Permita-se mais um comentário ao artigo de opinião do Professor José d’Encarnação, “As palavras… mágicas”, publicado no dia 17 de junho em: http://notascomentarios.blogspot.pt/2015/06/as-palavras-magicas.html. Corroboro e apoio a judiciosa e pertinente opinião do Professor José d’Encarnação. Trata-se de uma parte do património que obriga a uma responsabilidade do Estado, até porque está consignada na Lei do Património Cultural em vigor. De facto, a defesa da Língua Portuguesa enquanto (passo a citar) “parcela estruturante da identidade da Nação” parece só merecer belos discursos e cerimónias vazias de tudo que não sejam emocionadas inércias. Muitos dos que falam e apregoam tanto o Património esquecem-se dum programa de ação concreto em defesa dessa parte do património. No meu caso pessoal, em público, nas comunicações orais e nas aulas, tanto em Portugal como no estrangeiro, mesmo no contexto das universidades, não prescindo nunca de falar exclusivamente em português. Faço exatamente o mesmo que muitos outros de outras Línguas fazem. Afinal, seremos uma Nação inferior às de PIB e população maior? Quem lhes deu autorização para esse confisco senão nós, na nossa cobardia? Já se desistiu de Portugal, em troco das grossas avenças dadas a algumas elites pelos estrangeiros exatamente com esse objetivo? Qualquer dia, na Europa, seremos obrigados a falar a língua que «a maioria dos ditos cidadãos da União Europeia» tiver votado num qualquer «acto eleitoral Europeu». E assim sucessivamente até ao desaparecimento do «Português». No momento em que proliferam as redes e as plataformas digitais, o que vemos? Vemos que são utilizadas quase sempre para divulgar e retransmitir informações já dadas noutros locais. Servem apenas para isso, na esmagadora maioria dos casos: informações sobre informações acerca de informações. Uma espiral redundante que dá a ilusão de Comunicar. Em alternativa, não são usadas para criarem e construírem novos conteúdos, reforçando coletivamente a reflexão e a criação científica, literária e artística. Este uso seria um contributo essencial para lutar contra a destruição da diversidade cultural e linguística a que hoje assistimos de forma despudorada pelos países que se acolitam à volta do «Inglês», e de mais outras duas ou três línguas. O que é preciso é coragem, mas ela só surgirá se não se tiver já desistido de Portugal. Para aqueles que optam pelo fim eugénico de algumas nações por acreditarem piamente na teoria sociobiológica e darwiniana da evolução, mesmo para esses, é bom lembrar que sem diversidade e “Variação” o que é sujeito a “Adaptação” e a “Seleção” será sempre de qualidade inferior. É um erro pretender exterminar ou normalizar a Variação. Digamos o Mundo, a Natureza e a Existência em português. Inventemo-los e construamo-los artística, técnica e cientificamente através da língua portuguesa. Digamo-lo pelas nossas palavras mágicas, e não pelas dos outros. Assim, como o disseram tantos portugueses e portuguesas que nos antecederam.
Pedro Manuel-Cardoso |
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