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[Museum] ENC: o raio X para análise da pintura

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] ENC: o raio X para análise da pintura
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Tue, 13 Aug 2013 18:11:39 +0100

De: Manuel Castro Nunes [mailto:arteminvenite@gmail.com]
Enviada em: segunda-feira, 12 de Agosto de 2013 22:22
Para: José d'Encarnação

 

Estimado Amigo, aqui lhe envio mais uma intervenção, se entender oportuna.

Um grande Abraço.

Manuel

 

 

Acabei de tornar público o apontamento que se segue.

Há muito que milhares de conservadores, restauradores e documentalistas deveriam ter manifestado o seu repúdio relativamente às divagações mediáticas de certos técnicos responsáveis em instituições públicas.

A bem do rigor e da credibilidade, não podemos deixar que um reputado técnico, para consolidar a sua posição como agente dos interesses do mercado, possa alegar que tem um olho com RX.

Em nome da minha colaboração com muitos conservadores, restauradores e tácnicos de documentação, alerto os colegas para esta matéria.

 

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"-Tengo rayos X en la mirada. Y así, en Velázquez, he comprobado cómo es su técnica pictórica. Miro un cuadro y pienso: ¿cómo será lo que hay debajo? Me atraen esas capas transparentes, que se van sumando. Eres capaz de llegar a comprender a lo mejor un 80 por 100 de lo que hacen los pintores.’’

(Carmen Garrido, 2010)

 

Esta declaração é de Cármen Garrido, numa entrevista dada em 1910.

Questionada ainda acerca da razão pela qual os pintores pintam sobre telas já utilizadas anteriormente, diz ainda.

 

‘’Bien porque no le gusta lo hecho o por reutilizar una buena tela para trabajar con mayor rapidez. Velázquez lo hacía, Tiziano, muchos. Bajo Mariana de Austria, existe un retrato de Felipe IV. Con los infrarrojos vimos los mostachos... ¡Si muchos de los reyes supieran lo que han hecho los pintores!"

 

Para lá da intenção de dar nas vistas e de reforçar a sua posição no mercado como experta em Velázquez e em ver o que os dispositivos técnicos não vêem, ‘’tengo raio X en la mirada’’, o que Cármen Garrido quer dizer é que não entendeu de todo as razões que podem levar um pintor a pintar sobre outra pintura.

Podem ser tantas!!!! Que terá levado Velázquez a pintar o retrato equestre de Filipe IV, em 1935, sobre o que já pintara em 1625?

Não se pode dizer que a Velazquez ‘’no le gustara el hecho’’, nem que queria ‘’una buena tela para trabajar com mayor rapidez’’, ainda que da intenção secreta de Velazquez saiba mais Cármen Garrido, a quem uma colega de trabalho rebaptizou, após a publicação do excelente livro ‘’Velázquez. Técnica y evolución’’, ‘’como la amante secreta de Velázquez’’.

É possível que alguns pintores tenham muitas vezes utilizado telas já pintadas, de facto, porque já estavam preparadas e porque a pintura que já apresentavam poderia constituir uma excelente ‘’pré-impressão’’ para receber a nova pintura. Já expusemos isso noutro artigo e Cármen Garrido poderia ter explicado o assunto assim.

Porque o deplorável é assistir à derrapante degradação da figura pública da Directora Técnica do Prado, que escreveu o livro acima citado. Para se transformar na estrela mediática das descobertas do mercado.

Como o mercado é por norma culturalmente desqualificado, a intelectual e técnica teve que dar lugar à estrela da VOGUE.

E assim anda Velázquez, por via do estrelato de sua secreta amante. Tão secreta que mesmo o Rei já sabe.

Os Velázquez, que eram raros, saíram das suas tocas na medida da procura pelo mercado. Quem quiser um Velazquez recorra à visão X de Cármen Garrido.

No seu excelente e irrepreensível livro, antes do campeonato do mundo dos ‘’velazqueños’’, Cármen Garrido publicou um registo fotográfico que os seus olhos, não com raio X, mas com Infra Vermelhos, descobriram nos estratos subjacentes de ‘’Los borrachos o el triunfo de Baco’’.

Deixamos aqui uma foto da pintura e dois detalhes. Um da zona em que Cármen Garrido descobriu a assinatura de Velázquez, outro do manto de Baco.

Cármen Garrido não conseguiu entender que o que a radiação dos seus olhos foi buscar aos estratos invisíveis da pintura é um nexo caligráfico mais do que óbvio. Por isso também não entendeu que a pintura está assinada em vários lugares na superfície visível pelos mortais olhos.

Cármen Garrido saberá como um pintor desenha na tela uma linha de sombra e depois a preenche?''

Saudações.

Manuel de Castro Nunes








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