ARTE IMPRONUNCIÁVEL:
De autoria de
Pedro Manuel-Cardoso, decorreu no passado dia 24 de janeiro 2015 – dentro dos
vectores sensório-espaciais previamente construídos (GPS-c), que ligaram os jardins
e exteriores do Museu do Oriente, Fundação Calouste Gulbenkian, Gare Marítima
de Alcântara, e Palácio dos Coruchéus – a terceira obra de ARTE IMPRONUNCIÁVEL, acompanhada por uma Conferência sobre o “Fazer Impronunciável”, pela Instalação “Objetos Impronunciáveis”, e pela Art Performance
“Regere Fines”.
O interesse patrimonial e museológico do aparecimento
do IMPRONUNCIALISMO na Arte (cuja primeira obra com visibilidade pública ocorreu
em 2012, na LxFactory em Lisboa) decorre desta nova maneira de fazer Arte possuir
um Objeto e uma Visibilidade diferentes do que a antecedeu. É aliás isso que
justifica a sua menção na Lista Museu.
Refiro-me aos
«antecedentes» que habitualmente são construídos por uma narrativa sobre a Arte
que usa os seguintes nomes (passo a citar): - “ARTE LÍTICA, ARTE RUPESTRE,
ROMÂNICO, GÓTICO, RENASCIMENTO, BARROCO, ROCOCÓ, ROMANTISMO, IMPRESSIONISMO
(1872), PÓS- e NEO-IMPRESSIONISMO (1885), CUBISMO, FUTURISMO, SURREALISMO,
DADAÍSMO, SUPREMATISMO, EXPRESSIONISMO, EXPRESSIONISMO ABSTRACTO, VIDEO ART,
REALISMO, MINIMAL ART/MINIMALISMO, NEO-PLASTICISMO, ABSTRACTION-CRÉATION,
ESPACIALISMO, NOVA ESCOLA DE PARIS, ARTE CINÉTICA, GRUPO ZERO, DIFERENTES
PERSPETIVAS DA FIGURAÇÃO, FIGURAÇÃO EXISTENCIALISTA, PRESENTNESS IS GRACE,
COLOUR FIELD, DESCOLAGISMO, NEO-REALISMO/NOUVEAU-RÉALISME, NEODADAÍSMO, POP
ART, ARTE CONCEPTUAL/CONCEPTUALISMO, ARTE NAIF, NEW MEDIA ART, PINTURA
SISTÉMICA, ABSTRACIONISMO, PÓS-MINIMALISMO, CORPO REVOLUCIONADO,
SUPPORT-SURFACE E BMPT, LAND ART, ARTE POVERA, REINCIDÊNCIA DO GÉNERO,
APROPRIACIONISMO, FOTOGRAFIA-ARTE ALEMÃ, REALISMO TRAUMÁTICO, DISCURSOS-ACTOS
DE ALTERIDADE, ARTE DIGITAL, ARTE ATUAL, «ART BRUT», «ARTE ADVENTÍCIA», «ARTE
ANSIOSA», ENERGISMO (Stefan R. Pansera, 2011)”. Aos quais acrescento agora o
IMPRONUNCIALISMO (Pedro Manuel-Cardoso, Exposição “Objetos Impronunciáveis”, LxFactory – Lisboa, 2012).
Ou seja, com a
ARTE IMPRONUNCIÁVEL, tal como referi na arguência da tese de doutoramento “A
realidade aumentada aplicada à museologia” do passado dia 20jan2015, passa a haver
um Novo Inquilino do Real.
Um novo inquilino que resulta da alteração
dos conceitos de Objeto e de Realidade a que nos habituáramos desde o
Renascimento. E por conseguinte, também muito diferente (a nível da
intencionalidade, da concepção, da execução, e do resultado/repercussão)
daqueles que os recentes movimentos artísticos têm produzido. Refiro-me concretamente
aos Objetos que foram nascendo no
decurso da transformação da Arte. Uma transformação que fez deslocar a
obra-de-arte, deixando de estar assente na “forma estética” (C. Bell), na
“expressão e no sentimento estético” (R.G. Collingwood), nas “estruturas do
invisível estético-artístico” (Nietzsche, Adorno, Heidegger, W. Benjamin, M. Mandelbaum),
na “utilidade e função” (Tolstoi), nas “semelhanças de família” (Weitz,
Wittgenstein), nos “mundos-da-arte” e nos “contextos institucionais” (Beardsley,
Dickie, Danto, Stolnitz, Goodman), e noutros modos. Essas intencionalidades e
modos de fazer Arte foram substituídos
por outras motivações e outros objetos.
A ARTE IMPRONUNCIÁVEL também difere, completamente e de modo radical, daquelas
opiniões que acreditam que a Arte deve ser uma «transgressão sistemática das
normas da Tradição ou do status quo»,
em que a originalidade da obra-de-arte «deve ser medida pelo grau de indignação
do recetor/consumidor». E difere ainda mais daquelas opiniões que acreditam
que a Arte deve ser «um jogo de comunicação entre o autor e o recetor, e entre
a coisa e a sociedade».
A ARTE
IMPRONUNIAVEL explora o território que está para além da intricação Monista; e
tem por Objeto a transformação do Dasein (o ser do sujeito que compreende e observa o indivíduo e o coletivo) em obra-de-Arte.
Aproveito para
agradecer publicamente a Pyètr Žylĕch, à Oficina Žylĕch, a Pedro M.F.C.
Pereira, e a Maria Isabel Tristany, todo o incansável apoio.
Pedro Manuel-Cardoso