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- Investimento de
cerca de 35.000 Euros
- Executadas
diversas peças e mecanismos em falta
- Restauro
durou cerca de 9 meses
Sintra, 14 de
maio de 2015 – A Parques de Sintra concluiu os
trabalhos de recuperação do mecanismo do Relógio Monumental instalado na
Torre do Palácio Nacional da Pena e este voltou a funcionar após 25 anos de
paragem. O restauro desta peça de relojoaria ímpar exigiu um investimento
financeiro de cerca de 35.000 Euros por parte da empresa.
Este relógio foi encomendado pela rainha Carlota Joaquina e executado no
Arsenal Real do Exército pelo mestre relojoeiro da Casa Real, António
Rodrigues Leite, no ano de 1830, destinando-se originalmente à Real Capela da
Quinta do Ramalhão. Trata-se de um mecanismo associado a um conjunto de dois
sinos, que marcam, respetivamente, o de maior dimensão, as horas e o de menor
dimensão, os quartos de hora, e que, para além da data e do autor (um dos
sinos é datado de 1740, da autoria de Pedro Ruis Palavra), têm representado,
em relevo, Jesus Cristo na cruz. Parcialmente retirado do seu contexto desde
o início da década de 90 do século passado, com o objetivo de proceder à sua
recuperação e recolocação em funcionamento, passou por várias vicissitudes,
tendo a Parques de Sintra retomado o processo de recuperação em 2013.
O restauro foi conduzido por Hermínio de Freitas Nunes, relojoeiro
especialista em relógios de Torre e de Salão, ao longo de 9 meses. Este
especialista foi escolhido para este trabalho minucioso pela experiência que
detém neste tipo de instrumentos. Do vasto currículo, fazem parte o restauro
do relógio de Torre mais pequeno do mundo, pertencente à estação ferroviária
de Coimbra; da Igreja do Sanguinhal, no Bombarral, da Igreja Paroquial de
Ançã, em Coimbra; da Torre Municipal de Aljubarrota, da Torre Municipal de
Pernes, em Santarém; e do Santuário do Senhor Jesus dos Milagres, em Fátima,
entre muitos outros. É ainda, atualmente, o responsável pela manutenção do
relógio do Arco da Rua Augusta, em Lisboa.
Entre outras intervenções, foram tratadas todas as peças originais
existentes, nas duas principais ligas presentes, o ferro e o bronze,
removendo oxidações, retificando distorções e aplicando proteções finais de
estabilização em todos os elementos. Dado que se verificava já a perda de
parte do mecanismo, foi necessário proceder à execução das peças em falta,
nomeadamente do conjunto de transmissão do movimento, desde a máquina até à
parede da Torre e desta aos ponteiros, e de engrenagens, tirantes e veios. O
trem de acionamento dos ponteiros foi feito com recurso a corte por sistema
de oxiplasma, assistido por computador.
Além dos elementos em falta no mecanismo principal, também as alavancas que
acionam os martelos dos sinos, no piso inferior da Torre, que já não
existiam, foram executadas pelo relojoeiro, com as afinações finais a serem
executadas no local.
O maior desafio prendeu-se com o facto de ter sido necessário desmontar o
relógio peça a peça – pois não havia outra forma de o retirar da Torre
– para ser transportado para a oficina de Hermínio de Freitas Nunes, na
Marinha Grande. Aí, depois de limpar e restaurar as peças existentes e de
fabricar as que estavam em falta, o relógio voltou a ser montado para
verificação final do seu pleno funcionamento e para as afinações finais.
Voltou a ser desmontado para aplicação do acabamento final (pintura) e
transportado para a Torre, o seu local original, onde foi montado uma última
vez.
Para colocar o mecanismo novamente no seu lugar foi necessário o apoio de
seis pessoas. Já para a colocação dos ponteiros, cujo restauro inicial ficou
a cargo da empresa Archeofactu, a Parques de Sintra recorreu ao apoio de um escalador
que, em rappel,
desceu para os colocar de volta no seu local original.
Dada a importância deste elemento no contexto do Palácio foram, em paralelo,
realizadas obras de recuperação no interior da Torre, para permitir visitas a
estes espaços e ao mecanismo do relógio.
Sobre a
Parques de Sintra - Monte da Lua
A Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A. (PSML) é uma empresa de capitais
exclusivamente públicos, criada em 2000, no seguimento da classificação pela
UNESCO da Paisagem Cultural de Sintra como Património da Humanidade. Não
recorre ao Orçamento do Estado, pelo que a recuperação e manutenção do
património que gere são asseguradas pelas receitas de bilheteiras, lojas,
cafetarias e aluguer de espaços para eventos.
Em 2014, as áreas sob gestão da PSML (Parque e Palácio Nacional da Pena,
Palácios Nacionais de Sintra e de Queluz, Chalet da Condessa d’Edla,
Castelo dos Mouros, Palácio e Jardins de Monserrate, Convento dos Capuchos e
Escola Portuguesa de Arte Equestre) receberam aproximadamente 1.928.000
visitas, cerca de 86% das quais por parte de estrangeiros. Recebeu, em 2013 e
2014, o World Travel Award para Melhor Empresa em Conservação.
São acionistas da PSML a Direção Geral do Tesouro e Finanças (que representa
o Estado), o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, o Turismo de
Portugal e a Câmara Municipal de Sintra.
www.parquesdesintra.pt ou www.facebook.com/parquesdesintra
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