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Prato de terra
sigillata clara da Quinta
de São Vicente 5 (Ferreira do Alentejo)
A
apresentar por Catarina Viegas
Designamos por terra sigillata
um conjunto vasto e diversificado de produções cerâmicas que foram
produzidas em distintas áreas do Império Romano (na Península
Itálica, Sul da Gália, Hispânia, Norte de África e Mediterrâneo
oriental), desde o século I a.C. até ao século VI d.C. Como elemento
comum possuem o facto de terem sido utilizadas no consumo de
alimentos à mesa.
O prato
de sigillata clara C,
recuperado nos trabalhos dos blocos de Rega do Alqueva, foi importado
da Bizacena (centro da Tunísia) e integra-se na forma Hayes 50. Foi
utilizado como oferenda num contexto funerário, tratando-se da forma
mais comum deste tipo de sigillata, em
contextos dos séculos III e IV.
Além deste prato, a sepultura 13, que correspondia ao enterramento de
um adulto do sexo masculino, continha ainda um pequeno recipiente de
produção local, uma peça de vidro e uma lança em ferro. O conjunto
foi recuperado numa necrópole parcialmente escavada no âmbito dos
trabalhos arqueológicos realizados no sítio da Quinta de São Vicente
5 (Ferreira do Alentejo), suscitados pela construção dos Blocos de
Rega de Ferreira, Figueirinha e Valbom em 2013. Os trabalhos
arqueológicos estiveram a cargo da Era-Arqueologia e foram dirigidos
pela arqueóloga Dr.ª Margarida Figueiredo e pela antropóloga Dr.ª
Zélia Rodrigues.
A presença deste tipo de materiais num contexto de necrópole é
bastante frequente, refletindo o consumo e circulação de cerâmica de
mesa importada no interior alentejano, numa área com povoamento rural
em época romana certamente dominado por estabelecimentos rurais tipo villa.
De volta ao mundo dos vivos iremos ainda procurar mostrar a evolução
da baixela de cerâmica importada em época romana, desde o período
Republicano à Antiguidade tardia, tentando reconstituir a mesa
romana.
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