A propósito da perspetiva de Corinne Estrada sobre O QUE DEVERIA SER UM MUSEU, em 22junho2017, em Paris, na «Communicating the Museum» (ANEXO 1) discutimos no «Grupo de Trabalho sobre Gestão do Património» --- [no qual me insiro desde 1988 (muito pela influência dos saudosos professores Luís Efren Casanova e Henrique Coutinho Gouveia, na FCSH da Universidade Nova de Lisboa), e do qual fazem hoje parte Colegxs das seguintes 35 instituições (ANEXO 2)] --- a origem desta “nova” perspetiva apresentada como sendo uma “nova” filosofia para os museus. Ora, factualmente, verifica-se que ela não nasceu agora. Nem nasceu no seio da museologia dita tradicional (pós-1939-1945; ICOM). Nem com a introdução do conceito de “Desenvolvimento” na definição de museu do ICOM, nem com a desejada “participação das comunidades” a partir dos anos de 1970. E muito menos, com a miríade de convenções, tratados, recomendações, manifestos, conclusões, e outras orientações, que se sucederam a partir daí, num vertiginosa e insana produção até à atualidade. Nem começou nos ideais da Revolução Francesa do séc. XVIII. O nascimento das «palavras» não corresponde ao nascimento dos «factos», corresponde a maioria das vezes a uma nova enunciação para algo que existe muito antes. Esse tempo da redução dos factos sociais, culturais e humanos à linguística e à semiótica mostrou-se insuficiente e errado. Quase sempre uma nova palavra é um templo que se constrói em cima do da anterior ideologia. Os factos mostram que essa tensão entre as formas de usar o Património se constitui numa inércia/heurística cultural desde as primeiras sociedades Humanas. Que nasce nas primeiras sociedades sedentárias capazes de acumularem excedentes e recursos, vivendo em aglomerados semelhantes àquilo que designamos hoje por «cidades», quando desejaram transmitir essa «riqueza» aos vindouros. Foi aí que se alterou o valor do Uso. E se conflituaram esses dois modos de fazer a Gestão do Património. Que não desapareceram até à tal declaração de Corinne Estrada em 22junho 2017. Ou seja, o Património é algo muito menos etnocêntrico e moderno do que se quer fazer crer. Essa apropriação indevida (feita pela modernidade e pela contemporaneidade) talvez mostre como ele continua a ser essencial na construção da própria ideia de Humanidade e de Pessoa. Desde o início. Pedro Manuel-Cardoso |
ANEXO 1 COMMUNICATING THE MUSEUM Corinne ESTRADA junho 2017 Paris ICOM.pdf
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ANEXO 2 PATRIMÓNIO EM MUDANÇA PERSPETIVAS E PERPRETADORES.pdf
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