Hoje, de manhã, no Centro de Arte Moderna da FCGulbenkian, um simples acontecimento. Porém, nesse anonimato, nessa singeleza, nessa repetição, esconde-se a verdadeira riqueza do processo patrimonial. Refiro-me a uma ilustre Professora (da UNL), com xs suas/seus discentes, a iniciarem uma Aula no espaço onde se exibem obras-de-Arte. Nada parece relevante neste acontecimento, apesar de profundamente o ser. Bastava ver os olhos e a gestualidade, até a excitação, de tantos jovens seres-humanos curiosos. De facto, a transmissibilidade da Relevância patrimonial sucede-se e é mantida viva por aquela Professora. Provavelmente, tal como no início daquilo a que chamamos “Humanidade”. Por entre tantas informações e notícias disto e daquilo, por entre tantas novidades e pseudo-avanços, não é a resiliência daquele acto que merece notícia? Porque o que distingue o Valor e a Relevância patrimonial dos outros tipos de relevância não é exigirem um trabalho consciente e sistemático de preservação, documentação e transmissão para o usufruto das gerações vindouras? O PATRIMÓNIO não implica ensinar quais as decisões correctas sobre a hierarquia e a assimetria de valor entre as coisas que constituem a Realidade em cada contexto histórico, étnico, e sociocultural? O Património não é, para além de todas as outras tarefas, um trabalho com uma intenção de transmissibilidade? Coisas simples, que escondem as verdadeiramente Relevantes. Pedro Manuel-Cardoso |
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