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[Museum] O MAAT E A PONTE DE BELÉM - Reflexões sobre as Palavras do Pedro Manuel Cardoso

To :   museum@ci.uc.pt
Subject :   [Museum] O MAAT E A PONTE DE BELÉM - Reflexões sobre as Palavras do Pedro Manuel Cardoso
Date :   Thu, 06 Oct 2016 10:45:35 +0100

Acordei estremunhado deste 5 de outubro, de novo dia feriado, para nos fazer relembrar desse primeiro dia ?res publicano?, desse outro ano de 1910, onde um punhado de republicanos, de fartos bigodes, barricados numa rotunda enlameada, empunhado fuzis e canhões, proclamavam uma novo regime, fundado na ?ordem? e no ?progresso?.

Olhei as notícias. Lá em Nova York, o nosso Gueterres feito ?quase? sucessor de Ban Ki-moon na ONU, de onde regressou o nosso bom amigo Pedro Cardoso, onde apresentou o ?Lexico de Patrimonologia? um trabalho que tem vindo a fazer desde há alguns meses, e que tenho seguido aqui com agradável leitura.

Dizia eu que Pedro, ao regressar da cidade que nunca dorme, escrevia uma notas sobre o novo museu do Tejo. Melhor indignava-se, no sentido do despertar da polémica, sobre as ausências de políticas publicas para a cultura nesse ?complexo museológico? que é a ?Frente Ribeirinha de Belém em Lisboa?.

Ao mesmo tempo, num canal da Televisão, era entrevistado o Presidente da emblemática Junta de Freguesia de Belém, que justificava a necessidade de encerramento, por razões de segurança, do passadiço que atravessa a linha de caminho de ferro, devido ao forte fluxo de peões de ontem. O motivo era o acesso ao novo MAAT. (Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia) que a EDP promoveu na área adjacente ao Museu da Eletricidade.

O MUUT e o passadiço são o melhor exemplo das nossas políticas culturais, ou melhor da sua ausência, contra o qual o Pedro Cardoso polemiza.

Dou-lhe razão. O museu não passa duma casca de ovo. Duvido mesmo que museu seja a melhor palavra para a luxuosa galeria. Feito para deslumbrar o olho e satisfazer os patêgos do burgo, repares-se não tem projeto museográfico. É certo que foram buscar um curador competente, que fará o que puder. O edifício não serve para expor. As sua paredes arredondadas não permitem outra coisa se não as tecnologias. Mas na verdade isso é pouco relevante. O importante mesmo é atrair pessoas. Clientes como agora se chama aos consumidores de cultura. (Sim eu sei que ainda se usa os públicos). Todos sabemos que o que foi importante foi marcar a afirmação da apropriação do espaço, como o Pedro Cardoso escreveu. E isso é que é o sentido da narrativa arquitectónica. Um espaço global, para consumidores globais. O Tejo, a nação o território, os portugueses não são narrativas constitutivas. Somos apenas cenários.

O por isso não há políticas públicas para a cultura. Quem define o que se faz, quem pode fazer são as corporações. O Estado deixou de se procurar afirmar e de mobilizar recursos para o que quer. Apenas para o que pode e para onde é "aconselhado".

Em suma as políticas públicas são hoje somatórios de interesses ?privados?, corporativos. Os poderes públicos, aqueles que os republicanos procuraram dar ?ordem e progresso? à uma centena de anos atrás, olham agora deslumbrados para mais esta iniciativa dos dinâmicos empresários. É certo que não previram os acessos. Um pequeno detalhe na cidade e no instalado caos de Belém. Nem sequer fizeram os trabalhos de casa, o que é revelador da sua competência.

Ficamos à espera do separador do corredor central na avenida da índia. De mais árvores, de relva entre os parqueamentos automóveis, de algumas palavras de circunstância do dinâmico edil da cidade, e do tal novo passadiço.

A propósito alguém sabe do tal projeto museográfico para os Coches? o que vai acontecer no CCB, que tanto estrondo deu no início da legislatura?. Será que já retiraram as floreira dos brazões coloniais ? E quando começam as obras na Ajuda ?

Nos últimos anos as políticas públicas culturais para o complexo museológico de Belém parece terem-se ficado pelo ?bilhete único?. O resto são obras.

O único problema de toda esta questão é que tudo se continua a passar sem que haja uma discussão para uma agenda da cultura para Belém que se confronte com a agenda turística. Uma discussão de quem se posiciona na cultura. Talvez devêssemos olhar mais para aqueles nosso avós de bigode. Bem é certo que estava mais gente em Belém do que na Praça do Município.



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