Esta questão não é um assunto menor ou banal. Esta questão tem a ver com a GESTÃO do PATRIMÓNIO. Tem a ver com aquilo que se define, e se quer que seja, a dita «Gestão do Património». Exactamente como referi, em 27dez2017, aqui na Lista Museum, na mensagem n.º 18051, que intitulei «ONDE ESTÁ O PATRIMÓNIO QUE A GESTÃO QUER GERIR?» (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18051.html). Antes de tirar os cursos de antropologia, museologia, comunicação, e cultura, comecei num curso também «Superior» de Gestão. Numa boa Escola, e não numa universidade dita de «2.ª». Nessas Escolas de TOP, um bom Gestor é aquele (ou aquela) que sabe gerir tanto um chouriço como uma empresa, um banco, ou qualquer outra coisa. Isto é, uma Gestão que escolhe (restringe) apenas um dos três Valores (valor de troca, valor de uso, valor material) que constituem a Vida Humana e Social. A matemática fornece-lhes essa capacidade abstracta. Quanto mais for capaz de separar aqueles três Valores, e quanto maior for o seu domínio nas ferramentas quantitativas e nesses formalismos matemáticos, mais o/a Gestor fica habilitado a fazer gestão seja do que for. Concretamente, tudo vai desaguar no Algoritmo Simples Primal, iniciado por G. Dantzig e outros. Eu traduzo para quem não está familiarizado com a Gestão:
Ou, dito de outro modo, este tipo de Gestão conduz àquela pergunta e àquela equação, que um banqueiro interessado pela Cultura, escreveu em 1997 numa revista editada pela Biblioteca Nacional:
Nos anos recentes tivemos a oportunidade de assistir (colectivamente) a esses disparates desse tipo de Gestão. Até assistimos a vários altos responsáveis pelas Finanças e Economia, alguns com cursos nas melhores universidades, e exercendo funções nas mais reputadas instituições, a pedirem desculpa às Pessoas pelo mal e pela destruição que lhes causaram, na vida das Famílias e dos Bens que possuíam. Foram habitações, parcas poupanças, e sonhos, que lhes saquearam. Em nome desses tais Índices, Rácios, e Percentagens, dados por esse Algoritmo e por outros modelos matemáticos do mesmo tipo. Que, no início, lhes deram muito prestígio mediático, e foram vendidos ao Povo como sendo as «soluções miraculosas». Mas que depois, se verificou estarem errados, deixando um rasto de destruição humana e Social irreparável. Será para esse tipo de Gestão e para esse Destino que agora querem levar o Património? Logo, o mínimo que há a fazer é ter cautela, e avisar antes que seja tarde, para esses ilusionismos que agora novamente se apregoam. Por isso, é com algum cepticismo que vemos, agora, os curriculae e os formadores dos novos cursos ditos de «Gestão do Património». Que parecem servir para fazer uma espécie de reset a toda a Formação anterior, e a todos os saberes sobre o Património que não sejam os desse tipo economicista, juridicista, e mercantil de Fazer Gestão. Ao se escolherem figuras mediáticas para isso corre-se o risco de se estarem a esconder os saberes e essa especificidade que não se reduzem a esse tipo de Gestão e Formação. Para Gerir o Património é necessário, primeiro, conhecer e compreender o Objeto, o Uso, e o Valor. E depois, não cometer esse erro de separar esses três Valores, como na Gestão ministrada nas atuais Escolas de Gestão de TOP. Isto é, não serve o Algoritmo que lhes é ensinado, e que lá lhes inculcam. Para aprender essa especificidade do Património têm que começar por uma Variável que não consta de nenhum desses curriculae. Um bom lugar para aprenderem isso, por exemplo, seria começarem pelos ensinamentos da Etnografia das Economias Humanas noutros contextos geográficos e temporais. Portanto, a questão que Pedro Pereira Leite e Luís Raposo tiveram a coragem de desnudar também se pode colocar nesta «narrativa». A vantagem é não deixar escapar o erro científico e técnico de quem deixa que se cometa o erro cobrarem aqueles dinheiros (que, aliás, até são uma dupla tributação do Contribuinte, e uma infração ao espírito da atual lei constitucional). Mas que também de não deixar escapar a perpetração (passiva ou activa) de uma determinada Política Pública de Património exercida por quem está agora nos cargos. E isto numa governação que se autoproclama de «esquerda». Fará quando vier a que se autoproclama de «direita»… Pedro Manuel-Cardoso |
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