Depois do belo e pertinente texto de Maria Vlachou apetece lembrar o óbvio da lógica. De que num mundo totalmente transparente, sem possibilidade de esconderijos, só a gestão da visibilidade pode preservar a identidade e a posse autoral. O paradigma comunicacional em museologia, muito mais do que os paradigmas anteriores (o conservacionista, e o desenvolvimentista ou da Nova Museologia), exige a capacidade de gerir paradoxos, sobretudo o da Evidência. Muitos criticaram - ingénua e apressadamente - a separação cartesiana do corpo e do espírito (dualismo), como se o contraponto da comunhão (monismo), não fosse também um desígnio perpetrado pela mente. Até houve os que, na atualidade, negaram o cogito, como se bastasse o corpo para Ser humano, ou o objeto-despojado-da-Ideia para se conseguir preservar o Património. Indo à incompreendida Dádiva que Mauss discerniu, e revisitando os contributos de A. Weiner (1996), M. Godelier (2000) ou de N. Heinich (2009) sobre o vender, o dar e o guardar enquanto categorias da troca que sujeitam a alienabilidade e a inalienabilidade, talvez sejamos obrigados a substituir o “guardar para poder dar, dar para poder guardar” pelo ancestral «dar para poder trocar, trocar para poder dar». Quem sabe se em museologia e no património não estaremos à porta desse novo potlatch. Pedro Manuel-Cardoso |
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