|
Um
Colega, que muito prezo, perguntou a razão pela qual na Mensagem n.º 18131 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18131.html)
e no Painel 22 da «Exposição IMPRONUNCIA» afirmei que o Património é o contraponto à transitoriedade e à incerteza humana de qualquer Juízo sobre a Evidência, expressas na inferência probabilística bayeseana [P (A/B) = P(B/A).P(A) / P(B); P(H|E)
= P(E|H).P(H) / P(E)].
Ou seja, porque razão o
Património (o fenómeno que se designa por «Património») é um pólo oposto na relação com a
Incerteza (acerca do Mundo, da Natureza, ou da Existência). Sendo aí, nessa condição, de opositor à Incerteza que podemos compreender mais uma das suas dimensões e benefícios.
A razão é porque P, nessa fórmula de Thomas Bayes (1760), é sempre uma “probabilidade”;
A, B e «E» são a “evidência” (as coisas); e H é sempre uma “hipótese”. Logo, apesar da Inferência Probabilística de Bayes/Lapalce ser hoje uma das equações mais úteis à computação e ao discernimento da Inteligência Artificial, continua
a não trazer grande avanço à incerteza sobre as Coisas (mundo, natureza, existência). Pois, continua a ser uma operação completamente subjetiva e incompreensível (mesmo que seja adjetivada de «matemática»). Já que parte de um sítio que é considerado «desconhecido»
(a evidência) e acaba num resultado (a hipótese) que é sempre uma suposição (presunção) de que aquilo que se percepcionou possa ou não ocorrer outra vez.
Concretamente:
Ora o que é isto, senão uma probabilidade da probabilidade? E de onde nasce a certeza deste Juízo formulado
a posteriori? Ninguém sabe. Nem sequer quem o formula, seja Bayes ou os atuais sábios.
Com o Património sucede o inverso. Mesmo que a incompreensão seja a mesma.
Tal como escrevi no
Painel 22 da Exposição IMPRONUNCIA (ver Anexo):
A razão, do meu ponto de vista, é esta.
Não se julgue que este debate e esta questão é muito
Teoria, e não tem nada a trazer à Prática. Isso seria uma ingenuidade e uma apreciação apressada e superficial.
Porque estamos perante mais uma razão para o Património ser valorizado pela Política, e a sua Gestão ser imprescindível à Adaptação e à Continuidade. Já que oferece às sociedades
humanas a possibilidade de escolherem um Caminho menos incorrecto (menos não-adaptativo), mesmo que a Compreensão do que as rodeia ainda não seja alcançável.
Ora isto não é de somenos relevância para o estatuto social do Património.
Pedro Manuel-Cardoso |
IMPRONUNCIALISMO 20181231 por Pedro Manuel Cardoso. Exposição IMPRONUNCIA 2018.pdf
Description: =?windows-1252?q?IMPRONUNCIALISMO_20181231_por_Pedro_Manuel_Cardoso._Expo?==?windows-1252?q?si=E7=E3o_IMPRONUNCIA_2018.pdf?=
| Mensagem anterior por data: [Museum] 30 janeiro | Museu de Lisboa - Teatro Romano | Próxima mensagem por data: [Museum] Museu Bordalo Pinheiro | Conversa Aberta com Daniela Viçoso | 6ª feira | 2 FEV | 18h00 |
| Mensagem anterior por assunto: Re: [Museum] Imersividade e Pós-Imersividade: Passados quase vinte anos, o que aconteceu ao Património dos «Objetos Sensíveis» nos Museus? | Próxima mensagem por assunto: [Museum] INCLUSÃO E DIVERSIDADE: contributo para a discussão nos Museus e Património (II) |