A Procuradoria-geral da República pede
esclarecimentos
A Direcção-geral
do Património Cultural instaura processo disciplinar
Subordinado
ao tema «Depósitos arqueológicos: património ou lixo?», realizou-se na Sociedade
de Geografia de Lisboa, a 11 de Outubro de 2017, um colóquio que reuniu, em
média, cerca de 60 arqueólogos. Uma iniciativa conjunta
da Secção de Arqueologia da
Sociedade e do Centro de Arqueologia de Lisboa.
Antes
da discussão final, foi lida, a seu pedido, a seguinte moção
da arqueóloga Jacinta Bugalhão:
«Considerando
as alarmantes notícias vindas a público recentemente sobre a situação de
risco em que se encontra o importantíssimo espólio à guarda do Centro Nacional
de Arqueologia Náutica e Subaquática/Direcção-Geral
do Património Cultural, motivada pela conjugação de uma
escandalosa insuficiência de meios humanos, técnicos e financeiros ao dispor
daquela unidade, com uma gestão incompetente e negligente do processo relativo
às suas instalações;
»Propõe-se
a comunicação às entidades competentes do Ministério da
Cultura de um veemente voto de repúdio pelo seu desempenho neste processo,
acompanhado da exigência da tomada de medidas imediatas para a criação/reposição de todas as condições que garantam a
adequada conservação, estudo e fruição pública do acervo em causa, parcela ímpar do
Património Cultural Português».
A
moção, depois de discutida, foi
aprovada por larga maioria, sem votos contra.
Como me foi solicitado pela assembleia, remeti, em devido tempo,
essa moção à Direcção-Geral do Património Cultural, da qual não
obtive, porém, qualquer resposta, nem sequer a respectiva recepção foi acusada. Remeti-a também à Procuradoria-geral
da República, que me solicitou que fundamentasse devidamente a acusação feita e adiantasse proposta de resolução do problema. Tive oportunidade de remeter esses
elementos no prazo que me fora estipulado – entrega que me foi confirmada.
Teve
a Direcção-Geral do Património
Cultural conhecimento da moção
aprovada pelos arqueólogos. A resposta, porém, que se conhece não foi – o
que me pareceria normal – no sentido
de garantir que iria estudar o assunto, a fim de minorar os inconvenientes patrimoniais
apontados (repito, não recebi qualquer resposta), mas a instauração de um processo disciplinar à arqueóloga Mestra
Jacinta Bugalhão, que é técnica daquela direcção-geral.
Processo que está a seguir os seus trâmites.
José d’Encarnação
(na qualidade de moderador do colóquio)