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Os recentes artigos publicados por Dirk Hoffmann
et alli sobre a capacidade dos Neandertais criarem arte e se expressarem por símbolos, mais uma vez, vem corroborar empiricamente a tese formulada na
Conferência que realizámos em 3dez2016 na SPAE (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia).
Evidentemente que a capacidade simbólica antecedeu o
Ser dito «Humano». Temo-lo dito e demonstrado desde há muito. Só uma visão deturpada da Antropologia e do fenómeno designado por “Vida” podiam continuar a sustentar esse erro.
Aqui na
Lista Museum, nas Mensagens n.º 18258 (“Antropologia e Evolução: Definições”
http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18258.html)
e n.º 18261 (“As repercussões do Debate na Arqueologia e Património”
http://ml.ci.uc.pt/mhonarchive/museum/msg18261.html) tínhamos mais uma vez mostrado esse
erro. Cometido por uma perspetiva ingénua tanto da Antropologia como da Arqueologia.
Não irei repetir o que escrevi nessas duas mensagens, nem a demonstração científica que apresentei na
Conferência da SPAE em 3dez2016. Nem aquilo que está escrito no
Léxico de Patrimologia que publiquei em 2015.
Agora, sobre essa capacidade simbólica dos
seres vivos, vale a pena chamar a atenção para o contributo de John O’Keefe (1971), que tenho vindo a referir nos estudos de museologia e património desde a descoberta da “estrutura da Relevância” em 2010. Esse contributo pioneiro e excepcional
de John O’Keefe valeu, quase 40 anos depois, a May-Britt Moser e Edvard Moser, o
prémio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2014.
Ou seja, se todo este espanto e perplexidade foi por causa de terem sido obrigados a recuar algumas dezenas de milhares de anos até aos Neandertais, fará quando se aperceberem das implicações
desse contributo de John O’Keefe nos outros hominídeos muito mais antigos. Pois é daí, desse processo bioquímico que antecedeu em muitos milhares de anos o
Sapiens sapiens que a capacidade cognitiva e simbólica deriva e se expressa. Inclusive na linguagem não-verbal de animais sociais, que a Gestualidade Humana tem estudado desde o contributo de Palo Alto.
Afinal, a
topologia do Impronuncialismo apresentada na Exposição IMPRONUNCIALISMO, foi útil mais cedo do que calculei.
Algumas opiniões e afirmações que são feitas por João Zilhão no artigo publicado por Filomena Naves em 22fev2018 (DN online) evidenciam uma
incorreta concepção científica do que é a Antropologia e dos seus atuais
resultados; assim como a prevalência de uma visão redutora da Evolução do fenómeno designado por “Vida”. E isso tem repercussões no modo de conceber e interpretar os dados da Arqueologia.
Não terá chegado o momento do Debate sobre a atualização dos conceitos de Ser-humano, Evolução, Fazer, Arte, Património?
A Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), neste ano que comemora o seu centenário, já fez esse Convite.
Espero que não se fuja dele como diabo da cruz.
Porque esse Debate é crucial para o Património e para a
missão dos Museus/Monumentos/Arquivos/Bibliotecas/Centros de Documentação, e outras infraestrutura congéneres. Ou seja, para a relação descontínua e nunca coincidente entre
Objeto, Uso, e Valor/Significado. Logo, para aquilo que será apresentado nas Expografias enquanto interpretação da
Vida, da Sociedade, do Ser-humano, e das suas Obras/Objetos.
Pedro Manuel-Cardoso
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