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[Museum] Peça do mês de Março - Monumento funerário de Publius Staius Exoratus

To :   "museum" <museum@ci.uc.pt>, "archport" <archport@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Peça do mês de Março - Monumento funerário de Publius Staius Exoratus
From :   José d'Encarnação <jde@fl.uc.pt>
Date :   Fri, 6 Mar 2015 17:50:59 -0000


Monumento funerário de Publius Staius Exoratus | Peça do Mês de Março

 

Monumento funerário em forma de ara, proveniente das ruínas da ermida medieval de São Romão, Sintra. Aquando da sua reutilização como pedra de sustentação do altar cristão da ermida, foi virado ao contrário e a face epigrafada foi picada para que a inscrição pagã se tornasse ilegível. Na face inferior do monumento foi escavada uma cavidade destinada à deposição de uma relíquia. Recorrendo à luz rasante, José Cardim Ribeiro recuperou o texto obliterado, que é o seguinte:

 

[[DIS MAN(ibus) / P(ublii) STAI(i) G(aii) F(ilii) CAL(eria) EXo/RATI FLA(minis) DIVI / VESP(asiani) ANN(orum) XXXIIII]]

 

«Aos deuses Manes de Publius Staius Exoratus, filho de Gaius (Staius, inscrito na tribo) Caleria, flâmine do Divino Vespasiano, de 34 anos de idade.»

 

Refere-se, portanto, à sepultura de um sacerdote do culto imperial, neste caso do imperador Vespasiano (falecido em 79 d.C.), possuidor de um cognomenExoratus – que, aparentemente, aponta para uma origem norte-africana.

 

O cursus honorum necessário para que se pudesse atingir esta alta posição político-religiosa permite-nos reconstituir da seguinte forma o trajecto de Publius Staius Exoratus: após ter concluído os 18 anos, terá sido eleito decurião em Olisipo; mais tarde, terá sido designado como edil (tendo pois governado a cidade por um ano, com outro edil, ao nível das obras públicas); em seguida terá chegado a questor (igualmente cargo partilhado com outro idêntico magistrado durante um ano, sendo agora responsável pela gestão dos dinheiros públicos); finalmente, terá atingido o estatuto de duúnviro, chegando assim ao mais alto nível político do poder local. Todo este percurso indica uma posição social e económica elevada, que lhe tenha permitido actos de evergetismo, ou seja, a prática de onerosas doações à comunidade aquando do desempenho das referidas magistraturas. Só depois terá chegado, por volta dos 30 anos, à carreira do flaminato, que não pertencia já apenas à esfera do poder local, reflectindo um âmbito político-ideológico mais alargado. Seria, assim, durante um ano, o responsável máximo pelo culto do Imperador em todo o Município Olisiponense.

 

Se não tivesse morrido aos 34 anos, Exoratus poderia ter chegado a flâmine provincial em Augusta Emerita, a capital da Lusitânia, e mais tarde poderia ainda ter recebido títulos honoríficos na sua cidade natal, como o flaminato perpétuo. Enfim, na derradeira etapa da sua vida poderia ter sido agraciado pelo Imperador com um dos escalões inferiores da Carreira Equestre, o que teria permitido à sua descendência masculina a progressão imediata a nível de procuratelas superiores. Infelizmente, a morte de Exoratus aos 34 anos veio interromper abruptamente este notável percurso político.




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