A Memória quase-eterna; a Reconstituição fidedigna de qualquer Original; o Acesso em qualquer lugar a qualquer distância; numa Infraestrutura do tamanho de átomos e moléculas… A que distância de Hoje está esta realidade? As experiências sobre a Preservação e Conservação do Património em ADN Sintético continuam a uma velocidade exponencial. A duração daquilo que é guardado já atinge dezenas de milhares de anos. As máquinas robóticas que substituirão as atuais «impressoras 3D», e que permitem reconstituições (cópias) a partir da escala atómica e molecular, são já uma realidade nalguns laboratórios, permitindo imprimir castelos, monumentos, pinturas e quaisquer outros objetos/coisas à escala que se quiser, sem que a percepção humana consiga distinguir o «original» da «cópia». A transmissão de dados através das propriedades quânticas teve, em 2017, na China, a sua primeira aplicação pública promovida pelo Estado. O Acesso por uma «palavra-chave» permite viajar por Tudo, e estabelecer todas as Redes (conexões) que se desejarem. Toda a Memória do que está em Todos os sítios do mundo (museus, arquivos, bibliotecas, bases-de-dados, e congéneres) cabe em «caixas» cada vez menores. De facto, os dedos de uma mão do atual corpo anatómico humano já são gigantes, inadaptados em termos darwinistas (como há muito tempo disse A. Leroi-Gourhan), para clicarem no tamanho dos ícones e interruptores dos atuais smartphones e de outras geringonças do mesmo género, obrigando as Pessoas a mergulharem a cabeça como autómatos ou zombies. Um fenómeno que Hoje avassala a paisagem humana por tudo o que é sítio. Perante esta realidade… Como é possível continuar a definir e a discutir Museu como faz o ICOFOM no último documento, (mais uma vez) coordenado por F. Mairesse (ICOFOM, “Définir le musée du XXIe siècle”, 2017, Paris, ISBN: 978-92-9012-424-5)? Os textos publicados nesse Documento de 309 páginas são, inclusive, em termos científicos e técnicos, um retrocesso em relação ao nível e à profundidade da discussão ocorrida nos primeiros documentos do ICOFOM (refiro-me concretamente ao trabalho de Jan Jelínek em 1976, de Vinos Sofka em 1977, e depois, em 1980 e 1981, aos “Documents de Travail sur la Muséologie, 1 e 2”, “ICOFOM Study Series”, coordenados por Z. Stransky e A. Gregorova). E ninguém, lá de dentro do ICOM, diz nada? Será que o ICOM ainda está dominado pelas estratégias dos «Ministérios de Negócios Estrangeiros» dos países que fundaram a ONU e a UNESCO? No Debate que ocorrerá hoje em Toulouse, inserido na itinerância da Exposição sobre o IMPRONUNCIALISMO (ver os 24 painéis no ANEXO), vários Colegxs pediram para que esse triste retrocesso fosse discutido. E assim será. Pedro Manuel-Cardoso |
IMPRONUNCIALISMO por Pedro Manuel Cardoso. Exposição IMPRONUNCIA 2018 Toulouse France.pdf
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