Durante os trabalhos de preparação da Experiência referida na mensagem n.º 15670 [“IMPRONUNCIALISMO: A Ilusão da Diferença”: http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg15670.html ] deparámo-nos com um acontecimento singular, idêntico ao relatado por Sijbren Otto (Nature Chemistry, august2015). De facto, o registo fotográfico do processo de passagem da matéria dita inerte para a matéria dita viva mostrou uma imagem de fotões em forma de anel, empilhando-se em espiral, formando uma espécie de cilindro. Porém, a partir de um certo grau de acumulação (tamanho) o cilindro quebra-se dando origem a dois outros cilindros, descendentes do primeiro mas diferentes em espessura e tonalidade. Tal como Sijbren Otto referiu em 2015, surpreendentemente, é um processo muito semelhante ao da formação de novas espécies na evolução biológica, e ao que ocorre em organismos que se reproduzem sexualmente por meiose. Ora, esse salto misterioso, e ainda não desvendado pela Ciência, de passagem de uma situação inerte para uma situação auto-organizativa e auto-catalítica autónoma também ocorreu na Experiência de IMPRONUNCIALISMO referida na mensagem n.º 15670. Perante um acontecimento desta magnitude, em que não temos palavras (linguagem) para comunicar os resultados de modo totalmente consensual e normalizado em termos sociais e científicos (só nos restando a linguagem matemática, que é uma fraca ajuda) justifica-se a tomada de consciência metodológica e procedural que designámos por IMPRONUNCIALISMO. Trata-se de compreender (tomar Consciência empírica e factual) aquilo que ocorre na Vida/Existência exatamente no momento de passagem do inerte para o vivo. O que é surpreendente, e merece notícia nesta Mensagem para a Lista Museum, é os resultados mostrarem que há uma regularidade e um padrão intrínsecos aos acontecimentos/fenómenos que se observam já nesta escala. O que demonstra a existência de um processo comunicativo (emissão, recepção, e reconhecimento de instruções/mensagens), ao qual, aliás, Einstein chamou “acção fantasmagórica à distância” (spooky action at a distance), recentemente verificado na Universidade Técnica de Delft. Mas para que isto ocorra é necessário tomar como verdadeira a “condição de Bell” (1964), ou seja, que o que estamos a observar não é algo apenas Realista (a teoria que afirma que o mundo microscópico das partículas subatómicas, tal como o mundo macroscópico, é independente de quem o observa/observador) e Local (a teoria que proíbe a transmissão de informação a velocidades superiores à da luz, isto é, que as interações entre partículas não podem ser mais rápidas do que a luz). O imbróglio está aqui, pois o adjetivo “fantasmagórico” usado por Einstein passa a nada ter de irreal, e estamos perante uma Mudança no modo-de-ver-o-mundo que ocorreu ainda durante «a nossa geração» ou «o nosso tempo de vida». Assim sendo, a questão que se lança para o Debate é a de ser possível (ou não) fazer recuar a Arqueologia a estes fenómenos de «origem da Vida». A essa hipotética Arqueologia, talvez até se pudesse chamar: ARQUEOLOGIA DOS PROCESSOS INICIAIS. Nota sobre o Impronuncialismo: Fundado em 1984 por Pedro Manuel-Cardoso, usa e transforma o Dasein (o Ser do «Sujeito que pensa, compreende, e observa o mundo/natureza») de modo a produzir um Artefacto («objecto») que permita alcançar um diferente modo de agir e de reagir com a matéria (Natureza) e a energia (Cultura), tentando acrescentar mais um Heterónimo aos nove (axiologia, cosmologia, epistemologia, estética, ética, metafísica, ontologia, política, teologia) que o Ser-Humano foi capaz de realizar até ao momento. A primeira “Exposição” pública ocorreu na LxFactory/Lisboa em 2012 designada: “17 Artefactos Impronunciáveis”. Pedro Manuel-Cardoso |
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