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[Museum] Estrutura da Relevância / Estrutura do Valor Patrimonial a propósito do futuro e da decadência do Eurocentrismo

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Estrutura da Relevância / Estrutura do Valor Patrimonial a propósito do futuro e da decadência do Eurocentrismo
From :   Pedro Manuel Cardoso <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Wed, 8 Oct 2014 22:34:09 +0100

                Não seria curial trazer todo o debate que a mensagem de ontem (mensagem n.º12335, de 7Out2014, Lista Museum) proporcionou. E a troca e partilha, até às tantas da madrugada, acerca da descoberta da «Estrutura da Relevância ou Estrutura do Valor Patrimonial».

Apenas regresso ao assunto, aqui, em espaço aberto, por que surgiu outro dado novo e relevante. Um facto novo que vem confirmar não apenas a referida «Estrutura», mas também a previsão que fiz em 2010. Referimo-nos à recente descoberta de pinturas rupestres, na ilha indonésia de Sulawesi, datadas de 40 mil anos (pela equipa de Maxime Aubert (Universidade Griffith, Austrália) e Thomas Sutkina (Universidade de Wollongong), que mereceu publicação na Nature. Nada melhor do que citar as próprias palavras dos autores, e da notícia da Filomena Naves:

A descoberta, e a respetiva datação, que foram anunciadas hoje na revista científica Nature, põem em causa a atual visão da evolução humana naquele período. Pensava-se, até agora, que estas manifestações artísticas primordiais tinham nascido na Europa: a mais antiga conhecida, com 41 mil anos, é a pintura de uma roda vermelha na parede de uma gruta espanhola, em El Castillo”;

O surgimento desta manifestação artística ancestral pela primeira vez na Ásia, mostra que a sua emergência, ali, indica que essa capacidade não surgiu unicamente na Europa”;

"É comum assumir que a Europa foi o centro da explosão inicial da criatividade humana, há cerca de 40 mil anos, mas as pinturas de Sulawesi revelam que nessa mesma altura, do outro lado do mundo, os seres humanos estavam a fazer pinturas de animais tão notáveis como as que encontramos em grutas de Espanha e de França" (Maxime Aubert);

 “A descoberta implica que a manipulação mental de conceitos abstratos, evidenciada na materialização das pinturas era, afinal, comum a diferentes comunidades humanas, mesmo quando separadas por milhares de quilómetros entre si. A arte rupestre é um dos primeiros indicadores de uma mente capaz de abstração"(Thomas Sutkina).

 

As consequências (teóricas, metodológicas, e práticas), quer para o ensino da Museologia, quer para a atual Gestão do Património, assim como para uma urgente Reformulação das Políticas Públicas (na direção de uma maior sustentabilidade, especialmente num momento tão difícil de financiamento) ganham cada vez mais pertinência e justificação.

Quantos manuais de museologia e património vão necessitar de ser alterados, sobretudo aqueles que ensinavam uma história do património eurocêntrica?

Nem de propósito…

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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