|
As DESAVENÇAS DA IDENTIDADE a que se assiste atualmente não são apenas um sintoma da perda dela em Portugal, são um indício das que afetam as do Mundo.
Os recentes episódios sobre as desavenças entre o
Museu da Interculturalidade de Origem Portuguesa, o Museu das Descobertas, o
Museu dos Descobrimentos, e outros que o Estado pôs em Concurso Público em 2018, são disso uma prova evidente.
E mais uma vez, o Património (museus/monumentos/memoriais e congéneres) é o recurso utilizado para resolver essa desorientação humana. Com tanto dinheiro, com tanta tecnologia, com tanta ciência, com
tanto saber, com tantos títulos académicos, com tantas certezas… porém, recorrem outra vez ao Património (Patrimologia).
Mesmo com dinheiro, e com excesso dele, não sabem o que fazer.
Todos justificam esses museus com as mesmas razões, mas não sabem sequer o nome que lhes hão-de atribuir. Porque, quando começam a passar da ideia à concretização, verificam que excluem sempre muitas
Pessoas, que se sentem (até) ofendidas. Esse problema de polissemia, de ambiguidade, e de plurissignificação é uma história muito antiga no Património (Patrimologia).
Este espetáculo mediático mostra que as Pessoas querem urgentemente contribuir para a
Paz, e para uma Identidade que renove a decadência em que caíram as anteriores. Todos pressentem que o antigo compromisso humano para
Viver em Sociedade, assente nessa Identidade do passado, já não inibe a atual escalada de ódio e as crescentes assimetrias.
As Nações Unidas (ONU) já não são respeitadas – nem pelas grandes potências, nem pelos pequenos países. Já não serve para inibir a violência e o desrespeito pela Cidadania e os Direitos Humanos.
Infelizmente na Academia Portuguesa (universidades, faculdades, e principais autores) o
Relativismo Cultural anglo-saxónico e estadudinense tomou conta do Pensamento Social e Cultural. Impedindo uma análise crítica, rigorosa e distanciada da perpetração ideológica que lhe subjaz, e que é um produto importado com uma finalidade bem
explicita. Razão pela qual, quando pedem ajuda a esses académicos para resolver os
projetos museográficos concretos desses museus, eles não conseguem.
Ou seja, por estarem presos nessa
ideologia relativista, não conseguem pensar na «Etnicidade», no «Multiculturalismo», «Globalização», «Transnacionalismo», «Género/Transgénero», conceito de «Origem», «Colonialismo/Pós-colonialismo», «Escravatura»,
«Abolições e Indulgências», «Migrações forçadas», nos «Novos desafios da Democracia/Direitos humanos/Cidadania», e nos outros conceitos necessários à implementação desses museus.
O resultado é a desorientação que a disputa entre esses museus evidencia.
Em 14 de março, na mensagem n.º 18382 (http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18382.html)
intitulada “A DGPC lançou um grande desafio em fev2018. Como será resolvido?” já tinha advertido para este problema.
O Estado, através da DGPC, devia contribuir para esclarecer e dar uma orientação metodológica a estas questões atuais do Património. Porque o dinheiro gasto virá, em parte ou no todo, do erário público.
Pedro Manuel-Cardoso
|
| Mensagem anterior por data: [Museum] Ferreira do Alentejo, no dia 25 | Próxima mensagem por data: [Museum] Vale do Varosa com entrada livre no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios |
| Mensagem anterior por assunto: [Museum] Arte e Pensamento Simbólico antes de sapiens? Obviamente. | Próxima mensagem por assunto: [Museum] As repercussões do Debate na Arqueologia e Património |