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Os botões de
ouro dos Ratinhos
(Barragem
do Alqueva, Moura)
A
apresentar por António M. Monge Soares
Durante a intervenção arqueológica
de campo levada a efeito, em 2006, no Castro dos Ratinhos, junto à
Barragem do Alqueva, sob a responsabilidade de Luis Berrocal-Rangel e
António Carlos Silva (intervenção publicada no suplemento n.º 6 do
AP), foi encontrado um pequeno tesouro constituído por sete botões em
ouro, os quais podem ser observados na exposição "Alqueva:
20 Anos de Obra, 200 Milénios de História".
Os botões apresentam dimensões e decorações praticamente idênticas, o
que os torna num conjunto tipologicamente muito homogéneo. São
constituídos por um disco, com cerca de 10 mm de diâmetro,
que apresenta no anverso, como decoração, uma calote esférica central
em relevo, rodeada por dois ou três círculos também em relevo, tudo
obtido por repuxamento a partir do reverso. No anverso observa-se,
ainda, que a periferia do disco se encontra sobreposta por um fio de
secção rectangular, torcido e soldado ao disco. O reverso dos botões
apresenta uma presilha central, resultante do aproveitamento de um
fragmento do referido fio torcido, o qual foi batido, designadamente
nas extremidades, para uma mais fácil soldadura.
Os botões dos Ratinhos têm paralelos estreitos em botões de ouro de
duas outras proveniências: Outeiro da Cabeça (Torres Vedras) e
Fortios (Portalegre), coleções expostas parcialmente na Sala do
Tesouro, MNA.
Métodos instrumentais de análise (EDXRF e Micro-PIXE) permitiram
caracterizar estas três coleções a partir do conteúdo elementar da
liga, tipo de soldadura e tecnologia utilizada. Essa caracterização,
tendo também em conta a tipologia, permite concluir pela grande
semelhança entre as três coleções, o que sugere uma mesma oficina de
ourives por detrás da sua manufatura.
Os botões dos Ratinhos, tendo sido encontrados em escavação
arqueológica, com contextos datados pelo radiocarbono, permitem
atribuir estas joias a um Bronze Final tardio (séc. VIII a.C.),
quando se começavam já fazer sentir influências orientalizantes
provenientes do extremo sul peninsular, embora os botões se insiram
numa metalurgia indígena, não Orientalizante.
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