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Belas Palavras! As do professor José d’Encarnação.
Homenageiam, de facto, e com profundidade, o inesquecível contributo de Benjamim Enes Pereira. Porque fazem sentir, a todxs que tiveram o privilégio de experienciar o que elas dizem, a mesma emoção.
Recordo com saudade esses tempos, em que Henrique Coutinho Gouveia nos levava, à turma de 1985/1989, às reservas do
Museu, numa das primeiras especializações em “Museologia” inserida na licenciatura e mestrado em antropologia em Portugal (FCSH/NOVA). Foi aí, nesse tempo e nessa experienciação, que iniciei o interesse pelo
estudo antropológico do Património. Tal como dezenas de Colegas que tiveram a felicidade de ter por Professores pessoas como Benjamim Enes Pereira, e os outros que José d’Encarnação mencionou.
Foram muitxs, que foram influenciados por essa
razão antropológica do Património.
No meu caso, a “Estrutura da Relevância” (“Estrutura do Valor Patrimonial”, como lhe comecei por chamar), que discerni e publiquei mais de vinte anos depois, em 2010, nasceram de um aspecto não-resolvido
nas “Festividades Cíclicas” de Ernesto Veiga de Oliveira, ocorrido nessas visitas ao Museu de Etnologia.
Uns dirão (e não são poucos), que é uma geração e uma época que finda; e agora os tempos (científicos, conceptuais, teóricos e hermenêuticos) são outros. Não concordo.
Esse legado nunca se deixou conspurcar pelo pós-modernismo do actual
Relativismo Cultural. Essa ideologia perversa e errada que confunde Ciência com Política, e infectou quase todas as universidades a partir desses «anos 70/80». Transformando muitas Faculdades em quase-sedes de partidos políticos; em vez de respeitarem
o exercício humano do Conhecimento, tal como Descartes (esse proscrito) escreveu, em Leiden, em 1637: “Duvido, logo penso…”.
Não, o valor desse legado não está ultrapassado.
Esse legado desafia, ainda hoje, o modo como as universidades deviam ministrar a formação e o ensino em Património (Museologia/Patrimologia).
A minha crítica (lamento), à maioria das instituições de ensino superior de Património (museologia/patrimologia), é epistemológica. É continuarem a separar, como se fazia nos sécs. XIX e XX, as «ciências naturais/exactas»
para um lado, e as «ciências sociais e humanidades» para outro.
Hoje, no séc. XXI, exige-se outra Epistemologia. Que permita aos “sistemas de educação, ensino e formação” irem por outro caminho. Concretamente, que instituam uma
Educação STEM. Porque a maioria das profissões das futuras gerações, inevitavelmente, serão baseadas na Ciência e Tecnologia. O A.Ogien resumiu essa nova questão epistemológica muito bem: “Procurar [eu diria: em vez de opor]
a conexão possível e plausível [eu diria: a probabilidade de Bayes/Lapalce]
entre a descrição dos mecanismos físicos e bioquímicos e os processos de atribuição de significado”.
Espero, um dia, que, nessas Faculdades, permitam um espaço laboratorial e experimental para essa parte dita não-exacta e não-natural, tal como fazem para a outra parte (… como se tudo, matéria/energia/quântica/imaterialidade,
não fosse feito de subpartículas do átomo). Essa estúpida cisão epistemológica já não se justifica, porém, já aprendíamos isso nessa época.
É o que me leva a pedir, há mais de trinta anos, uma sala com peças (como um “lego”) para construirmos Modelos e Equações, onde possamos experimentar a
teoria dos Números e a Estatística aplicada às regularidades dos
Fenomena social e humanos. Um espaço laboratorial para transformarmos a algoritmicade (encadeado) das histórias e das narrativas (e meta-narrativas relativistas) em
logaritmicidade (em modelos e equações testáveis experimentalmente, comparáveis, e reprogramáveis), permitindo fazer, através do método científico, aquela conecção epistemológica atrás referida (a que vulgarmente se dá o nome de “interdisciplinaridade”).
Talvez um dia isso seja possível. O
Património (como mostro na “Heptadimensionalidade do Objeto: It ou Bit?”, ou nessa “Estrutura da Relevância”) era um bom candidato a esse ensaio experimental e laboratorial.
Portanto, uma coisa do presente e do futuro, vinda desse legado, erradamente considerado ultrapassado.
Obrigado, professor José d’Encarnação.
Bem-Haja, Benjamim Enes Pereira.
Pedro Manuel-Cardoso |
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