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Re: [Museum] Obrigado Agostinho Ribeiro e ao nosso Museu Grão Vasco

Subject :   Re: [Museum] Obrigado Agostinho Ribeiro e ao nosso Museu Grão Vasco
From :   José Morais Arnaud <jemarnaud@gmail.com>
Date :   Wed, 18 Jan 2017 11:25:07 +0000

Um forte e solidário abraço para o Dr. Agostinho Ribeiro ! Quem se destaca da mediocridade e da subserviência geral ao poder continua a ser penalizado, nesta pseudo democracia em que vivemos !
José Morais Arnaud

No dia 18/01/2017, às 10:13, pedropereiraleite@ces.uc.pt escreveu:

> 
> Agostinho Ribeiro Diretor do Museu Nacional Grão Vasco deixou-nos esta  
> carta pública de despedida no momento em que cessa funções.
> 
> Por tudo o que fez e à sua equipa ficamos gratos pela sua lição como  
> profissionais de museus. Bem-haja !
> 
> 
> "Agradecimento público, especialmente a Viseu.
> Por não ter sido renovada a minha comissão de serviço como diretor do  
> MNGV tenho sido merecedor de muitas manifestações de apoio, tanto aqui  
> na página do facebook como através de inúmeras mensagens e telefonemas  
> que me fizeram chegar ao longo dos últimos tempos, o que muito me  
> honra e sensibiliza. Confesso que estou completamente desvanecido, e  
> também muito agradavelmente surpreendido com tamanha e tão  
> diversificada demonstração de apoio, amizade e reconhecimento, ficando  
> sem palavras para a todos expressar a minha enorme gratidão por tão  
> encomiástica atitude.
> Estas manifestações de apoio atingiram o seu ponto mais elevado de  
> cidadania, em Viseu, face às decisões unânimes tomadas na Assembleia  
> Municipal e na Câmara Municipal de Viseu, (que me confidenciam ser  
> histórica), em resultado da informação prestada pelo Senhor Presidente  
> da Câmara Municipal, solicitando a minha recondução no exercício  
> destas funções. A Assembleia Municipal de Viseu endereçou ao Senhor  
> Ministro da Cultura uma carta subscrita pela respetiva Mesa e todos os  
> Grupos Parlamentares com assento na Assembleia, pedindo a minha  
> recondução, no que foi replicado pela Câmara Municipal de Viseu,  
> também por unanimidade. Acrescem idênticas tomadas de posição de  
> algumas entidades públicas, como a Região de Turismo Centro de  
> Portugal e a Junta de Freguesia de Viseu, bem como de várias  
> personalidades e entidades viseenses, e não viseenses, que me reservo  
> aqui de enunciar, o que me impõe o gratificante dever de a todos  
> agradecer, profundamente emocionado, pelo extraordinário carinho e o  
> solidário reconhecimento pelo trabalho que realizamos nestes últimos  
> anos no nosso Museu Nacional Grão Vasco.
> Costumo dizer que as terras são grandes, quando grandes são as suas  
> mulheres e os seus homens, instituições e entidades, e uma das  
> caraterísticas que melhor define a grandeza de uma terra e das suas  
> gentes é, sem dúvida alguma, a superior e elevada capacidade que têm  
> de reconhecer quem a ela se dedica com devoção e empenho. Viseu é uma  
> Grande Terra, e eu não poderia estar mais feliz e reconhecido do que  
> estou, face a esta histórica, extraordinária e singular prova de apoio  
> com que a cidadania viseense me decidiu brindar e honrar!
> Assim, agradeço às entidades e pessoas que estiveram connosco  
> envolvidas, (mais de 30 entidades envolvidas, 55 membros da Comissão  
> de Honra do Centenário e 10 membros da respetiva Comissão  
> Organizadora), apoiando e colaborando positivamente nas atividades  
> museológicas, académicas, artísticas e sociais deste museu, em  
> múltiplos projetos realizados ao longo dos últimos três anos em que  
> tive o privilégio de o dirigir, e desejo profundamente que seja dada  
> continuidade à afirmação e visibilidade cada vez maior do nosso Museu.
> Ao longo destes três anos alargamos e aprofundamos as nossas relações  
> institucionais com praticamente todas as instituições e entidades  
> públicas, e muitas privadas, da sociedade viseense, alcançamos a  
> designação de museu nacional e comemoramos, de forma que nos pareceu  
> muito digna, diversificada nas áreas temáticas e plural nos públicos a  
> atingir, o Centenário da Fundação do Museu Nacional Grão Vasco. Para  
> além das inúmeras realizações performativas, graças às parcerias  
> estabelecidas (teatro, música, dança e múltiplos eventos de  
> caraterísticas mistas) que se destinaram a celebrar festivamente o  
> centenário, organizamos uma série de encontros e conferências  
> temáticas, abordando questões muito diversas da cultura, património,  
> museologia, arte e cidadania, e apresentamos ao público uma rica e  
> diversificada programação de exposições temporárias, tanto no museu  
> como fora dele, para assim darmos maior visibilidade e valor ao  
> património artístico que se encontra sob nossa responsabilidade tutelar.
> Em gratificante parceria com o Departamento de Obras da DGPC,  
> resolvemos alguns problemas estruturais com que o edifício se debatia:  
> impermeabilizando o interior do Paço dos Três Escalões; recuperando os  
> vãos do edifício que denotavam o efeito de degradação produzida pelas  
> condições atmosféricas adversas; recolocando em funcionamento alguns  
> equipamentos de controlo ambiental que se encontravam inoperacionais;  
> e, finalmente, iniciando um processo de resolução do magno problema do  
> controlo ambiental das salas de exposição do piso 3.
> Alcançamos também muito bons resultados operacionais, com aumentos  
> significativos em todos os dados mensuráveis da nossa gestão nos  
> últimos três anos, com um crescimento médio anual de 24% nas receitas  
> e de 19% nas entradas, sublinhando-se aqui que no presente ano do  
> centenário este crescimento do número de visitantes atingiu a  
> gratificante percentagem de mais 33% do que o alcançado no ano  
> passado, fixando-se nos 114.568 visitantes em número absoluto de  
> entradas, muito acima dos 100.000 visitantes que tínhamos estabelecido  
> como meta para o centenário. Somos hoje o 5º museu do Estado (DGPC)  
> mais visitado, e o 1º fora de Lisboa.
> Também por tudo isto temos sido muito agradavelmente surpreendidos com  
> o reconhecimento por este trabalho, e ao Museu Nacional Grão Vasco,  
> por parte de várias entidades e instituições viseenses, às quais  
> estaremos eternamente gratos: Beirão de Mérito Cultural, pela  
> Confraria de Saberes e Sabores Grão Vasco; Prémio Acolhimento  
> Adamastor MGV, pela Associação Cultural Adamastor; Prémio Anim’Arte  
> 2015, Especial Museu Nacional Grão Vasco; Reconhecimento Freguesia de  
> Viseu, pelos 100 anos de existência do MNGV; Menção Honrosa Rotary  
> Clube de Viseu, pelo Centenário do MNGV; Mérito Institucional, na Gala  
> do Comércio 2016, pela Associação Comercial do Distrito de Viseu;  
> para, finalmente, sermos agraciados com a mais elevada distinção  
> institucional de Viseu, a Medalha de Ouro da Cidade de Viseu, 2016,  
> com atribuição do Título de Cidadão Honorário de Viseu, “pelos  
> serviços de excepcional relevância que o Museu prestou ao Concelho de  
> Viseu”. Não podíamos ter recebido maior Honra que esta!
> Encontrando-me, portanto, com o sentimento claro do dever cumprido,  
> deixo, finalmente, um agradecimento muito especial a toda a equipa do  
> museu, que nos respetivos campos de atuação muito contribuíram para a  
> obtenção dos excelentes resultados alcançados, sobretudo no ano maior  
> do centenário da fundação do museu, cujas comemorações ainda não estão  
> finalizadas, o que está previsto acontecer em março de 2017.
> Finalizo este meu agradecimento público informando que o ato  
> administrativo em causa, no meu entender, não respeita o Código do  
> Procedimento Administrativo por violar o princípio da igualdade, nem o  
> Estatuto do Pessoal Dirigente da Administração Pública por preterir  
> formalidades essenciais do procedimento legal, e por estas razões fiz  
> uso das prerrogativas que a lei me confere, apresentando em tempo  
> oportuno um recurso hierárquico ao Senhor Ministro da Cultura, a todos  
> evidenciando que seria para mim impossível aceitar qualquer decisão  
> nele contido, por considerá-lo ilegal e, muito mais do que isso, por  
> ser injusto e imoral. (E foi por esta razão que me mantive em relativo  
> silêncio, pedindo desculpa a todos os meus amigos pelo facto de ter  
> evitado fazer, em tempo oportuno, os agradecimentos públicos que a  
> gentileza por todos demonstrada me exigia fazer).
> Assim, já me escusei a exercer tais funções em regime de gestão  
> corrente e, no mesmo sentido, não serei opositor ao próximo concurso  
> público que irá ser aberto em resultado de tão estranho despacho, por  
> uma questão de ética e de deontologia profissionais, decisão assumida  
> em razão de um imperativo de consciência que não pode ser por mim  
> sonegado, em circunstância alguma.
> E é por me despedir destas funções de serviço público, enquanto  
> diretor do Museu Nacional Grão Vasco, bem como a título pessoal, que  
> aqui deixo lavrado a todos o meu sentido e emocionado muito obrigado.
> Agostinho Ribeiro "
> 
> Agostinho ! Aqui grito "Estamos juntos!"
> 
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> 
> _______________________________________________
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