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[Museum] Arte e Pensamento Simbólico antes de sapiens? Obviamente.

Subject :   [Museum] Arte e Pensamento Simbólico antes de sapiens? Obviamente.
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Thu, 1 Mar 2018 00:44:16 +0000

 

         Há cinco dias (23/02/2018) o alarido (por exemplo em João Zilhão, e outrxs) da Arte não se ter iniciado em sapiens provocou estupefação em quem estuda antropologia científica. Razão pela qual colocámos um «obviamente» no título da Mensagem n.º 18296, e escrevemos:

 

“[….] se todo este alarido e perplexidade foi por causa de terem sido obrigados a recuar algumas dezenas de milhares de anos até aos Neandertais, fará quando se aperceberem das implicações desse contributo de John O’Keefe nos outros hominídeos muito mais antigos. Pois é daí, desse processo bioquímico que antecedeu em muitos milhares de anos o Sapiens sapiens que deriva e se expressa a capacidade cognitiva e simbólica.” (Mensagem n.º 18296, 23/02/2018)

 

         E na mensagem n.º 18299, há três dias, sob o título “Neandertais, Humanos, Arte, e Pensamento Simbólico: O determinismo de Pôr em Código” tínhamos pedido para se recuar ainda mais do que os Neandertais:

 

“Permitam que recue um pouco na «topologia dos Fenomena» para que se entenda melhor a questão do dito “Pensamento Simbólico”.

 

Concretamente, a consciência de que a infraestrutura metabólica, perceptiva, e cognitiva do Ser-humano obriga-o a «Pôr Tudo em Código» (ARN, ADN, comunicação, linguagem, percepção, orientação, marcas-símbolos-signos, etc.). Logo, obriga-o a percepcionar e a pensar simbolicamente queira ou não.

 

Porém, essa infraestrutura codificadora e simbólica existe noutros seres-vivos muito anteriores a Sapiens. Provavelmente começou a desenvolver-se a partir dos Eucariontes, há mais de dois mil milhões de anos. Assim sendo, afirmar que o “pensamento simbólico” é uma criação humana, ou é isso que estabelece uma fronteira entre aquilo que é Humano e não é, torna-se um facto não provado em termos científicos.” (Mensagem n.º 18299, 25/02/2018)

 

 

         Porém continuámos a receber mensagens, e o debate prolongou-se.

         Recebemos algumas críticas por termos incluído o “pensamento simbólico” também antes de sapiens e dos Neandertais. E de refutarmos a tese de que era essa codificação que determinava a fronteira entre os Humanos e os não-humanos.

         Ora hoje até parece que nos estavam a ouvir, lá longe, além-Atlântico.

         Um Colega da Wenner-Gren Foundation enviou-me o artigo que Daniel Everett publicou hoje (28/02/2018) na Aeon sob o título “Did Homo erectus speak? (http://ow.ly/wfCY30ifg). Permitam que transcreva uma pequena parte:

 

“[….] Early hominins who sailed across oceans left indirect evidence that they might have been the first to use language.

 

What is the greatest human technological innovation? Fire? The wheel? Penicillin? Clothes? Google? None of these come close. As you read this, you are using the winning technology. The greatest tool in the world is language. Without it there would be no culture, no literature, no science, no history, no commercial enterprise or industry. The genus Homo rules the Earth because it possesses language. But how and when did we build this kingdom of speech? And who is ‘we’? After all, Homo sapiens is just one of several species of humans that have walked the Earth. Does ‘we’ refer to our genus, Homo, or to our species, sapiens?

 

To discover the answers to these questions, we need to travel back in time at least 1.9 million years ago to the birth of Homo erectus, as they emerged from the ancient process of primate evolution. Erectus had nearly double the brain size of any previous hominin, walked habitually upright, were superb hunters, travelled the world, and sailed to ocean islands. And somewhere along the way they got language. Yes, erectus. Not Neanderthals. Not sapiens. And if erectus invented language, this means that Neanderthals, born more than a million years later, entered a world already linguistic.[….]”

 

 

         Ou seja, tal como referi na última mensagem, a capacidade para fazer Arte e usar o “Pensamento Simbólico” exige, de facto, recuar muito mais do que os Neandertais. Exige recuar nos Fenomena até à capacidade de “pôr em código” (ver Anexo).

         Razão pela qual na Conferência na SPAE em 3dez2016, e na Exposição IMPRONUNCIALISMO e no método IMPRONUNCIA propus uma redefinição dos conceitos de Ser-humano e Evolução.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 




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