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Caro Pedro Manuel Cardoso,
Ainda em Bolonha, onde teve lugar nos últimos dias a Conferência anual do ICOM Europa (este ano dedicada ao tema "Museus Locais e Regionais na construção da Europa dos Povos") e depois de jornada muito revigorante em visita museus comunitários e ecomuseus da Emília Romana mais Romana, ou Romagna como aqui se diz, do que Emília) quero dizer-lhe, muito telegraficamente, que concordo inteiramente com a sugestão, ou mera advertência, deste seu contributo.
De facto, entre todos os "museus nacionais", são os de etnologia, ou antropologia cultural (se preferirmos o paradigma norte americano), ou antropologia social (se antes preferirmos o consolidado científico britânico), que estão em maior crise no mundo contemporâneo, emparedados que se encontram entre as antigas cenas de cromos etnográficos, coloniais e/ou anacrónicas quase sempre, o contemporâneo refúgio das "pessoas bonitas" (ou boas consciências como as mesmas se preferem a si própriad ver ao espelho) no ingénuo "máximo denominador comum" que a obra de arte parece instituir, sobretudo se chamada "primeira" ou "étnica", em vez de "primitiva".
Sim, a hipótese de Museu da Cidadania Global, que em todo o caso talvez nenhum de nós saiba ainda bem o que possa ser no final, parece-me um paradigma bem mais interessante para o futuro dos museus nacionais de etnologia. E neste contexto, também a emigração aqui teria cabimento. Todo e profundo cabimento no caso português.
Mas pode crer que nem você nem eu teremos qualquer êxito nesta demanda.
O tempo e a gente pede outra coisa: pede folclore etnográfico emigrantês. Nada a fazer.
Abraço amigo do,
Luís Raposo
Citando PedroManuelCardoso <mty@mail.tmn.pt>:
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