Em 2004, ao estudarmos as intervenções do ex-Instituto Português de Conservação e Restauro em oito obras classificadas de «Património» (“Presépio da Basílica da Estrela”; os “Tecidos do Relicário de Luís Vasques da Cunha” e as “Vestes da Nossa Senhora da Oliveira”, ambos pertencentes ao acervo do Museu Alberto Sampaio”; o “Biombo Lacado” do Museu Condes de Castro Guimarães”; o “Biombo de Papel Sino-Japonês” do Museu Nacional de Arte Antiga; a “Armadura Japonesa” do Museu Municipal Dr. Santos Rocha; a “pintura da Charola do Convento de Cristo”, em Tomar; os “Globos Coronelli” da Sociedade de Geografia) pudemos discernir aquilo a que chamámos “Estrutura do Valor Patrimonial” ou “Estrutura da Relevância”. Em 2006, através desses critérios/heurísticas descobertas na referida “Estrutura”, procedemos à comparação e análise de uma extensa lista de coleções e objetos (quase dois mil) classificados por «Património» em diferentes contextos geográficos e temporais. Dessa investigação resultou a confirmação de uma regularidade que se mantinha resiliente e estável independente das diferenças e dos contextos históricos, sociais, étnicos, e culturais. Em 2008, após esse resultado, definimos a “Estrutura do Valor Patrimonial ou Estrutura da Relevância” do seguinte modo:
Agora, em 2018, foi possível estabelecer uma conexão entre esses critérios/heurísticas e acontecimentos moleculares e bioquímicos. De facto, esses oito critérios que constituem a referida “Estrutura”, e que induzem todas as Classificações dos objetos/coleções em «Património», possuem um suporte molecular. Provavelmente uma proteína específica. Com esta descoberta não foi o Mundo nem a Realidade que mudaram. Porque esse fenómeno e essa “Estrutura do Valor Patrimonial ou da Relevância” sempre lá estiveram, codificados na biologia molecular da cognição e no hipocampo. Sempre lá estiveram protegidos pela nossa ignorância. O que poderá mudar é a compreensão sobre aquilo que definíamos como «Património». Este resultado confirma a hipótese formulada em 2004, e provoca as consequências teóricas e práticas no “Estudo e Gestão do Património” (Patrimologia) que temos vindo a referir. Duas merecem referência. Uma, é, de que a Memória não é o Património. A memória é uma infraestrutura e um processo para guardar/codificar Coisas, inclusive aquelas a que chamamos «Património». O que está lá dentro não é o mesmo que serve para guardar isso. Era o mesmo que confundirmos um cofre (memória) com as moedas (património) que lá estão guardadas. A outra, é que, perante um século já denominado de CRISPR, mais cedo ou mais tarde a reprogramação molecular artificial também chegará a esses oito critérios que constituem a referida “Estrutura do Valor Patrimonial ou da Relevância”. Ou seja, àquilo que a Natureza codificou como sendo aquilo que deveríamos considerar «Património». Passando a ser possível lá colocarmos o arbítrio humano sobre o que queremos que ele seja. Pedro Manuel-Cardoso |
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