1 – Se os Museus continuarem a ser os edifícios… as Estatísticas de nada servem. 1.1 – Se os Museus forem actos de arquitetura e design em que (passo a citar) “os conteúdos ficam dentro de contentores”, então, a medida do êxito é inevitavelmente o aumento de Visitas. 1.2 – Se os Museus são edifícios para as Pessoas irem ver o que lá está e o que lá ocorre, então, que mais se pode exigir do que esse objetivo? 1.3 – Se as Visitas forem aquilo que mede o êxito dos Museus, então, em Portugal, estão a ir muito bem. Os Visitantes estão a aumentar. Que interessa quem são (turistas, analfabetos, eruditos, jovens, idosos, ricos, ou pobres; se passam a correr ou se se demoram com algum objeto/coleção; se vão lá passear, beber um café, ou conhecer, etc.)? 1.4 – Se o objetivo do Museu for ele próprio, então, não se pode criticar o aumento de Visitantes. São os próprios Serviços do Estado Responsáveis pelos Museus que não sabem o que lhes fazer mais. 2 – Só se o objetivo do Museu não fosse o próprio Museu… 2.1 – Só se o objetivo do Museu não fosse o Museu é que se poderia pôr em causa essa medida (indicador) do êxito. Mas continuam a dizer: «Conselho Internacional de Museus», «museologia», «museologia social», «sociomuseologia», «ecomuseus», etc. Isto é, «museu, museu, museu, museu», e outra vez «museu». Logo, se não saírem dessa redoma jamais conseguirão resolver alguma coisa para além do Museu. 2.2 – Para criticar essa medida de êxito seria necessário que o objetivo do Museu não fosse ele próprio mas, outrossim, o Património. O Património enquanto um serviço e um benefício específico a prestar à Sociedade e às Pessoas. 3 – Se o Património fosse o objetivo do Museu? 3.1 – Então, era possível fazer algumas perguntas. 3.2 – Por exemplo: «Para que servem as Visitas?», «as Visitas servem para o benefício que o Património deveria prestar às Pessoas e à Sociedade?», «como as Visitas resolvem a conservação do Património?», «de que modo as Visitas contribuem para a transmissibilidade do Património aos vindouros?», «o aumento das Visitas corresponde a um aumento da compreensão do Património por parte dos Visitantes?», «o aumento das Visitas permite reconstituir o Património em caso de desastre ou dano?», «o aumento das Visitas está a resolver o financiamento do Património pelas Políticas Públicas de Património?», «o aumento das Visitas está a resolver a precariedade do emprego dos Profissionais de Património, ou a valorização das suas carreiras?», «afinal, para que servem as Visitantes? Senão para justificar o Museu por ele próprio», «ou servem apenas para dar lucros e proventos a uns quantos que dele vivem, independentemente do que acontecer ao Património e às Pessoas que permitem que ele permaneça e continue?», e assim sucessivamente. 4 – Talvez a matemática e a gestão possam ajudar. 4.1 – Talvez a matemática e a gestão ajudem a dar um sentido prático ao rumo e à medida do êxito. Por exemplo, experimentando o Indicador de Medida e de Gestão que partilho adiante:
5 – Talvez assim as Visitas (e os Visitantes) fiquem melhor contextualizadas enquanto medida de êxito da Gestão do Património. Pedro Manuel-Cardoso |
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