Tenho que agradecer ao Prof. Doutor Pedro Pereira Leite a referência. Acho que ele a fez mais para me provocar... A essa provocação Amiga … como poderia resistir? A questão do dito «património imaterial» infelizmente não tolhe. Não a mim como Pessoa (que é o que menos importa), mas ao raciocínio analítico e ao exercício científico sobre a Questão Patrimonial. Contrapõem dizendo que permitiu classificar muitos patrimónios que de outro modo não seriam tidos em conta pela «museologia dos objetos ditos materiais». Em parte é verdade, em parte não é. Esses «patrimónios ditos imateriais» não foram tidos em conta pela «museologia dos objetos materiais» porque ela usou um conceito de Objeto errado (incompleto e insuficiente). Nada obstava a que não pudesse ter feito esse trabalho. Não era necessário separar aquilo que é inseparável. Ora ao inverter a questão, isto é, ao teorizarem e escreverem muitos livros sobre o «Imaterial» acabam por cair no mesmo erro. Agora de uma forma simétrica e invertida. Caem no mesmo erro de conceber o Objeto Patrimonial como uma coisa em que Material e Imaterial se excluem, ou que pretensamente podem viver separadamente. Esse erro é indesculpável. Na conjuntura desta época, neste curto-prazo, dá a ideia de um benefício. Mas a médio e longo prazo traz mais prejuízos do que vantagens. É um atraso que provocam no estudo e na Gestão do Património. Isso é visível no aparecimento de departamentos e de museus só para tratar da presumida «imaterialidade». É por essa razão que critico o atual entusiasmo sobre o «património dito imaterial». Numa das mensagens que enviei para a Lista Museum até cheguei a perguntar: «Como conseguiram separar o cante dos cantantes? Como foram capazes de separar o ferro-dos-chocalhos do som-da-comunicação? Como foram capazes de separar o Ser-Humano corpóreo e a materialidade das Coisas do Património, e de quaisquer pretensas «Imaterialidades»? Essas duas partes não existem. São uma ilusão perversa que prejudica o Valor Patrimonial. São um erro de concepção do Objeto Patrimonial. Enfim, um acto puro de Dualismo (material/imaterial). Ora o Dualismo nasceu de um Impasse. Que felizmente o teorema de Gödel demonstrou matematicamente [Ver Quadro adiante].
Isso não seria um problema. Só passou a ser quando, em vez de o ultrapassarem, o usaram para manipular a Construção Social e as Mentalidades, transformando-o numa Ideologia. Uma ideologia que impede o avanço no Conhecimento e cria obstáculos às Relações Sociais. O Dualismo cria inimigxs e lutas fratricidas entre os congéneres. Cada qual puxa para o seu lado. Cinde o que poderia ser uma cooperação e uma interdependência no seio das Diversidades. Transforma a outra Parte inevitavelmente num adversário, num contrário, ou num inimigx. No Museu da Gestualidade (Escritura Notarial em 24/09/1993; Publicado no Diário da República, III.ª série, n.º 68, de 22/03/1994), portanto muito antes da moda «imaterial/intangível», usámos a seguinte definição de «gestualidade»:
O Dualismo é um dos atuais problemas da Ciência, da Epistemologia, e da Ética Social. Um problema que atualmente está a ser debatido com profundidade por causa do impacto da Inteligência Artificial, da manipulação genética, e da robótica. Qual a solução? A solução que sugiro é que se adopte na Gestão do Património (nos serviços do Estado que tutelam o Património, nos museus, e nas outras instituições responsáveis por Património) um Conceito Heptadimensional de Objeto no seio do qual se lide com esse facto consumado da separação entre Material/Imaterial. No Quadro adiante poder-se-á visualizar o resultado:
Pedro Manuel-Cardoso |
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