Há uns dias, em 30 de outubro, foi a perspetiva excessivamente «Pública» do modelo de gestão do Património. Agora, em 9 de outubro, com a entrevista de António Lamas, foi a vez da perspetiva excessivamente «Privada». E, portanto, como referi na mensagem n.º 12492 de 30/10/2014, outra vez o mesmo impasse. Um impasse que teima em subsistir há mais de trinta anos. E que é a causa de muitos dos problemas que se avolumaram até hoje, e cujos próprios responsáveis constatam (pasme-se, até, com surpresa) que ainda não foram resolvidos. O que mais releva desta visão unilateral da gestão do Património é a presunção de que o êxito nas receitas é sinónimo de sucesso na gestão do Património. De que não faz mal submetê-lo a uma ideia cega pelas receitas, mesmo que ainda não se tenha qualquer consciência do cálculo, nem do impacto que causará ao Património, e muito menos à acessibilidade dos cidadãos/ãs com diferentes rendimentos. De tal modo que, com uma certa bravata e provocação, nem se tem pejo em enviar a seguinte mensagem: «Sobre o que se passa onde quero intervir? Não sei, não sabia, não faz mal, depois logo se verá». Infelizmente, esta visão-dos-problemas tem sido tão familiar e tão previsível que não se compreende bem a insistência. Repito: - A solução não está em adoptar os tradicionais «modelos de gestão Estatais», ou adoptar os tradicionais «modelos de gestão Privada». Porque isso há muito que está adoptado. A solução está, ao invés, em adoptar um correto «modelo de gestão entre esses dois modelos». A solução está em saber usar o contributo, a energia, e a competência dessas duas lógicas em prol do benefício e da sustentabilidade do Património de Portugal. Não está em opor, excluir, ou hostilizar esses dois lados do problema (sejam museus ou pessoas). Porque, a sociedade portuguesa não é a metade de cada um desses lados; é o conjunto de ambos. Logo, nenhuma solução será viável sem essa compatibilização. Na atualidade, exige-se um ponto-de-partida completamente diferente. Foi para essa solução que contribuímos com a proposta “A Reforma da Política Pública de Património” (ver mensagem n.º11712 de 23/05/2014; e revista Património.PT em Maio 2014). Há uma Reforma para fazer. Mas o seu sucesso não se alcançará se se permanecer na trincheira do que estamos habituados a fazer, e a julgar que sabemos. Porque senão, isso há muito teria evitado o atual estado daquilo que se critica. Será curioso analisar os programas e as soluções que serão propostas nas próximas eleições para a Governação. Pedro Manuel-Cardoso |
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