nunes <arteminvenite@gmail.com>:

Durante o mês passado e anterior surgiram, em diversos foros, dois debates que não tiveram seguimento, mas que opunham, principalmente a Associação Profissional dos Conservadores Restauradores de Portugal aos gabinetes de programação de actividades de alguns museus.

Em causa estava não apenas a legitimidade para desenvolver acções de formação na área de conservação e restauro, mas também os gabinetes de ‘’avaliação’’ promovidos por alguns museus.

Sabemos que a necessidade de promover a formação profissional e académica na área da conservação e restauro sentida por várias entidades como forma de sustentar a sua sobrevivência no âmbito de uma concorrência desordenada, fez proliferar os profissionais que, neste contexto de crise, enfrentam um mercado restritivo.

Sabemos também que o mercado de arte interfere, de forma programada, na validação e na certificação dos diversos agentes, de acordo com os seus próprios interesses e conveniências.

Entendi por isso ser interessante prosseguir o debate, suscitando-o com algumas intervenções. Questionando sobretudo o saber a quem pertence a acreditação dos diversos agentes na área da documentação.

No decorrer desta intervenção, compreender-se-á porque razão penso que o trabalho de documentação técnica deve ser objecto de uma profunda reavaliação, no sentido de reformular os critérios de validação. Todos ganhariam, mas sobretudo os laboratórios e técnicos que em várias instituições poderiam dar outro enquadramento às perspectivas de sustentabilidade.

Sendo certo que não devemos entregar ao mercado de arte a definição dos critérios de validação do trabalho de documentação, ou mesmo de restauro.

http://pt.scribd.com/doc/147837530/Diogo-Velazquez-o-nosso-e-o-deles



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Manuel de Castro Nunes


 

 

 



----- Fim de mensagem reenviada -----

 

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