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Re: [Museum] O PATRIMÓNIO E AS PESSOAS: A lição de Castro Verde para Foz Coa aprender.

To :   PedroManuelCardoso <mty@mail.tmn.pt>, "museum@ci.uc.pt" <museum@ci.uc.pt>
Subject :   Re: [Museum] O PATRIMÓNIO E AS PESSOAS: A lição de Castro Verde para Foz Coa aprender.
From :   Custódia Reis <custodia.reis@cm-sbras.pt>
Date :   Wed, 14 Jun 2017 20:10:00 +0000

Viva, boa tarde!

E pode acrescentar-se outra coluna de lamentável situação que hoje também é noticia: a da DESTRUIÇÃO DE BALSA, no Algarve.

Quem a nível do ESTADO e dos ministérios respetivos, se preocupa ou defende  BALSA!!

Enquanto Algarvia e amiga de quem defende , estuda e sabe sobre BALSA, que nos deve efetivamente  preocupar, não posso deixar de ficar triste pela perda que se acentua a uma velocidade que torna este processo irreversível.

 

Mas  naturalmente que fico contudo muito orgulhosa por Castro Verde.

Cr.

 

 

sba2

Custódia Reis

Secretária da Vereação

E-Mail: custodia.reis@cm-sbras.pt

Tel: 289 840 005

 

Câmara Municipal de São Brás de Alportel

Rua Gago Coutinho, n.º 1  8150-151 São Brás de Alportel

Tel: 289 840 000  Fax: 289 842 455

E-Mail: camara@cm-sbras.pt

Url: www.cm-sbras.pt

 







 

De: museum-bounces@ci.uc.pt [mailto:museum-bounces@ci.uc.pt] Em nome de PedroManuelCardoso
Enviada: quarta-feira, 14 de Junho de 2017 15:40
Para: museum@ci.uc.pt
Assunto: [Museum] O PATRIMÓNIO E AS PESSOAS: A lição de Castro Verde para Foz Coa aprender.

 

 

            Muitos políticos (e outrxs) vieram agora insurgir-se. Mostrar aos eleitores que se preocupam com a Política Pública de Património.

            De facto é necessário uma Reforma da atual Política de Património. Mas não como esses atuais responsáveis a preconizam. Nem como está escrita nos seus Programas de Governo.

REPARE-SE NO QUE OCORREU HOJE.

            No mesmo dia, no mesmo País, aconteceram dois factos antagónicos. De um lado, a classificação do Concelho de Castro Verde como Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO. Do outro lado, as críticas dos políticos à degradação do Parque Arqueológico do Vale do Côa (classificado Monumento Nacional e Património Mundial da UNESCO).

            QUE LIÇÃO SE PODE RETIRAR DESTA CONTRADIÇÃO PARA O DEBATE SOBRE A REFORMA DA POLÍTICA PÚBLICA DE PATRIMÓNIO?

            Permitam explicitá-la no exercício comparativo que apresento no quadro adiante:

 

 

De um lado, acontece isto:

 

 

Do outro, acontece isto:

 

 

CASTRO VERDE (concelho) classificado Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO (2017)

 

 

PARQUE ARQUEOLÓGICO DO VALE DO CÔA (PAVC) classificado Monumento Nacional e Património Mundial da UNESCO

 

"Um ecossistema humanizado de alto valor natural, fruto de um trabalho contínuo de há várias décadas"…

 

“Encontra-se numa situação insustentável, de completa autogestão, sem administração nem trabalhadores”…

 

"Esta simbiose entre o Ser-Humano e o meio que o envolve tem definido aquilo que é a maneira de ser e de estar e afirma uma identidade que é uma marca de Castro Verde"…

 

"Até ontem à tarde, pelo que sabemos, ainda não tinha sido indigitada qualquer pessoa para substituir o diretor do Parque do Vale do Côa [António Batista], que se aposentou, e a entidade encontra-se completamente à deriva"…

 

“Um ecossistema onde a compatibilização da atividade agrícola com a conservação da paisagem e da natureza se tem traduzido na manutenção da maior área da estepe cerealífera, criada por práticas centenárias de uma agricultura extensiva, que levou à formação de um riquíssimo mosaico de habitat"…

 

“É necessário videovigilância…”… "A vigilância física é uma componente essencial do projeto do Côa e é uma obrigação do Estado garantir isso. Ela foi sendo suspensa ao longo dos últimos quatro anos, e acabou por desaparecer. Mas é essencial, não só para a proteção do património, mas também para dar emprego a uma região altamente deprimida"…

 

“O trabalho envolveu a comunidade e as entidades locais, mas também regionais e nacionais com intervenção no território”…

"Há uma falta de consciencialização cultural que é preciso reduzir, divulgando a importância de um património tão valioso"…

 

“Permitiu obter resultados ao nível da preservação da biodiversidade e dos valores naturais, culturais, e paisagísticos, que conferem ao concelho uma diversidade única e específica porque a sua gestão tem visado encontrar formas de valorizar, incrementar, e divulgar o território, contribuindo para o desenvolvimento local".

 

"Vivemos anos de cortes brutais em todas as estruturas da Cultura, seria impossível que num ano estivesse tudo remediado"…

 

 

            ONDE ESTÁ A DIFERENÇA?

            A diferença, tal como referi a propósito da triste cisão entre Material/Imaterial, está, mais uma vez, na não-separação entre as Pessoas e o Património. O erro está em separar a materialidade das Pessoas da imaterialidade do Valor Patrimonial (qualquer que ele seja, e qualquer que seja o juízo de Peritos).

            O Património imposto às Pessoas e às Comunidades como um acto administrativo de Classificação é um crime social e uma usura das suas Identidades. Uma coisa sentida como estranha ao seu modo de viver e de sentir. Logo, uma coisa que nem tem candidatos da Região a querer fazer esse papel. Um coisa que necessita de ser vídeo-vigiada.

            O Parque Arqueológico do Vale do Côa foi imposto às Pessoas e à Comunidade. Razão pela qual dizem agora ser necessário “videovigilância” e “nomeações administrativas feitas por funcionários e políticos distantes”. O Património de Castro Verde imiscui-se na Vida das Pessoas e da Comunidade, não necessita de funcionários nem de programas educativos postiços para orgulhar os Castrenses. Basta perguntar na Guarda como sentem o PAVC para perceber a diferença.

            Os que agora se queixam muito, e usam o Património para fazer política partidária, talvez não estejam em condições de ser protagonistas da Reforma que a Política Pública de Património.

            Estudam muitas convenções, participam em muitas comissões, fazem parte de muitos programas nacionais e internacionais. Mas isso não é o elemento essencial do Património nem da sua correta Gestão. A relação entre os Objetos/Coisas e as Pessoas não se transmite pela internet, nem pode ser implementada através de formulários.

            Não é necessário inventar nada. O que é necessário, é ter consciência de que os trabalhos e projetos de excelência que estão a ocorrer em Portugal na área do Património não são aqueles que os Serviços do Estado e os Responsáveis Políticos estão atualmente a apoiar. Não é apenas uma questão de quantidade (de recursos e de dinheiro), é sobretudo uma questão de concepção-acção diferente.

            É por aí que deve começar a Reforma.

Pedro Manuel-Cardoso

           

           

 

 


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