Muito bom o texto do Luís Raposo, como o foi o da Raquel Henriques da Silva. Como foi a nota partilhada aqui por Pedro Manuel-Cardoso.
Permitam-me dizer, entretanto, que continuaremos pequenos enquanto as vozes públicas forem "apenas" estas (apenas em termos de número, claro, e não em termos de conteúdo). Continuaremos pequenos enquanto continuarmos, a maioria, silenciosos, às vezes apáticos e muitas vezes com medo. Continuaremos pequenos enquanto não formos capazes de agir juntos e em defesa de quem mais se expõe (sou daqueles que se arrependem profundamente pela forma pacífica como aceitámos e nem sequer questionámos a não recondução do Luís Raposo à Direcção do Museu Nacional de Arqueologia). Continuaremos pequenos enquanto agirmos com base numa agenda própria e não com base na agenda do sector (que também não temos). Continuaremos pequenos enquanto aqueles entre nós num lugar de direcção continuarem a "colaborar" ou a considerar que um director "cumpre apenas ordens". Se assim fosse, não seriam necessários directores. É por isso que atitudes como a do David Santos apanham-nos hoje em dia de surpresa e acordam-nos da nossa anestesia. Continuaremos pequenos enquanto esta for uma conversa entre nós e as sérias dificuldades sentidas, resultado de umas "políticas" e da falta de outras, não forem partilhadas e explicadas à sociedade portuguesa.
Por isso, sim, é urgente haver um debate, alguma acção planeada e organizada. É urgente haver agenda. Quando, onde, quem toma a iniciativa? Se não houver respostas concretas a estas perguntas, iremos continuar assim, pequenos, a lamentar o que se passa à nossa volta, como se não tivesse nada a ver com todos, como se fosse algo que nos ultrapassasse.
Maria Vlachou