Muitos políticos (e outrxs) vieram agora insurgir-se. Mostrar aos eleitores que se preocupam com a Política Pública de Património. De facto é necessário uma Reforma da atual Política de Património. Mas não como esses atuais responsáveis a preconizam. Nem como está escrita nos seus Programas de Governo. REPARE-SE NO QUE OCORREU HOJE. No mesmo dia, no mesmo País, aconteceram dois factos antagónicos. De um lado, a classificação do Concelho de Castro Verde como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO. Do outro lado, as críticas dos políticos à degradação do Parque Arqueológico do Vale do Côa (classificado Monumento Nacional e Património Mundial da UNESCO). QUE LIÇÃO SE PODE RETIRAR DESTA CONTRADIÇÃO PARA O DEBATE SOBRE A REFORMA DA POLÍTICA PÚBLICA DE PATRIMÓNIO? Permitam explicitá-la no exercício comparativo que apresento no quadro adiante:
ONDE ESTÁ A DIFERENÇA? A diferença, tal como referi a propósito da triste cisão entre Material/Imaterial, está, mais uma vez, na não-separação entre as Pessoas e o Património. O erro está em separar a materialidade das Pessoas da imaterialidade do Valor Patrimonial (qualquer que ele seja, e qualquer que seja o juízo de Peritos). O Património imposto às Pessoas e às Comunidades como um acto administrativo de Classificação é um crime social e uma usura das suas Identidades. Uma coisa sentida como estranha ao seu modo de viver e de sentir. Logo, uma coisa que nem tem candidatos da Região a querer fazer esse papel. Um coisa que necessita de ser vídeo-vigiada. O Parque Arqueológico do Vale do Côa foi imposto às Pessoas e à Comunidade. Razão pela qual dizem agora ser necessário “videovigilância” e “nomeações administrativas feitas por funcionários e políticos distantes”. O Património de Castro Verde imiscui-se na Vida das Pessoas e da Comunidade, não necessita de funcionários nem de programas educativos postiços para orgulhar os Castrenses. Basta perguntar na Guarda como sentem o PAVC para perceber a diferença. Os que agora se queixam muito, e usam o Património para fazer política partidária, talvez não estejam em condições de ser protagonistas da Reforma que a Política Pública de Património. Estudam muitas convenções, participam em muitas comissões, fazem parte de muitos programas nacionais e internacionais. Mas isso não é o elemento essencial do Património nem da sua correta Gestão. A relação entre os Objetos/Coisas e as Pessoas não se transmite pela internet, nem pode ser implementada através de formulários. Não é necessário inventar nada. O que é necessário, é ter consciência de que os trabalhos e projetos de excelência que estão a ocorrer em Portugal na área do Património não são aqueles que os Serviços do Estado e os Responsáveis Políticos estão atualmente a apoiar. Não é apenas uma questão de quantidade (de recursos e de dinheiro), é sobretudo uma questão de concepção-acção diferente. É por aí que deve começar a Reforma. Pedro Manuel-Cardoso |
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