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[Museum] Re Que agenda para os Museus Portugueses em 2018

To :   <museum@ci.uc.pt>
Subject :   [Museum] Re Que agenda para os Museus Portugueses em 2018
From :   "PedroManuelCardoso" <mty@mail.tmn.pt>
Date :   Tue, 2 Jan 2018 00:37:17 -0000

“Que agenda para os Museus Portugueses em 2018?”

“Não se trata de olhar para um sistema ordenado, mas saber ler um processo em transformação”

(Pedro Pereira Leite, 1jan2018, mensagem n.º 18068, Museum Lista)

 

O meu Amigo Pedro Pereira Leite abriu o Ano com assertividade.

O «parado» versus «aquilo que está em transformação»… É de facto aí que está a origem de todas as desadequações, inclusive as da atual Política Pública de Património. Logo, as da Cultura e dos Museus (no sentido lato da definição do ICOM).

Mas porquê criticar?

Então, a economia não está a crescer, as exportações não estão de vento em popa, o emprego precário e pouco remunerado a aumentar, o turismo a bater records, e os visitantes estrangeiros nos museus a encherem as salas?

Xs directorxs dos museus que vieram para a praça pública dizer que estavam a faltar recursos, não foram agora convidados para Formarem?

Se está tudo bem, é porque nada está mal.

Deixemo-nos de lamúrias… Este é o tempo em que o curto-prazo é soberano. Nada lhe resiste. Os ditos «problemas estruturais e reformas necessárias ao Desenvolvimento», que se mantêm por fazer, são tidos como um assunto tabu. Uma conversa de maldizentes que querem estragar a festa do momento.

O Gil Vicente, o Luís Vaz, o Eça, ou o Pessoa foram muito mais sarcásticos (ou realistas) a apontarem esse Problema Português do atraso epidémico e da teimosa assimetria da riqueza e dos êxitos. Mais recentemente, um português que lidera atualmente um dos maiores bancos de Inglaterra, voltou a dizê-lo.

A dizer o quê?

A pronunciar o impronunciável. Passo a citar: “Que o problema de Portugal é uma elite decadente que vive desde a monarquia de rendas. Uma classe que tem o dinheiro nas off-shores em vez de investir no País. No fundo porque, de algum modo, detesta ou se envergonha do seu Povo”. Não sou eu que o digo, são aqueles que referi.

Uma Administração Pública onde as famílias e os enteados dessa classe ocupam os cargos (sobretudo as assessorias, as especialidades, e as adjuntices), tal como na Corte. De facto, quantos sobrinhos, netos, e outros descendentes de segundo e terceiro grau estão lá? Talvez alguém da Justiça, ou de um Observatório Independente, devesse fazer um Relatório sobre isso.

E os Jovens investigadores e doutorados que andam à míngua, de Erasmus para Erasmus, de startups para startups, impedidos de quebrarem esse ciclo vicioso de uma economia irreformável à mercê de uma elite arrendatária que, quase desde Afonso Henriques, exporta o mesmo vinho, calçado, têxteis e metalomecânica?

Por exemplo, no dito «Eixo Expo-Santa Apolónia-Belém-Algés» trocam-se locais de primeira classe mundial em termos de investimento/riqueza imobiliária (turismo, restauração, hotelaria, comércio) por uma programação cultural de terceira classe a nível europeu e mundial. Uma bela troca de valor, cuja reciprocidade faz sorrir quem dela usufrui. E cujos dividendos não financiam a Política Pública de Património e de Cultura como deviam. Tudo com a complacência dos responsáveis pelos sucessivos Governos.

Caro Pedro, é assim, e continuará a ser. Queiramos ou não.

Até a aquela nossa universidade dá ideia que desistiu de lutar.

Porquê? Não sei.

Talvez porque é o Fado que nos foi destinado. Aquele que até deita fumo e cheira a caldo verde dentro do Convento de Cristo ou do Panteão.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 

 





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