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Viva, boa tarde! E pode acrescentar-se outra coluna de lamentável situação que hoje também é noticia: a da DESTRUIÇÃO DE
BALSA, no Algarve. Quem a nível do ESTADO e dos ministérios respetivos, se preocupa ou defende
BALSA!! Enquanto Algarvia e amiga de quem defende , estuda e sabe sobre
BALSA, que nos deve efetivamente preocupar, não posso deixar de ficar triste pela perda que se acentua a uma velocidade que torna este processo irreversível. Mas naturalmente que fico contudo muito orgulhosa por Castro Verde. Cr.
De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt]
Em nome de PedroManuelCardoso
Muitos políticos (e outrxs) vieram agora insurgir-se. Mostrar aos eleitores que se preocupam com a
Política Pública de Património.
De facto é necessário uma
Reforma da atual Política de Património. Mas não como esses atuais responsáveis a preconizam. Nem como está escrita nos seus
Programas de Governo.
REPARE-SE NO QUE OCORREU HOJE.
No mesmo dia, no mesmo País, aconteceram dois factos antagónicos. De um lado, a classificação do Concelho de Castro Verde como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO. Do outro lado, as críticas
dos políticos à degradação do Parque Arqueológico do Vale do Côa (classificado Monumento Nacional e Património Mundial da UNESCO).
QUE LIÇÃO SE PODE RETIRAR DESTA CONTRADIÇÃO PARA O DEBATE SOBRE A
REFORMA DA POLÍTICA PÚBLICA DE PATRIMÓNIO?
Permitam explicitá-la no exercício comparativo que apresento no quadro adiante:
ONDE ESTÁ A DIFERENÇA?
A diferença, tal como referi a propósito da triste cisão entre
Material/Imaterial, está, mais uma vez, na não-separação entre as Pessoas e o Património. O erro está em separar a materialidade das
Pessoas da imaterialidade do Valor Patrimonial (qualquer que ele seja, e qualquer que seja o juízo de Peritos).
O Património imposto às Pessoas e às Comunidades como um
acto administrativo de Classificação é um crime social e uma usura das suas Identidades. Uma coisa sentida como estranha ao seu modo de viver e de sentir. Logo, uma coisa que nem tem candidatos da Região a querer fazer esse papel. Um coisa que necessita
de ser vídeo-vigiada.
O Parque Arqueológico do Vale do Côa foi imposto às Pessoas e à Comunidade. Razão pela qual dizem agora ser necessário “videovigilância” e “nomeações administrativas feitas por funcionários
e políticos distantes”. O Património de Castro Verde imiscui-se na Vida das Pessoas e da Comunidade, não necessita de funcionários nem de programas educativos postiços para orgulhar os Castrenses. Basta perguntar na Guarda como sentem o PAVC para perceber
a diferença.
Os que agora se queixam muito, e usam o Património para fazer política partidária, talvez não estejam em condições de ser protagonistas da
Reforma que a Política Pública de Património.
Estudam muitas convenções, participam em muitas comissões, fazem parte de muitos programas nacionais e internacionais. Mas isso não é o elemento essencial do Património nem da sua correta Gestão.
A relação entre os Objetos/Coisas e as Pessoas não se transmite pela internet, nem pode ser implementada através de formulários.
Não é necessário inventar nada. O que é necessário, é ter consciência de que os trabalhos e projetos de
excelência que estão a ocorrer em Portugal na área do Património não são aqueles que os Serviços do Estado e os Responsáveis Políticos estão atualmente a apoiar. Não é apenas uma questão de
quantidade (de recursos e de dinheiro), é sobretudo uma questão de concepção-acção diferente.
É por aí que deve começar a Reforma.
Pedro Manuel-Cardoso
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