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[Museum] PROPOSTA Contributo de Profª Matilde Sousa Franco e Doutor Luís Raposo Fazer o Programa Preliminar do Museu aprovado no Orçamento Participativo da CML

Subject :   [Museum] PROPOSTA Contributo de Profª Matilde Sousa Franco e Doutor Luís Raposo Fazer o Programa Preliminar do Museu aprovado no Orçamento Participativo da CML
From :   Pedro Pereira <pedropereiraoffic@outlook.com>
Date :   Sun, 22 Apr 2018 15:31:21 +0000

 

            Negar a Descoberta ou o Descobrimento não é o mesmo que afirmar que o átomo nunca foi descoberto por Alguém, devido à errada ideia de ter sempre existido?

            A existência de uma Coisa não lhe confere a propriedade de Descoberta/Descobrimento.

            A Descoberta e o Descobrimento exigem à Coisa muito mais do que apenas Ser. Essa não é a diferença entre a matéria inerte e a matéria viva?

            A Descoberta e o Descobrimento exigem à Coisa a capacidade de construir uma premissa exterior a si-própria. Sem a qual jamais conseguirá ter consciência de si, e jamais terá capacidade para agir sobre aquilo que é. Sem essa premissa, a Coisa fica reduzida a uma Existência à mercê da inércia e da entropia; fica condenada a esperar passivamente pelo Destino (pelo Fado).

            Não há Achamento sem Descoberta e Descobrimento.

            Não é por um Povo (Cultura, etnia, comunidade) existir que impede Outro ou Alguém de o “achar”. O átomo não tem a capacidade de impedir a sua Descoberta por Alguém. E não é por existir que tem consciência de que é feito por uma órbitra de electrões à volta de um núcleo de neutrões e protões. A existência (por si própria) não lhe confere a propriedade de se conhecer a si próprio. Necessita de viajar para fora de se si mesmo para ser capaz de se ler a si próprio. Necessita dessa premissa exterior que aqui, neste Projeto, se chama «Descoberta/Descobrimento».

            Não é isso que é tanto a Viagem como o Descobrimento/Descoberta?

            Não foi por causa disso que, duzentos anos mais tarde, no Iluminismo do séc. XVII, o símbolo do Conhecimento era uma torre que se elevava acima do labirinto?

            Uma Coisa não se acha a si própria, senão Descobrindo o que está fora de si.

            Esse não foi o mais importante contributo da matemática e da lógica no séc. XX (1901 e 1931) para o atual Conhecimento do Ser-humano pelo Ser-humano? Não é a Viagem e a Descoberta/Descobrimento que permite cumprir o desígnio do «conhece-te a ti mesmo»?

            Nem todos os Povos (Culturas, etnias, comunidades) foram capazes de Descobrir. Tal como nem todas as Coisas inertes se transformaram em Vida (em processos bioquímicos de autocatálise e de auto-organização). Os que conseguiram não ajudaram os outros que não foram capazes? Não será essa ajuda entre-Humanos que também justifica este Projeto Português?

            A maior parte dos Povos ficou em si-mesmos, como se esse Heterónimo que eram fossem todos os outros que o Ser-humano construiu nos diversos lugares do Mundo. Isso não seria uma terrível redução dos Possíveis?

            Deveremos ter vergonha de termos sido, num período da História humana, Descobridores? Mesmo que a opinião dos átomos seja a de que sempre lá estiveram. Porque as razões e os motivos são independentes da ocorrência das Descobertas (muitas até são aleatórias e não espectáveis).

            Mas há ainda outro constrangimento.

            Refiro-me à Ignomínia do Outro. Essa última fronteira da Liberdade, que o nosso atual preconceito e o nosso atual limite ainda não nos deixam desbravar. Refiro-me àqueles que no atual Mundo (populistas e internacionalistas; nacionalistas e globalistas) — sempre os mesmos, e com as mesmas razões — teimam em não permitir o fim do Outro. Essa ignominia que há tanto tempo causa as nossas guerras e os nossos incêndios fratricidas. Que não permite que encontremos o Outro em Nós.

            Estaremos condenados a calar a Singularidade por causa da Globalidade?

            O Ser-humano, apesar de tanta Alteridade e Diversidade, não é sempre um Heterónimo do Mesmo? Como é possível Conhecer e ter consciência desse Mesmo sem cada um afirmar a Singularidade das Viagens e das Descobertas/Descobrimentos que fez?

            Essa negação faz avançar na compreensão de nós-próprios? Não é da auto-narrativa de cada um (de cada Heterónimo) que os Outros se conseguem compreender e à sua História?

            O Povo (Cultura, etnia, comunidade) que nunca foi colonialista, escravizador, chacinador, destruidor da identidade de outros… que atire a primeira pedra. Não somos todos, em todos os lugares, e ainda agora, até mais do que nunca, descendentes desses? Não somos todos o mesmo Ser-humano? Logo, o Mesmo que necessita permanentemente de ter esse Museu em cada lugar que está para que os Outros o possam ir visitar como Diferente e Singular?

 

Renovo a Proposta:

 

Que a Câmara Municipal de Lisboa, em parceria com a DGPC, convide a Professora Matilde Sousa Franco e o Doutor Luís Raposo para Coordenarem um grupo-de-trabalho, constituído formalmente em termos legais, com o objetivo de apresentar um Documento Orientador do Programa Preliminar de Concepção desse Museu.

 

Pedro Manuel-Cardoso

 

 





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