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Negar a Descoberta ou o Descobrimento não é o mesmo que afirmar que o átomo nunca foi descoberto por Alguém, devido à errada ideia de ter sempre existido?
A existência de uma Coisa não lhe confere a propriedade de Descoberta/Descobrimento.
A Descoberta e o Descobrimento exigem à Coisa muito mais do que apenas
Ser. Essa não é a diferença entre a matéria inerte e a matéria viva?
A Descoberta e o Descobrimento exigem à Coisa a capacidade de construir uma premissa exterior a si-própria. Sem a qual jamais conseguirá ter consciência de si, e
jamais terá capacidade para agir sobre aquilo que é. Sem essa premissa, a Coisa fica reduzida a uma Existência à mercê da inércia e da entropia; fica condenada a esperar passivamente pelo Destino (pelo
Fado).
Não há Achamento sem Descoberta e Descobrimento.
Não é por um Povo (Cultura, etnia, comunidade) existir que impede Outro ou Alguém de o “achar”. O átomo não tem a capacidade de impedir a sua Descoberta por Alguém.
E não é por existir que tem consciência de que é feito por uma órbitra de electrões à volta de um núcleo de neutrões e protões. A
existência (por si própria) não lhe confere a propriedade de se conhecer a si próprio. Necessita de
viajar para fora de se si mesmo para ser capaz de se ler a si próprio. Necessita dessa premissa exterior que aqui, neste Projeto, se chama «Descoberta/Descobrimento».
Não é isso que é tanto a Viagem como o Descobrimento/Descoberta?
Não foi por causa disso que, duzentos anos mais tarde, no Iluminismo do séc. XVII, o símbolo do Conhecimento era uma torre que se elevava acima do labirinto?
Uma Coisa não se acha a si própria, senão
Descobrindo o que está fora de si.
Esse não foi o mais importante contributo da matemática e da lógica no séc. XX (1901 e 1931) para o atual
Conhecimento do Ser-humano pelo Ser-humano? Não é a Viagem e a Descoberta/Descobrimento que permite cumprir o desígnio do «conhece-te a ti mesmo»?
Nem todos os Povos (Culturas, etnias, comunidades) foram capazes de Descobrir. Tal como nem todas as Coisas inertes se transformaram em Vida (em processos bioquímicos
de autocatálise e de auto-organização). Os que conseguiram não ajudaram os outros que não foram capazes? Não será essa ajuda entre-Humanos que também justifica este
Projeto Português?
A maior parte dos Povos ficou em si-mesmos, como se esse Heterónimo que eram fossem todos os outros que o Ser-humano construiu nos diversos lugares do Mundo. Isso
não seria uma terrível redução dos Possíveis?
Deveremos ter vergonha de termos sido, num período da História humana, Descobridores? Mesmo que a opinião dos átomos seja a de que sempre lá estiveram. Porque as
razões e os motivos são independentes da ocorrência das Descobertas (muitas até são aleatórias e não espectáveis).
Mas há ainda outro constrangimento.
Refiro-me à
Ignomínia do Outro. Essa última fronteira da
Liberdade, que o nosso atual preconceito e o nosso atual limite ainda não nos deixam desbravar.
Refiro-me àqueles que no atual Mundo
(populistas e internacionalistas; nacionalistas e globalistas)
— sempre os mesmos, e com as mesmas razões — teimam em não permitir
o fim do Outro. Essa ignominia que há tanto tempo causa as nossas guerras e os nossos incêndios fratricidas. Que não permite que encontremos o
Outro em Nós.
Estaremos condenados a calar a Singularidade por causa da Globalidade?
O Ser-humano, apesar de tanta Alteridade e Diversidade, não é sempre um
Heterónimo do Mesmo? Como é possível Conhecer e ter consciência desse Mesmo sem cada um afirmar a Singularidade das Viagens e das Descobertas/Descobrimentos que fez?
Essa negação faz avançar na compreensão de nós-próprios? Não é da auto-narrativa de cada um (de cada Heterónimo) que os Outros se conseguem compreender e à sua História?
O Povo (Cultura, etnia, comunidade) que nunca foi colonialista, escravizador, chacinador, destruidor da identidade de outros… que atire a primeira pedra. Não somos
todos, em todos os lugares, e ainda agora, até mais do que nunca, descendentes desses? Não somos todos o
mesmo Ser-humano? Logo, o Mesmo que necessita permanentemente de ter esse Museu em cada lugar que está para que os
Outros o possam ir visitar como Diferente e Singular?
Renovo a Proposta:
Pedro Manuel-Cardoso
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