Há trinta e nove anos, no Museu da Morávia em Brno (atual República Checa), foi realizada a seminal Exposição intitulada “O caminho da Museologia”, organizada por Z.Z. Stránský, Jan Jelinek, Vilém Hank, Zdenek Lang e Evžen Schneider. Foi um contributo importante para o Inquérito Internacional sobre a Finalidade e a Missão dos Museus, cujos resultados foram publicados em 1980 e 1981 na revista do “ICOFOM Study Series”, sob o título “Documentos de Trabalho sobre Museologia 1 e 2”. É interessante e pedagógico comparar essas opiniões com o conceito de Conceito de Património definido na atual Legislação Portuguesa: “1 – Para os efeitos da presente lei integram o património cultural todos os bens que, sendo testemunhos com valor de civilização ou de cultura portadores de interesse cultural relevante, devam ser objeto de especial proteção e valorização.” (Artigo 2.º, da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro - Diário da República n.º 209, I.ª-A Série). Essa comparação dá consciência do percurso percorrido, e justifica ainda mais a mudança proposta pela Patrimologia em relação à Museologia. Uma transformação na qual o «Património» substitui o «Museu», enquanto objeto disciplinar e epistemológico de «estudo, investigação, formação, ensino e gestão do Património (daquilo que se pretende transmitir aos presentes e vindouros como sendo Relevante)»:
Nesse sentido, “o Conselho Internacional dos Museus deveria, obviamente, mudar a sua designação para Conselho Internacional do Património” (Pedro Manuel-Cardoso, 2004). Com excepção do trabalho feito pelo Smithsonian em 2003, poucos foram os que cuidaram desta preocupação Teórica e Metodológica. Sempre com justificações pragmatistas, que acabaram, como sempre acabam, por danificar e atrasar a Prática. E pior ainda, acabam por, inevitavelmente, colocar o Património, acriticamente, ao serviço dos interesses económicos e políticos das circunstâncias-e-contextos-dos-momentos. O LÉXICO DE PATRIMOLOGIA que iremos apresentar em Outubro2016 será uma chamada-de-atenção para esse longo percurso de aperfeiçoamento e reflexão sobre os Caminhos para o Estudo e a Gestão do Património que começaram muito antes daquilo que se passou na história da Europa após o Renascimento e a Revolução Industrial e Política do séc. XVII. Nessa Exposição de 1977 em Brno, um dos dioramas mostrava, a corpo inteiro, a figura de Charles Wilson Peale a inaugurar o Museu de Filadélfia em 1784. E num painel estava escrita a afirmação de J. Graesser de 1893: “Se há trinta anos [portanto, em 1863] ou mesmo há vinte anos alguém nos seus escritos ou propostas considerasse a Museologia como uma ciência seria certo que suscitaria um sorriso de desprezo ou compaixão. Evidentemente que hoje [portanto, em 1893] tudo isso mudou” (J. Graesser, 1893, Zeitschrift für Museologie und Antiquitätenkunde). Hoje, passados esses cento e cinquenta e três anos, sobrarão poucxs que não façam o mesmo sorriso a que J. Graesser se referiu em 1893 perante o LÉXICO DE PATRIMOLOGIA de 2016. Uma coisa é certa, o Léxico do ICOFOM foi um acto-falhado que atrasou, para além do razoável, o desenvolvimento do Património. Pedro Manuel-Cardoso |
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