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[Museum] Um alarido sem justificação. Símbolos e Arte antes de Sapiens sapiens? Obviamente

Subject :   [Museum] Um alarido sem justificação. Símbolos e Arte antes de Sapiens sapiens? Obviamente
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Fri, 23 Feb 2018 22:26:22 +0000

 

Símbolos e Arte antes de Sapiens sapiens? Obviamente

        

Os recentes artigos publicados por Dirk Hoffmann et alli sobre a capacidade dos Neandertais criarem Arte e se expressarem por Símbolos, mais uma vez, vem corroborar empiricamente a tese formulada na Conferência que realizámos em 3dez2016 na SPAE (Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia). E acrescenta validade ao método proposto pelo Impronuncialismo.

         Evidentemente que a capacidade simbólica antecedeu o Ser dito «Humano». Só uma visão errada da Antropologia e do fenómeno designado por “Vida” podiam continuar a sustentar esse erro. Os trabalhos de E. Kandel, e outrxs, há mais vinte anos, mostraram que a capacidade simbólica é um facto da biologia molecular da cognição muito anterior a Sapiens sapiens. A Antropologia científica (e não a antropologia literária ou classificada por «humanidades») há muito que o demonstrou.

Porém, algumas opiniões e afirmações feitas por João Zilhão acerca dessa capacidade dos Neandertais no artigo publicado por Filomena Naves em 22fev2018 (DN online) evidenciam uma incorreta concepção científica do que é a Antropologia e dos seus atuais resultados; assim como a prevalência de uma visão redutora da Evolução do fenómeno designado por “Vida”. E isso tem repercussões no modo de conceber e interpretar os dados da Arqueologia (ver as mensagens n.º 18258 “Antropologia e Evolução: Definições”, e n.º 18261 “As repercussões do Debate na Arqueologia e Património”.

Sobre essa capacidade simbólica dos seres vivos vale a pena chamar a atenção para o contributo de John O’Keefe (1971), que tenho vindo a referir nos estudos de museologia e património desde a descoberta da “estrutura da Relevância” em 2010. Esse contributo pioneiro e excepcional de John O’Keefe, quase 40 anos depois, valeu a May-Britt Moser e Edvard Moser o prémio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2014.

         Ou seja, se todo este alarido e perplexidade das «Humanidades» foi por causa de terem sido obrigados a recuar algumas dezenas de milhares de anos até aos Neandertais, fará quando se aperceberem das implicações desse contributo de John O’Keefe nos outros hominídeos muito mais antigos. Pois é daí, desse processo bioquímico que antecedeu em muitos milhares de anos o Sapiens sapiens, que deriva e se expressa a capacidade cognitiva e o pensamento simbólico. Inclusive na a nível da linguagem não-verbal em animais sociais, um facto que a Etologia e a Gestualidade Humana (CNRS Geste et Image) têm estudado, sobretudo desde o contributo de Palo Alto.

Não terá chegado o momento do Debate sobre a atualização dos conceitos de Ser-humano, Evolução, Fazer, Arte, Património? Não é para esse desafio que o Impronuncialismo tem convocado? A Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia (SPAE), neste ano que comemora o seu centenário, também já fez esse Convite.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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