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[Museum] As repercussões do Debate na Arqueologia e Património

Subject :   [Museum] As repercussões do Debate na Arqueologia e Património
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Tue, 13 Feb 2018 12:04:08 +0000

 

                Agradeço as mensagens que me enviaram sobre a Mensagem nº 18258.

                De facto, as repercussões deste Debate para o PATRIMÓNIO são inúmeras.

                Ao definir «ANTROPOLOGIA» e «EVOLUÇÃO» do modo como foi apresentado na Mensagem n.º 18258 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18258.html) cria-se uma alternativa válida a nível científico para as explicações de cariz darwinista e neo-darwinista, incluindo a designada por “simbiose gene-cultura”.

                De facto, a observação empírica tanto a nível bioquímico e molecular/celular, como a nível de agregados multicelulares e pluricelulares, e sucessivas redes de organismos (comunidades, cidades, países, culturas, etc.), mostra que não se trata apenas de “Adaptação”, nem apenas de “mutações”, nem apenas de “miscigenações”.

                O comportamento evolutivo dos seres-vivos em todas essas escalas, tanto a nível da sua descrição como da sua previsão, mostra que é comandado por uma quarta variável não presente nas explicações darwinistas ou ecologistas. Os seres-vivos não se satisfazem com a Adaptação, nem são guiados apenas por esse objetivo. Não se bastam com qualquer paraíso (ecologia/ambiente) a apanhar sol de barriga para o ar para todo o sempre. A “Adaptação” é uma mera táctica conjuntural para ganhar tempo (inércia evolutiva) até se conseguirem reprogramar e re-transformar de modo a não ficarem dependentes dos constrangimentos de qualquer Ambiente/Contexto. Essa é a estratégia (teleonomia) que podemos observar empiricamente ao investigarmos a Vida em qualquer escala.

                De facto, não se trata de “Adaptação”, como afirma o darwinismo e o ecologismo. Não é o mecanismo da “Adaptação” que explica a «Evolução». É muito mais este processo sucessivo e encadeado de reprogramação e reduplicação que propusemos na definição da Mensagem nº 18258. O qual não está dependente de qualquer “Adaptação” à ecologia de cada contexto espácio-temporal, e funciona autonomamente (auto-catálise, auto-organização).

                De facto, desde o aparecimento de “Vida” (moléculas, células) na Terra ainda não ocorreu nenhuma catástrofe (“extinção”) que conseguisse eliminar totalmente essa capacidade das moléculas/células se reprogramarem e se reduplicarem. Em cada minuto ocorrem milhões de milhões de reduplicações independentemente da forma anatómica dos organismos/sistemas/corpos e do que ocorre na Ecologia/Ambiente. Este é o facto que a verificação empírica comprova objetivamente. Não se trata de “Adaptação”, trata-se de reprogramação e reduplicação impelidas por um mecanismo interno situado a uma escala diferente, a qual, hoje, ainda recebe erradamente a designação de “inerte”. Quando ocorre uma “mudança” (catástrofe, mutação, ou extinção) é apenas uma parte das moléculas/células que desaparece. As restantes continuam a reduplicar-se e a reprogramar-se do mesmo modo. Um modo que remonta à origem físico-química da molécula/célula (a qual, na Terra, está atualmente calculada em 4600 milhões de anos). Sem necessidade de qualquer “Adaptação” a qualquer contexto ecológico/ambiental específico.

                O que poderá ocorrer é o desaparecimento de um determinado nível de agregação de moléculas/células. Ora, é a esse agregado anatómico ou organizacional (desde os designados por «multi- ou pluricelulares» até aos grupos, comunidades, cidades, ou sociedades) que os humanos dão o nome de organismos/corpos/espécies. Porém, essa destruturação anatómica não elimina o mecanismo de reprogramação/reduplicação inerente àquele funcionamento interno das moléculas/células. Logo, pelo menos no planeta Terra, não impede (nem impediu alguma vez) o ressurgimento de novos agregados anatómicos e organizacionais por causa de quaisquer mudanças ecológicas/ambientais (catástrofes, extinções, mutações).

                Assim sendo, a nível de uma verificação e comprovação empírica e factual em termos científicos, esta definição que propomos substitui, de facto, a explicação darwinista da «Evolução» que prevaleceu desde o séc. XIX até à atualidade. A qual explica a «EVOLUÇÃO» apenas através do mecanismo da Adaptação (variação-adaptação-selecção), não considerando uma quarta Variável inerente a este facto interno de Transformação que causa a resubstanciação e reformulação anatómica dos agregados bioquímicos-moleculares-celulares vulgarmente designados por «corpos/organismos/sistemas).

                As repercussões deste Debate atingem também o PATRIMÓNIO e a ARQUEOLOGIA, tal como referimos a propósito da Conferência de Sérgio Monteiro Rodrigues em 3dez2016, na Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE) em dez2016, intitulada "O processo de neolitização do Norte de Portugal: o contributo do sítio arqueológico do Prazo na Vila Nova de Foz Côa". Porque estas definições de Antropologia e Evolução invalidam uma explicação totalmente baseada no difusionismo e na miscigenação cultural para o aparecimento dos Artefactos da Cultura Material. E alteram o modelo vigente (por exemplo, o usado por João Zilhão) que tenta explicar a passagem do Paleolítico Superior para o Neolítico.

                Estas definições mostram uma melhor adequação aos factos e aos vestígios materiais recolhidos (ver as discrepâncias entre o modelo vigente e os vestígios arqueológicos, apresentadas por Sérgio Monteiro Rodrigues nessa Conferência).

                O difusionismo e as explicações baseadas nos contactos e empréstimos/miscigenações culturais perdem fôlego face às capacidades transformativas autónomas das populações autóctones. O que resolve as imensas discrepâncias que se verificam atualmente entre os vestígios materiais e as camadas estratigráficas. Porque a Transformação realizada pelas populações e grupos humanos na Ecologia/Ambiente/Contexto (a tal 4.ª Variável) processa-se através de «Níveis e Graus de Complexidade» que são comuns ao fenómeno que se designa por «Ser-Humano», logo, independentemente da “Adaptação”, da descontinuidade geográfica, ou dos contactos/empréstimos/miscigenações.

                E muito mais, que, agora, tornaria longa demais esta mensagem.

Pedro Manuel-Cardoso

 

 

 

 





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