Agradeço à Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), e ao Professor Vítor Oliveira Jorge, a coragem de terem publicado na revista TAE-Trabalhos de Antropologia e Etnologia (Volume 57/2017, pp.44-49), o polémico resumo da Conferência que fiz em 3dez2016 na Fundação Engenheiro António de Almeida. De facto as reações foram violentas. Porém, perante os resultados científicos que se vão anunciando a cada dia que passa, parece, afinal, que o absurdo se torna no óbvio. Um processo a que William James, já em 1907, chamou de “A Pragmática da Verdade”:
Posteriormente, vemos surgirem obras como as de Y.N. Harari (“Sapiens: Uma Breve História da Humanidade” e “Homo-Deus: história breve do amanhã”), e outras, que revelam, afinal, a pertinência dos dados e da proposta que apresentei. No artigo que agora saiu na revista TAE-Trabalhos de Antropologia e Etnologia (http://revistataeonline.weebly.com/uploads/2/2/0/2/22023964/pedrocardoso.pdf), e que aqui partilho, refiro as repercussões que esta Mutação tem na arqueologia, na paleontologia, a sociologia, na história, na etnografia, no património, e na arte.
A teimosa resistência da Museologia em não querer transformar-se em Patrimologia (isto é, integrar num único corpus científico e epistemológico a arquivologia, biblioteconomia, documentação, conservação, e museologia) é apenas um caso desse conservadorismo. Uma realidade que pode facilmente ser verificada nos atuais curriculae da maioria dos cursos de formação académica, mas também nas instituições (por exemplo, DGPC, ICOM e congéneres). Uma relutância que, infelizmente, atrasa e desvaloriza o legado técnico e científico que foi acumulado durante décadas por essas competências e saberes do Património. A Formação (universidades e congéneres) e a Política de Gestão do Património (incluindo, portanto, a dificuldade de emprego dos formandos) sofrem esta inércia. Que urge alterar. Porque são os Visitantes (sobretudo os das novas gerações, que deixam de compreender o valor patrimonial dos Objetos e Coleções, das narrativas que se fazem delas, e quais os benefícios efetivos dos museus e instituições congéneres). Hoje, o ACESSO ao Património é uma gestão e um trabalho muito mais complexos e exigentes do que no passado. Não se resolve com medidas legislativas ou teorias de organização burocrática. O recente caso do Convento de Cristo, em que um projeto patrimonial é confundido com um programa de eventos mediadores e convivais, é disso mais um exemplo. Como se o Património em si mesmo, no seu valor próprio, não tivesse a mesma capacidade de atratividade e de ludicidade. A disneylização, as guitarradas, as festas, e outras performances, trazem muita gente para dentro do Património, que são contabilizadas na estatística das Visitas. Porém são iniciativas postiças, para o consumo hedonista e efémero, que não permitem o acesso ao valor patrimonial dos Objetos e Coleções, nem o enraizamento dos museus/monumentos e congéneres nas Comunidades. Podiam ser feitas ali, ou noutro sítio qualquer. Paradoxalmente, a vivacidade e animação dessas iniciativas contribui para matar o Património, em vez de serem um projeto em prol de um Património Vivo. Pedro Manuel-Cardoso |
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