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Curso de Pós-Doutoramento em Museologia e Património. Coordenação científica: Pedro Manuel-Cardoso. Objetivo: Saber atualizar permanentemente as respostas para a pergunta «O que é a Museologia e o Património?». Palavras-chave: Ciência – Codificação - Memória – Museologia – Museu – Património. Duração: 2 anos letivos. Programa (resumo): O que é a Museologia? O que é o Património? De que estamos a falar quando disso falamos? O objeto disciplinar e epistemológico da Museologia é o Museu, como dizem a maior parte dos autores (G.-H. Rivière, N. Drouguet, A. Gob, B.M. Carbonell, M. Regourd), incluindo o Conselho Internacional de Museus (ICOM/UNESCO)? Ou será o estudo da «relação vaga e indefinida do ser humano com a realidade e com os objetos», como outros defendem (Gregorová, Stránský, M. Bellaigue, A. Desvallées, F. Mairesse)? Ou será a Cultura enquanto modo de produção do património (B. Kirshenblatt-Gimblett)? Ou será a Herança, como alguns sugerem? Ou é o Património, como outros preferem? Cada uma destas preferências deveria obrigar a um nome diferente? A Museologia jamais poderá ser uma Ciência, tal como defendem P. van Mensch ou Desvallées & Mairesse? Estará condenada a ser uma Filosofia, ou uma espécie de “meta-teoria intuitiva e documental”, como afirma Bernard Deloche? Porque muitos, de um modo subjetivo e relativista, teimam em reduzir o Património apenas a um “artifício humano” e a uma “construção social” (L. Prats)? Ou apenas a um sentimento e a uma ideia, por exemplo, afirmando que deriva de um sentimento de distância (Benjamin); ou que é um excesso que conduz à “alegoria” (Choay); e por conseguinte, à “mercantilização, emblematização, homogeneização, e festividade” (Godinho)? Porque afirmam que é apenas um assunto de «re-funcionalização, re-significação, ou re-contextualização»? Ou algo que se relaciona com a esperança (Bloch); ou com a expectativa (Koselleck); ou com algo de “numinoso” (Otto) e invisível, ou “semióforo” (Pomian)? Porque afirmam que está cumplicemente envolvido na tentativa de resistir ao devir, ou de negar a crueza do presente? Ou que não serve para preparar o futuro (Lowenthal) por estar inevitavelmente fechado no presentismo (Hartog) de quem o concebe? Ou, na perspetiva oposta, de algo, afinal, que prepara para o futuro, ao permitir a consciência do passado (Hartog e Revel), ou ao permitir imaginar os futuros possíveis (Jeudy), ou mesmo antecipar a sua construção? Porque o Património continua a ser confundido com a Memória, com a Musealização, e com a Patrimonização? Porque muitos pretendem denodadamente reduzir e fazer equivaler a Museologia e o Património à História (quantos pretensos cursos de museologia e património não são, afinal, meras extensões de cursos de História ou de Ciências Sociais, em muitas Faculdades)? Existirá, de facto, uma “memória coletiva” (Halbwachs)? Se existe, qual é, e onde está? Por que razão, na atualidade, muitos confundem a Museologia com o visível expográfico (Visual Culture), a informação (Information Sciences), o culturalismo antropocêntrico e relativista (Cultural Studies), e o museu (Museum Studies)? Não é por causa dessa confusão que muitos não aceitam que a Museologia é uma tarefa cultural que prolonga o fazer biológico não-humano iniciado na vida Eucariote? O Curso de Pós-Doutoramento mostra que ainda é frequente confundir-se o Património apenas com os museus e as infraestruturas onde está guardado, esquecendo o principal: - Que o Património, tanto ou mais de que uma coisa, é uma Decisão sobre a Relevância inserida no trabalho dos Humanos perante a Continuidade, através da Memória, ou de qualquer outro tipo de codificação. Sendo a tarefa da Museologia cuidar do Património de modo a transformá-lo numa representação/codificação (a que dá o nome de «objeto museológico») possível de ser preservada e reproduzida pela Memória individual e coletiva dos presentes e vindouros. Este Curso de Pós-Doutoramento permite apresentar a Museologia como um campo disciplinar autónomo. Que possui não apenas um objeto-de-estudo perfeitamente delimitado, que as outras disciplinas científicas não abordam, mas também, que esse objeto-de-estudo se refere a um fenómeno empírico e a um comportamento factual existente na Natureza, que atravessa todas as sociedades humanas desde o processo de hominização. O Curso de Pós-Doutoramento fornece uma metodologia científica e as ferramentas cognitivas de pesquisa adequadas às tarefas de investigação e de aplicação que esse objeto-de-estudo exige. O Curso de Pós-Doutoramento terá repercussões na gestão e salvaguarda do Património, seja em museus, arquivos, bibliotecas, bases-de-dados e de meta-dados, filmes, documentários, dispositivos de armazenamento digital, monumentos, palácios, sítios de interpretação, lugares de memória, circuitos e parques temáticos, in situ ou ex situ, ao ar livre, em reservas ou silos, em bancos de sementes ou de material genético, ou codificado no hipocampo dos cérebros humanos. E demonstra ainda que, essa atividade e esse fenómeno humano que a Museologia estuda e gere, também, num sentido mais amplo, terá repercussões e benefícios para o próprio processo de Adaptação do ser humano ao presente e ao futuro. Índice do Programa de Pós-Doutoramento: 1 – A exigência e o método de atualização permanente dos conhecimentos sobre Museologia e Património. 2 – Conceito de Objeto em Museologia. 3 – Processo de Patrimonização. 4 – O Dizer da Museologia. 5 – O Fazer da Museologia. 6 – O Tempo e o Espaço do Património. 7 – A utilidade de questionar a Museologia e o Património. 8 – Campo disciplinar e epistemológico da Museologia. 9 – O que é a Museologia e o Património? 10 – Imaginar no presente um futuro para a Museologia e para o Património. Bibliografia
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