O Património é uma ferramenta essencial à escolha da Relevância por cada Identidade Humana que se expressa historicamente num determinado Território. A escolha da Relevância a transmitir às gerações vindouras (Património) contribui para a Continuidade dessa Identidade. O Património tem a propriedade de ser capaz de preservar e desenvolver cada Identidade particular (comunidade, nação, país), no respeito integral pela sua diversidade e singularidade. Permite que cada Diferença não se dissolva nas outras, provocando o enriquecimento da complexidade humana. E, do somatório da preservação e desenvolvimento de todas essas Diferenças, e apenas se elas não forem destruídas ou normalizadas, é que o Património contribuirá para aquilo que designamos por Humanidade. Ora o que está em causa nesta questão do MAAT é ser apenas um projeto arquitetónico. Que prima pela ausência de um projeto patrimonial relevante para a Cultura especificamente Portuguesa. Construído num dos melhores locais para a divulgação da Cultura Portuguesa «ao mundo que nos visita», neste caso, por causa da beleza paisagística do estuário do Tejo. É exatamente o menosprezo pelo investimento no Património específico da Cultura Portuguesa, em detrimento de projetos que copiam o que é específico da Cultura dos Outros, que merece crítica. Não, não é o «orgulhosamente sós». É a desproporção. Que até é ofensiva, da falta de recursos de que padecem os museus portugueses. É a comparação de uma coisa com a outra. As instituições e os responsáveis pela Política Pública de Património em Portugal têm ao dispor em Lisboa coleções, objetos, e museus com Património Português para fazerem no estuário do Tejo um Projeto Patrimonial único a nível mundial. Há uma alternativa patrimonial e urbanística que está disponível. E que salvaguarda melhor o futuro da atratividade do estuário do Tejo, mesmo em termos económicos e turísticos. Há uma história única a nível mundial, relativa às trocas comerciais e à navegação de povos que aqui aportaram desde o Paleolítico Superior, sedimentada em vestígios já descobertos no Tejo, que o tornaria um lugar candidato a Património da Humanidade. Um lugar único no Mundo. O mesmo se passa noutras cidades da frente Atlântica, juntamente com as regiões Autónomas da Madeira e Açores. Ver o que temos no estuário do Tejo, e o modo como é ignorado e vilipendiado por interesses urbanísticos e comerciais, e por modas (programações e curadorias) importadas do estrangeiro… causa tristeza. É um indicador da qualidade de quem nos governa. Porque não o fazem? Porque dão esse espaço apenas para projetos que copiam e divulgam o Património das outras culturas em detrimento da Portuguesa? Porque permitem, e são coniventes com essa assimetria escandalosa em termos de investimento e de recursos? Porque deixam os museus, as coleções, e os objetos patrimoniais que contam a especificidade portuguesa ao mundo à míngua e ao desleixo? Se houvesse consistência e competência na Política Pública de Património esta realidade desproporcional não acontecia. Haveria paridade e complementaridade. Haveria competência, ambição e orgulho. Não se resumia tudo a “comer, consumir, apanhar sol, e passear” como têm o descaramento de dizer. E Portugal? Pedro Manuel-Cardoso |
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