A mensagem «Cultura: o Estado promete” (n.º 14574, de 27nov2015) suscitou algumas reações… que recebi em privado. Há muito conhecem a apologia que faço da «troca e da partilha em público». Pela convicção -- sustentada nos dados recentes da biologia, da arqueologia, e da antropologia -- de que a simbiose e a miscigenação, tanto ou mais do que a competição darwiniana, nos tornam melhores e mais competentes na construção da vida coletiva («redes e interconexões» são um contexto e um paradigma que sucede ao de apenas «indivíduos e grupos»). Respeitando essa privacidade, que é sagrada e infringível, permitam que acrescente o seguinte: -- A “Relação entre o Estado e a Sociedade” é crucial, não por uma razão partidária ou ideológica, mas por causa das consequências que tem no Desenvolvimento da Cultura em Portugal. Se essa Relação se mantiver inalterada o crescimento do PIB será a miséria que tem sido ao longo das últimas décadas; se for alterada o crescimento passará dos «1% / 2%» para os «3% / 5%». Essa é a diferença entre divergirmos ou convergirmos com a «média europeia». Essa é a diferença entre sermos capazes de criar riqueza e valor, ou de nos mantermos no caminho da mediania e da ruína coletiva. Ou, de outro modo dito, essa é a diferença entre um Governo incompetente e um competente (seja de que partido político for). Assim sendo, é para essa Relação que chamei a atenção, neste caso, no domínio da “Cultura”.
Pedro Manuel-Cardoso |
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