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Museu dos Descobrimentos Portugueses.
É
deste Museu que Portugal necessita.
Para visitarmos a espessa camada de sedimentações materiais, sociais e culturais desde a
pré-portugalidade até à pós-portugalidade já bastam o Museu Nacional de Arqueologia, o Museu Nacional de Etnologia, o Museu Nacional de Arte Antiga, e outros que existem. Mais um seria uma redundância e uma duplicação.
Museus para o Passado há muitos. Até talvez em demasia. Não é de um museu desses que Portugal necessita.
Mais do que um
Museu do Passado, Portugal não necessita de um Museu para o Futuro? Não é necessário
um Museu para preparar o Futuro de Portugal? Isto é, um Museu para
visitar aquilo que vai ser necessário percorrer, descobrir e criar para não dissolvermos a Singularidade dentro de qualquer “ismo” ou “logos” (seja a dissolução dentro da globalização neoliberal do capitalismo sem-humanidade que perpetra o Consumidor Universal,
seja a dissolução no modo internacionalista, esquerdista e comunista das famigeradas Uniões de má memória)?
Viajar entre Culturas (Inter-Culturalidade) é um bom Projeto. Porque exige que sejamos capazes de não nos dissolvermos nelas. É manter a autonomia e a singularidade. Porque logo que essa Diferença fosse dissolvida, exatamente nesse momento, era
a Viagem que terminava.
Porventura, saberão
quantos Descobrimentos os/as Portugueses/as fizeram de 2000 a 2018? Alguns quase tão importantes como aqueles que os Estrangeiros se admiram de termos feito no Passado.
Ouça-se o que alguns Estrangeiros dizem de Nós no capítulo “Explosão Planetária: A caminho de uma economia à escala do Mundo” na “História Económica
e Social do Mundo” publicada pela Armand Colin em 1978 (passo a citar): “Estava, pois, reservada ao pequeno Portugal a tarefa de integrar a África, e nomeadamente a África Negra, nos circuitos económicos mundiais; e de, depois,
criar a rota marítima das Índias. Sabemos já com que equipamentos, com que navios e com que instrumentos de navegação. A ubiquidade portuguesa no princípio do século XV – África ocidental e oriental, Ásia e Insulíndia de Ormuz a Macau, o Brasil de Cabral
– nada deve ao acaso, antes se realiza no termo de um esforço secular, concertado, organizado, dirigido pelo rei, uma verdadeira empresa nacional cuja vastidão continua a deixar-nos estupefactos se nos limitarmos a olhar para a Carta e para os números. (….)
1415: tomada de Ceuta: data simbólica, que naturalmente se toma como o início da epopeia portuguesa.” [Pierre LÉON, Bartlomé BENNASSAR (da Universidade Toulouse – Le Mirail), Pierre CHAUNU (da Universidade Paris IV), Guy FOURQUIN (da Universidade de Lille)
e Robert MANTRAN (da Universidade de Aix – Marseille I].
Apenas este exemplo para não encher a página com muitos outros.
Não será urgente e necessário, mais do que nunca, esse
Museu dos Descobrimentos Portugueses para preparar o Futuro de Portugal?
Pedro Manuel-Cardoso
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