No próximo sábado teremos mais duas conferências no Porto, de todo o
interesse e de entrada livre (pode levar amigos consigo...):
14,30 h.
“O ‘doce-amargo das narrativas do gentio’. Ciência colonial,
Música e Poder nas coleções cokwe de ‘Folclore Musical de Angola’
da Diamang, década de 1950”
por
Cristina Sá Valentim
(Centro de Estudos Sociais da Universidade de
Coimbra).
Resumo
da conferência:
A
Missão de Recolha de Folclore Musical organizada pela Companhia de Diamantes de
Angola (Diamang) percorreu o leste e nordeste angolanos através de recolhas
sistematizadas de âmbito etnomusical, entre 1950 e 1960, tendo sido divulgada
nacional e internacionalmente através da circulação
das coleções musicais em estudos científicos, exposições, conferências e
imprensa. A partir da delegação da
Companhia no Dundo, na Lunda, a Missão deslocou-se a aldeias onde gravou
canções ‘tradicionais’ cantadas pelos “indígenas”, ou
seja, pela força laboral colonial, em particular pelos trabalhadores
contratados, e suas famílias, ao serviço da Companhia. No âmbito da minha
pesquisa doutoral, a investigação em
arquivo e em história oral que realizei em Portugal e em Angola foca-se nas
dinâmicas das relações entre africanos e europeus tendo em conta questões de
Poder, de Cultura e de Conhecimentos. Procuro entender as diversas apropriações
das canções, tendo em conta quer o processo da construção
colonial do Folclore Musical Indígena, quer as vivências quotidianas retratadas nas canções e as memórias que elas
guardam. Partindo de algumas músicas dos Cokwe gravadas pela Missão na década
de 1950, procurarei discutir algumas das complexidades desses processos.
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Cristina
Sá Valentim (Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra).
Nota biográfica: Licenciada e Mestre em Antropologia pela Universidade de
Coimbra, e atualmente em fase de conclusão do doutoramento em Sociologia no
Centro de Estudos Sociais/Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Na
investigação doutoral explora as
práticas coloniais em redor do designado Folclore Indígena levado a cabo pela
ex-Companhia de Diamantes de Angola, Diamang, no nordeste de Angola (1940-1970). Em
concreto, analisa as relações entre colonialismo português, conhecimento,
cultura, dominação e resistência a
partir do idioma colonial de Folclore Musical Indígena e de canções dos Cokwe
gravadas em 1950 pelo Museu do Dundo nas Lundas. Nesse âmbito realizou trabalho
de campo através de pesquisa arquivística e história oral em Portugal e em
Angola. É responsável pela gestão do
website Diamang Digital (www.diamangdigital.net)
na sequência da sua participação
como investigadora no projeto Diamang Digital. É investigadora colaboradora no
Centro em Rede de Investigação em
Antropologia (CRIA).
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Brava dança dos Heróis; O nacionalismo pop nos anos 80
Conferência por Marcos Cardão
(Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade
de Letras da Universidade de Lisboa)
Resumo da conferência
Os
anos 1980 são vistos como um tempo de inserção
de Portugal na esfera das economias e sociedades liberais europeias. O
aparecimento de novas formas de consumo, imaginários e dinâmicas cosmopolitas
fez parte de um processo amplo de transformações socioculturais repercutidas
pela cultura popular urbana, que oferece múltiplos observatórios de análise e
permite identificar fenómenos historicamente emergentes, entre quais se destaca
a reinvenção do nacionalismo
português, que reapareceu num contexto democrático e pós-colonial e impregnou a
vida quotidiana com representações
idealizadas da portugalidade, sobretudo quando vários conjuntos pop-rock
empreenderam uma revisitação
glorificadora do período dos Descobrimentos. Admitindo que a cultura
audiovisual passou a ser o eixo gravitacional da vida cultural portuguesa nos
anos 80, e que esta nos permite situar o caso Português no âmbito da
internacionalização das formas e
práticas culturais, nesta comunicação
pretende-se analisar os discursos, práticas e representações da cultura popular
urbana que foram fulcrais para a reinvenção
do nacionalismo português. O objectivo é contemplar as ligações entre a
identidade nacional e as representações do passado colonial, e apreciar como a
temática dos Descobrimentos Portugueses encontrou na música pop portuguesa um
meio de transmissão e celebração.
Marcos Cardão é Investigador de
Pós-Doutoramento no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa (CEC – FLUL), Doutorado em História Moderna e Contemporânea
pelo ISCTE-IUL (2013). É autor do livro "Fado Tropical. O
luso-tropicalismo na cultura de massas (1960-1974)" (Lisboa: Edições
Unipop, 2014) e co-autor de "Gilberto Freyre: novas leituras, do outro
lado do Atlântico (São Paulo: Edusp, 2015)".
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Promovidas pela
Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia
nas instalações da Fundação Eng.º
António de Almeida, R. Tenente Valadim, sala 4
ENTRADA LIVRE E
GRATUITA.
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