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Símbolos e Arte antes de
Sapiens sapiens? Obviamente
Os recentes artigos publicados por Dirk Hoffmann
et alli sobre a capacidade dos Neandertais criarem Arte e se expressarem por Símbolos, mais uma vez, vem corroborar empiricamente a tese formulada na
Conferência que realizámos em 3dez2016 na SPAE (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia). E acrescenta validade ao método proposto pelo Impronuncialismo.
Evidentemente que a capacidade simbólica antecedeu o
Ser dito «Humano». Só uma visão errada da Antropologia e do fenómeno designado por “Vida” podiam continuar a sustentar esse erro. Os trabalhos de E. Kandel, e outrxs, há mais vinte anos, mostraram que a capacidade simbólica é um facto da biologia molecular
da cognição muito anterior a Sapiens sapiens. A Antropologia científica (e não a antropologia literária ou classificada por «humanidades») há muito que o demonstrou.
Porém, algumas opiniões e afirmações feitas por João Zilhão acerca dessa capacidade dos Neandertais no artigo publicado por Filomena Naves em 22fev2018 (DN online)
evidenciam uma incorreta concepção científica do que é a Antropologia e dos seus atuais
resultados; assim como a prevalência de uma visão redutora da Evolução do fenómeno designado por “Vida”. E isso tem repercussões no modo de conceber e interpretar os dados da Arqueologia (ver as mensagens n.º 18258 “Antropologia e Evolução: Definições”,
e n.º 18261 “As repercussões do Debate na Arqueologia e Património”.
Sobre essa capacidade simbólica dos
seres vivos vale a pena chamar a atenção para o contributo de John O’Keefe (1971), que tenho vindo a referir nos estudos de museologia e património desde a descoberta da “estrutura da Relevância” em 2010. Esse contributo pioneiro e excepcional
de John O’Keefe, quase 40 anos depois, valeu a May-Britt Moser e Edvard Moser o
prémio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2014.
Ou seja,
se todo este alarido e perplexidade das «Humanidades» foi por causa de terem sido obrigados a recuar algumas dezenas de milhares de anos até aos Neandertais,
fará quando se aperceberem das implicações desse contributo de John O’Keefe nos outros hominídeos muito mais antigos. Pois é daí, desse processo bioquímico que antecedeu em muitos milhares de anos o
Sapiens sapiens, que deriva e se expressa a capacidade cognitiva e o pensamento simbólico. Inclusive na a nível da linguagem não-verbal em animais sociais, um facto que a Etologia e a Gestualidade Humana (CNRS
Geste et Image) têm estudado, sobretudo desde o contributo de Palo Alto.
Não terá chegado o momento do Debate sobre a atualização dos conceitos de Ser-humano, Evolução, Fazer, Arte, Património? Não é para esse desafio que o Impronuncialismo
tem convocado? A Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), neste ano que comemora o seu centenário, também já fez esse Convite.
Pedro Manuel-Cardoso
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