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De autoria de Pedro Manuel-Cardoso, decorreu no dia 2 de fevereiro 2015 – dentro dos vectores sensório-espaciais previamente construídos (GPS-c), que ligaram a muralha do Castelo de S. Jorge ao torreão esquerdo da Igreja de São Miguel em Lisboa, e ao prisma de cristal de quartzo no Jardim do Torel que projetou sobre uma tela de linho sem preparo no prédio n.º 13 da Calçada do Lavra – a quarta obra de ARTE IMPRONUNCIÁVEL, acompanhada pela Instalação “Arte’Facto”, e pela Performance Art “Indecidível”. O interesse patrimonial e museológico do aparecimento do IMPRONUNCIALISMO na Arte (cuja primeira obra com visibilidade pública ocorreu em 2012, na LxFactory em Lisboa) decorre desta nova maneira de fazer Arte possuir um Objeto e uma Visibilidade diferentes do que a antecedeu. Refiro-me áquilo que habitualmente é dito por uma narrativa sobre a Arte que usa os seguintes nomes (passo a citar): - “ARTE LÍTICA, ARTE RUPESTRE, ROMÂNICO, GÓTICO, RENASCIMENTO, BARROCO, ROCÓCÓ, ROMANTISMO, IMPRESSIONISMO (1872), PÓS- e NEO-IMPRESSIONISMO (1885), CUBISMO, FUTURISMO, SURREALISMO, DADAÍSMO, SUPREMATISMO, EXPRESSIONISMO, EXPRESSIONISMO ABSTRACTO, VIDEO ART, REALISMO, MINIMAL ART/MINIMALISMO, NEO-PLASTICISMO, ABSTRACTION-CRÉATION, ESPACIALISMO, NOVA ESCOLA DE PARIS, ARTE CINÉTICA, GRUPO ZERO, DIFERENTES PERSPETIVAS DA FIGURAÇÃO, FIGURAÇÃO EXISTENCIALISTA, PRESENTNESS IS GRACE, COLOUR FIELD, DESCOLAGISMO, NEO-REALISMO/NOUVEAU-RÉALISME, NEODADAÍSMO, POP ART, ARTE CONCEPTUAL/CONCEPTUALISMO, ARTE NAIF, NEW MEDIA ART, PINTURA SISTÉMICA, ABSTRACIONISMO, PÓS-MINIMALISMO, CORPO REVOLUCIONADO, SUPPORT-SURFACE E BMPT, LAND ART, ARTE POVERA, REINCIDÊNCIA DO GÉNERO, APROPRIACIONISMO, FOTOGRAFIA-ARTE ALEMÃ, REALISMO TRAUMÁTICO, DISCURSOS-ACTOS DE ALTERIDADE, ARTE DIGITAL, ARTE ATUAL, «ART BRUT», «ARTE ADVENTÍCIA», «ARTE ANSIOSA», ENERGISMO (Stefan R. Pansera, 2011)”. Sobre toda essa ideo-lógica o nome que agora se acrescenta é: IMPRONUNCIALISMO (cuja primeira Exposição pública, designada: “17 Artefactos Impronunciáveis”, decorreu na LxFactory – Lisboa, 2012). Com a ARTE IMPRONUNCIÁVEL passa a haver um Novo Inquilino do Real. Um Novo Inquilino que, para ser captado e compreendido por um Receptor, obriga a alterar os habituais conceitos de Objeto e de Realidade herdados do Renascimento e do Iluminismo. Obriga a substituí-los pela concepção hetpa-dimensional de Objeto e de Realidade apresentada por Pedro Manuel-Cardoso (2012). Na ARTE IMPRONUNCIÁVEL os conceitos de objeto e de realidade também são diferentes (a nível da intencionalidade, da concepção, da execução, e do resultado/repercussão) daqueles que os anteriores movimentos artísticos produziram. E difere também dos conceitos de objeto-de-arte que foram surgindo no decurso da História da Arte. Concretamente, os definidos como sendo “forma estética” (C. Bell), ou “expressão e sentimento estético” (R.G. Collingwood), ou “estrutura do invisível estético-artístico” (Nietzsche, Adorno, Heidegger, W. Benjamin, M. Mandelbaum), ou “utilidade e função” (Tolstoi), ou “semelhanças de família” (Weitz, Wittgenstein), ou “mundos-da-arte” e “contextos institucionais” (Beardsley, Dickie, Danto, Stolnitz, Goodman), e outros modos. A ARTE IMPRONUNCIÁVEL também difere da convicção de que a Arte deverá ser uma «transgressão sistemática das normas da Tradição ou do status quo»; ou que a originalidade da obra-de-arte «deve ser medida pelo grau de indignação do recetor/consumidor/destinatário». E difere ainda das opiniões que acreditam que a Arte deve ser «um jogo de comunicação entre o autor e o recetor, e entre a coisa e a sociedade». A ARTE IMPRONUNCIÁVEL é o Dasein transformado em obra-de-Arte. Tem por resultado e por objeto a transformação do Dasein em obra-de-Arte. A sua intenção consciente e o seu trabalho consistem em transformar em obra-de-Arte o «ser» do «sujeito» que compreende e observa o «indivíduo, o coletivo, e o exterior». A ARTE IMPRONUNCIÁVEL intervém e explora o território que está aquém e além da intricação Monista (aquela convicção, comum à religião e à ciência, de que há uma Unidade para a qual todas as coisas aspiram, ou de onde tudo provêm). Nesse processo de transformação do Dasein em Arte há uma parte da vestigialidade e da manifestalidade dessa obra-de-arte que obviamente intercepta o mundo da Luz (esse território e ideo-logia que capturou a Vida após a “grande explosão” há cerca de 13900 milhões de anos), aquele que permite a visão/observação e a sensação, porém, há uma outra parte que se prolonga aquém e além desse mundo da visibilidade e do sensorial. Novamente, aproveito para agradecer publicamente a Pyètr Žylĕch, à Oficina Žylĕch, a Pedro M.F.C. Pereira, e a Maria Isabel Tristany, todo o incansável apoio. Pedro Manuel-Cardoso
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