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[Museum] IMPRONUNCIALISMO: Património e Incerteza

Subject :   [Museum] IMPRONUNCIALISMO: Património e Incerteza
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sat, 27 Jan 2018 17:40:48 +0000

 

         Um Colega, que muito prezo, perguntou a razão pela qual na Mensagem n.º 18131 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18131.html) e no Painel 22 da «Exposição IMPRONUNCIA» afirmei que o Património é o contraponto à transitoriedade e à incerteza humana de qualquer Juízo sobre a Evidência, expressas na inferência probabilística bayeseana [P (A/B) = P(B/A).P(A) / P(B); P(H|E) = P(E|H).P(H) / P(E)].

         Ou seja, porque razão o Património (o fenómeno que se designa por «Património») é um pólo oposto na relação com a Incerteza (acerca do Mundo, da Natureza, ou da Existência). Sendo aí, nessa condição, de opositor à Incerteza que podemos compreender mais uma das suas dimensões e benefícios.

         A razão é porque P, nessa fórmula de Thomas Bayes (1760), é sempre uma “probabilidade”; A, B e «E» são a “evidência” (as coisas); e H é sempre uma “hipótese”. Logo, apesar da Inferência Probabilística de Bayes/Lapalce ser hoje uma das equações mais úteis à computação e ao discernimento da Inteligência Artificial, continua a não trazer grande avanço à incerteza sobre as Coisas (mundo, natureza, existência). Pois, continua a ser uma operação  completamente subjetiva e incompreensível (mesmo que seja adjetivada de «matemática»). Já que parte de um sítio que é considerado «desconhecido» (a evidência) e acaba num resultado (a hipótese) que é sempre uma suposição (presunção) de que aquilo que se percepcionou possa ou não ocorrer outra vez.

         Concretamente:

How probable is our hypothesis given the observed evidence? (Posterior) = [How probable is the evidence given that our hypothesis is true? (Likelihood) + How probable was our hypothesis before observing the evidence? (Prior)] / How probable is the new evidence under all possible hypothesis? (Marginal).

        

         Ora o que é isto, senão uma probabilidade da probabilidade? E de onde nasce a certeza deste Juízo formulado a posteriori? Ninguém sabe. Nem sequer quem o formula, seja Bayes ou os atuais sábios.

         Com o Património sucede o inverso. Mesmo que a incompreensão seja a mesma.

         Tal como escrevi no Painel 22 da Exposição IMPRONUNCIA (ver Anexo):

O IMPRONUNCIALISMO mostra como o Património encerra um enigma. De facto, é surpreendente que, apesar de não existir nenhuma certeza absoluta acerca do Mundo e das Coisas que o compõem, o Ser-Humano saiba, apesar disso, decidir o que é Relevante, e o que não é.

O Património encerra esse enigma. De, perante tudo o que rodeia o Ser-Humano – sejam a natureza, o mundo, ou ele-próprio – saber «atribuir mais valor a umas coisas do que a outras»; saber «preferir isto a aquilo»; ser impelido a relevar e a preferir.

Porque este comportamento ocorreu de modo perene e permanente ao longo de toda a história da Humanidade? Como está codificado na biologia molecular da cognição humana? Qual é o seu valor para a Adaptação e para a Continuidade?

O Impronuncialismo mostra como o Património é o contraponto à transitoriedade e à incerteza humana do Juízo sobre a Evidência, expressas na inferência probabilística bayeseana [P (A/B) = P(B/A).P(A) / P(B); P(H|e) = P(e|H).P(H) / P(e)]. Porque P é sempre a “probabilidade”; A, B e «e» são a “evidência” (as coisas); e H é sempre uma “hipótese”.

 

         A razão, do meu ponto de vista, é esta.

         Não se julgue que este debate e esta questão é muito Teoria, e não tem nada a trazer à Prática. Isso seria uma ingenuidade e uma apreciação apressada e superficial.

         Porque estamos perante mais uma razão para o Património ser valorizado pela Política, e a sua Gestão ser imprescindível à Adaptação e à Continuidade. Já que oferece às sociedades humanas a possibilidade de escolherem um Caminho menos incorrecto (menos não-adaptativo), mesmo que a Compreensão do que as rodeia ainda não seja alcançável.

         Ora isto não é de somenos relevância para o estatuto social do Património.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 




Attachment: IMPRONUNCIALISMO 20181231 por Pedro Manuel Cardoso. Exposição IMPRONUNCIA 2018.pdf
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