A notícia de 26jan2017, de que o jornalista (?) chinês XIAN NAN do “Southern Metropolis Daily” escreveu 150 mil notícias em quatro dias, volta a colocar em questão as “Fronteiras da Identidade Humana”. E talvez deva alertar os Responsáveis pelo Património. De facto, hoje, existem «objetos patrimoniais» produzidos pela Inteligência Artificial e pela Robótica que permitem constituir várias Coleções. A gestão dessas Coleções, e o seu Processo de Patrimonização (anteriormente designado por «processo de musealização») torna-se urgente. A fronteira entre a Identidade Humana e a Identidade Digital (ou Quântica) é objeto de legislação recente na Europa, EUA, Japão, China, e Austrália. Inclusive a definição da sua «identidade jurídica enquanto Pessoa» perante o Direito. É necessário ter consciência de que não se trata de duas coisas (pessoas), como o Dualismo vigente na Ciência (tanto nas «ciências ditas naturais, exatas ou físicas», como nas «ciências ditas sociais e humanas») no-lo tem apresentado. Trata-se de três coisas (pessoas). Concretamente: 1. O Ser-Humano (usualmente identificado e localizado através do «corpo-humano»); 2. O Objeto-Digital (ou Corpo-do-Robô/Avatar; por exemplo, atualmente, perante a Lei e a Jurisprudência, uma fotocópia não tem valor jurídico relativamente a um conteúdo digital enviado por email); e, 3. O Ser-Digital ou Quântico (isto é, «o Ser/Pessoa que habita o Corpo-do-Robô/Avatar», e que toma decisões e pensa independentemente da vontade do Ser-Humano). Em 2012 mostrei o modo de captar e discernir esses atuais Níveis de Realidade do Objeto Patrimonial no modelo que designei “Conceito HeptaDimensional do Objeto e da Realidade”. Nas mensagens “Património Pós-Humano” (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16446.html) e “Património, Ciência, e Identidade Humana…” (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg16478.html) suscitei essa questão. E em 2013, na apresentação da “Teoria do Fazer Humano” (Pedro Manuel-Cardoso, 8agos2013, IGAC, Lisboa), reunimo-nos com várixs Colegxs no Jardim Botânico em Lisboa para partilhar e debater essa questão de modo mais aprofundado. Talvez hoje, tão ou mais importante do que os grupos-de-trabalho e os departamentos criados para o «património dito imaterial», fosse necessária a mesma preocupação e esforço para este tipo de «património dito pós-humano». Talvez a Direção-Geral do Património Cultural devesse providenciar. Pedro Manuel-Cardoso |
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