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[Museum] LÉXICO DE PATRIMOLOGIA e WEB SUMMIT 2016: Como fazer a Gestão do Património, hoje?

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] LÉXICO DE PATRIMOLOGIA e WEB SUMMIT 2016: Como fazer a Gestão do Património, hoje?
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Sat, 12 Nov 2016 16:05:54 -0000

Durante a Web Summit 2016 não assistimos a nenhum contributo ou intervenção de relevo por parte dos atuais Responsáveis do Estado pelo Património. Não se compreende. Porque os desafios que a Tecnologia coloca atualmente são uma oportunidade para a Reforma e Modernização da Política Pública de Património (museus, monumentos, arquivos, bibliotecas, e infra-estruturas equiparadas).

Na quinta-feira, dia 10nov2016, na referida Conferência Tecnológica, Ebbe Altberg (fundador, em 2004, da Second Life) anunciou para 2017 a nova plataforma digital SANSAR, construída (passo a citar) “por centenas de engenheiros durante os últimos 3 anos”. Prometendo que cada Pessoa: “poderá ter um Avatar, com expressões faciais que funcionam exatamente à mesma velocidade do que as expressões faciais reais, e que consegue movimentar objetos virtuais iguais aos reais”. Seguiu-se a apresentação de um exemplo de acesso a um túmulo do Egipto Antigo atualmente interdito ao público. Afirmou: "Pode haver pessoas que estão a estudar os hieróglifos, enquanto os arqueólogos ou os alunos o podem visitar, e encontrarem-se e falarem lá dentro uns com os outros". E acrescentou: “a plataforma é tão realista que o cérebro deixa de distinguir o mundo real do virtual".

De facto, Hoje, estamos perante estes novos inquilinos do Real, que transformaram o Corpo Humano em Segundas-Vidas na quântica da Internet. Não há filme ou ficção literária que não nos ofereça almas e vida psíquica dentro de animais e de objetos. O mundo interior dos factos da consciência - como Dilthey lhes chamou - tornou-se Material. Adquiriu hoje a materialidade de personagens concretas que jogam, brincam e lutam nos écrans espalhados pelo quotidiano contemporâneo. O Corpo Humano passou a ter mais vizinhos (outros Corpos, que o cérebro não sabe distinguir fisiologicamente dos reais), que com ele, simultânea e ao mesmo tempo, observam e têm opiniões sobre o Património (isto é, sobre o que é a Relevância e qual a parte dela que deve ser transmitida ao Futuro).

Perante esta realidade tecnológica, que é já o nosso Ambiente e o nosso Contexto, é impossível doravante fazer Gestão do Património sem fazer corresponder os objetos patrimoniais aos outputs do “Sistema da Percepção Humana” descrito por James Gibson; e aos “Limiares da Percepção Humana” quantificados em EEV por Roland Fischer.

As categorias analíticas e a metodologia propostas pelo LÉXICO DE PATRIMONOLOGIA para a Gestão do Património ajudam a fazer essa gestão. Foi para isso - para esse contributo e benefício - que foi construído. Esses 67 Conceitos-Chave possibilitam atualizar a Gestão do Património na contemporaneidade.

O conceito de Objeto e de Realidade – portanto, também o de Património – não serão, já a partir do próximo ano, os mesmos.

Qual a resposta para este desafio - que está já aqui ao virar da esquina do tempo - por parte dos atuais Responsáveis do Estado pelo Património?

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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